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Ao alugar sala comercial, ela viu oportunidade e criou coworking na saúde

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

Renata Turbiani

Colaboração para Universa

23/11/2020 04h00

Cássia Buratto, 36, começou a estudar acupuntura com 16 anos e, aos 18, montou o primeiro consultório, na cidade de Santo André, na Grande São Paulo. Na mesma época, entrou para o curso de farmácia, na Universidade Municipal de São Caetano do Sul.

Com o título de título de farmacêutica acupunturista, durante 12 anos ela atendeu os clientes no mesmo espaço, mas o aumento na procura e a consequente necessidade de facilitar o acesso à clientela a fizeram se mudar para o centro da cidade. Na procura, ela acabou sublocando a sala de um dentista, mas a experiência foi frustrante. "Tive diversos problemas por conta das regras que o proprietário criava e que só funcionavam pare ele. Também perdi clientes devido ao mal atendimento das recepcionistas", conta.

Para acabar com a dor de cabeça, em 2015, decidiu que era hora comprar seu próprio ponto comercial. A questão é que o escolhido, com 60 m², era grande demais para as suas necessidades - para ela bastaria uma sala. "Naquele momento, meu lado empreendedor se manifestou e vi ali uma oportunidade de negócio, que me ajudaria não apenas a pagar os custos, mas também se tornaria uma segunda fonte de renda", diz Cássia.

Investimento de R$ 60 mil na reforça e divulgação

Sua ideia foi dividir a área em três consultórios e colocar dois deles para locação, focando em profissionais de saúde e bem-estar, já alinhados com o serviço que ela mesma oferecia. Depois de comprar o imóvel, ela investiu R$ 60 mil para reforma, adequação, compra de mobiliário e divulgação, e lançou o coworking Buratto Consultórios.

No primeiro mês, ela conta que conquistou novos clientes e, em pouco tempo, passou a faturar entre R$ 10 mil e R$ 15 mil por mês. Quase três anos depois, para atender a alta demanda, montou a segunda unidade, também em Santo André. Ao mesmo tempo, foi procurada por uma holding de franquias interessada em transformar seu negócio em uma rede. "A proposta que apresentaram não me agradou e achei melhor seguir como estava", afirma.

Burato Consultórios - Divulgação - Divulgação
Sala de espera de uma das unidades da Burato Consultórios
Imagem: Divulgação

Em 2019, junto com um médico que até então locava suas salas, ela abriu o terceiro ponto, dessa vez no bairro do Ipiranga, na capital paulista. "Ali mudei o pensamento e percebi que o modelo de franquia funcionaria para mim. Comecei a estudar esse mercado, participei de vários eventos da ABF (Associação Brasileira de Franchising) e encontrei uma consultoria empresarial especializada para me ajudar a formatar a marca", acrescenta.

Em janeiro deste ano, Cássia iniciou o processo, finalizado em junho. Nem mesmo a pandemia do novo coronavírus atrapalhou seus planos. "Ao contrário de muitas empresas, que preferiram suspender ou segurar os investimentos, eu optei por seguir em frente. Entendi que meu negócio seria ainda mais relevante neste período, já que uma grande parcela dos profissionais da área médica teve de reduzir seus custos e entregar os imóveis que locavam por conta de dificuldades financeiras."

Ela diz que, em maio, a procura pelas salas aumentou em mais de 50%, na comparação com o mesmo período do ano passado, e que, atualmente, tem recebido uma média de cinco novos interessados por dia.

Meta de 10 unidades franqueadas em 2021

A primeira franquia da Buratto Consultórios foi inaugurada em agosto, em São Bernardo do Campo, também na Região Metropolitana, e, a segunda, neste mês, na Bela Vista, em São Paulo. A meta de expansão é chegar a 10 unidades franqueadas até o final de 2021. Por enquanto, o foco é o estado de São Paulo, mas ela já de olho em Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

Em 2019, Cássia registrou faturamento de R$ 520 mil, e, em 2021, a expectativa é que cada unidade tenha receita mensal de cerca de R$ 25 mil. Hoje, a rede tem dois modelos de negócios, o padrão (salas de no mínimo 60 m² e três consultórios), cujo investimento inicial é de R$ 119 mil, e o preumium (salas de 150 m² e oito consultórios), que tem investimento de R$ 203 mil. A taxa de franquia é de R$ 39 mil e, os royalties, de 7% sobre o faturamento bruto mensal.

Em todas as unidades, sejam elas próprias ou franqueadas, os profissionais fazem a locação por hora. Os valores variam entre R$ 40 e R$ 75 no consultório padrão e partem de R$ 100 no premium - o pacote mínimo para contratação é de uma hora por semana.

Além de oferecer infraestrutura completa para a realização dos atendimentos - os locatários precisam levar apenas seus equipamentos usuais e notebook -, a empresa dispõe de um sistema próprio de prontuário, receituário, agendamento e telemedicina, sem custo extra.

"Se tivessem de adquirir um programa parecido, eles pagariam cerca de R$ 300 por mês. Esse é um grande diferencial do nosso negócio, junto com a possibilidade de transitar entre todas as unidades, realizando as consultas conforme a agenda", destaca a empresária, adiantando que, no ano que vem, planeja expandir os atrativos.

Uma de suas ideias é realizar, nas unidades premium, palestras mensais gratuitas com temas de interesse da área médica, por exemplo, marketing digital, para alavancar os atendimentos, e direito médico. "O objetivo é agregar valor aos serviços que prestamos, fortalecer a rede e despertar cada vez mais o interesse dos profissionais da saúde, para que eles queiram continuar conosco", diz ela.

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