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Como escolher a melhor base para a pele negra sem precisar fazer misturinha

Reprodução/@damattamakeup/Instagram
Imagem: Reprodução/@damattamakeup/Instagram

Jéssica Arruda

Colaboração para Universa

23/11/2020 04h00

Como uma mulher parda, sei que não é nada fácil achar uma base perfeita para o meu tom de pele. E isso não é de hoje: assim como eu, mulheres negras com mais de 20 anos inevitavelmente passaram pelo constrangimento de ver a pele ficar acinzentada ou alaranjada com make.

Para evitar que isso acontecesse, eu comprava 2 ou 3 produtos diferentes, misturava e, com sorte, conseguia chegar em uma nuance parecida com a minha cor da pele. Não havia diversidade nas nuances de maquiagem para as peles pretas e pardas. De lá para cá, as coisas mudaram. Mas não muito. Um estudo inédito realizado pela Avon ouviu mil mulheres negras em todo país para traçar um perfil da representatividade de tons de pele na indústria da beleza, especialmente em itens como base, pó e corretivo.

A pesquisa mostrou que 70% não estão totalmente satisfeitas com as opções de produtos específicos para o seu tipo de pele disponíveis no mercado. Os dados apontam ainda que 46% das mulheres pretas e pardas já desistiram da compra de uma base por não encontrar o tom compatível com a sua pele. E, 57% contaram que, assim como eu, já compraram mais de um tom para encontrar o tom.

Diversidade de tons de pele

"Toda mulher negra brasileira que gosta de se maquiar sofre ou já sofreu muito com isso. O mercado hoje está mudando, mas ainda estamos muito longe de chegar nessa inclusão com a multiplicidade de tons para maquiagem", afirma a maquiadora e influencer Sandra Porto.

Antes de se tornar maquiadora profissional, Sandra trabalhou como comissária de bordo durante 15 anos e, por isso, sempre teve uma relação muito próxima com produtos de maquiagem. Negra de pele média e subtom amarelado, ela conta quando vai comprar uma base prefere testar não um, mas três tonalidades diferentes. "Escolho uma que julgo ser o meu tom ou o mais próximo possível da minha pele. E outras duas, uma mais clara e outra mais escura. Assim consigo visualizar qual é o real tom da base que preciso", explica.

Daniele da Matta - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Da Matta testa seu tom ideal de base
Imagem: Reprodução/Instagram
Sandra Porto - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Sandra Porto compara o efeito da base em metade do rosto
Imagem: Reprodução/Instagram

Já a assessora de comunicação Laíla Cruz Fuentes revela que achar uma base para o seu tom de pele retinto é um desafio ainda maior -e que, por isso, ela prefere bases importadas para maquiar o rosto. "Hoje as empresas passaram a investir em tecnologia, entenderam que o Brasil é um país diverso e que é preciso atender a demanda dos mais variados grupos étnicos", avalia.

Subtom de pele: o que é e como saber o seu

"Uma maneira de conseguir a base ideal é entender o tom da pele, se é mais puxado para o claro, médio ou escuro", revela Daniele Da Mata, que auxiliou a Avon na elaboração de uma nova cartela de produtos voltados especialmente para peles negras.

Ela explica que o subtom de pele influencia diretamente na escolha da base para a pele negra. Se o tom é aquela cor que você enxerga ao se olhar no espelho, o subtom é o que está por trás, relacionado à concentração de melanina na pele. Pode ser quente, frio ou neutro.

Subtom de pele quente tem mais incidência para o amarelo e vermelho. Já o frio é mais opaco, com inclinação para o azul. O neutro, então, é o meio-termo entre os dois. Conhecer o tom e subtom é importante porque as bases também trazem essas propriedades de fundo - que são essenciais para fugir daquele efeito acinzentado ou alaranjado no rosto.

"Um teste fácil para descobrir o seu é observar a coloração de suas veias do antebraço ou pulso. Se elas são arroxeadas, o subtom é frio. Se elas são verde-azuladas, o subtom é neutro. Se elas são amarronzadas, o subtom é quente", explica Alvaro Dallafina, maquiador especialista em pele negra.

No entanto, nem sempre o tom da pele preta permite que essa verificação. Nestes casos, uma dica simples é perceber a cor dos acessórios usados no dia a dia. Geralmente mulheres que gostam mais de acessórios dourados têm subtom quente e, naquelas que utilizam mais prata, o subtom é frio.

Escolha da maquiagem - RuslanDashinsky/Getty Images - RuslanDashinsky/Getty Images
Imagem: RuslanDashinsky/Getty Images

Na hora da compra: não teste na mão

Na hora de escolher a melhor base, Laila prefere testar no rosto, esperar alguns minutos e ver se o produto vai oxidar, se a textura é brilhosa ou matte e se a cobertura é leve ou pesada. Essa técnica que a assessora usa para provar a base é a mais recomendada por experts em pele negra. Ou seja, nada de experimentar a base nas mãos ou no pulso.

A maquiadora Daniele Da Mata afirma que, na prática, a melhor maneira de encontrar a base ideal é testar no rosto e passar também no queixo, pescoço e colo.

O truque é experimentar o produto com o rosto limpo e esperar de 10 a 15 minutos para o produto assentar na pele. Assim é possível verificar se houve alteração no tom e evitar aquela sensação de que base funciona melhor na loja do que em casa. Isso acontece porque o produto pode oxidar em contato com o rosto, fazendo com que a cor mude devido à química da pele e o contato com o ambiente.

Há, ainda, outros casos de peles pretas onde a extremidade da face é mais escura que o centro. Por isso, o indicado é provar as tonalidades em diferentes regiões do rosto. Assim é possível avaliar a cobertura na região das olheiras, por exemplo, e ver se há uniformidade na cor.

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