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Mãe e filha formam primeira equipe de pilotas em companhia aérea dos EUA

Em abril do ano passado, Donna ingressou na companhia aérea que a mãe trabalha - Reprodução
Em abril do ano passado, Donna ingressou na companhia aérea que a mãe trabalha Imagem: Reprodução

De Universa, em São Paulo

19/11/2020 12h25

Donna Garrett cresceu em Los Angeles e nunca achou estranho que a sua mãe, Suzy, fosse pilota de avião, assim como o pai dela. Porém, neste momento, Suzy era uma das primeiras mulheres a pilotar na SkyWest, companhia áerea regional dos EUA.

Quando Donna cresceu, ela notou que gostaria de explorar o mundo e ter a mesma profissão dos pais. A jovem estudou em duas escolas de voo no sul da Califórnia e terminou o treinamento em Michigan. Depois ela aumentou as horas de voo atuando em empresas menores como a Scenic Airlines. Em abril do ano passado, Donna ingressou na empresa que a mãe trabalha.

Então, a dupla operou um avião junto sendo a primeira equipe de pilotas, e de mãe e filha, a fazer esse trabalho na SkyWest. O voo aconteceu em setembro de 2019, mas o caso viralizou recentemente após a dupla publicar uma foto nas redes sociais dentro da cabine do avião CRJ700 que sobrevoou Los Angeles, Califórnia, San Diego, Califórnia, Fresno, Salt Lake City, e Utah.

"Fiquei realmente surpresa — tão surpresa quanto agora que se tornou viral [o caso] — mas mesmo naquele dia [do voo], eu não tinha tirado tanta foto minha desde meu casamento! Passageiros tirando fotos conosco, comissários de bordo. Isso apenas ajudou a tornar o dia ainda mais especial, o apoio foi realmente maravilhoso", contou Donna ao site da CNN Internacional.

A dupla de mãe e filha gostaria de repetir os voos em família este ano, mas foram impedidas em razão da pandemia do novo coronavírus. Atualmente, Donna está em Chicago e Suzy em Los Angeles, e seguem afastadas devido a covid-19.

Mulheres na Aviação

Suzy começou o trabalho na SkyWest em 1989. O sonho de ser pilota nasceu quando ela se apaixonou por viagens ainda quando estava na escola e fez sua segunda viagem da vida que partiu do Arizona para Los Angeles. Mesmo assim, ainda não era claro como ela poderia atuar na área.

"Naquela época, as mulheres não eram pilotas de verdade, e basicamente ser militar era a única maneira de me tornar uma, mas eu não era alta o suficiente para os militares", conta Suzy que tem 1,55 metro.

Em 1984, ela se matriculou na escola de aviação Mount San Antonio College, na Califórnia e, posteriormente, atuou como instrutora de voo por alguns anos até conseguir seu emprego na SkyWest.

Suzy contou que nunca foi discriminada por ser mulher dentro da cabine de pilota e acha que sempre teve "a mesma quantidade de oportunidades" dos colegas de profissão do sexo masculino. Ela ainda explica que só lidou com olhares diferentes de passageiros que ficam surpresos ao darem conta que ela foi quem pousou a aeronave.

Donna contou que ter a mãe como exemplo inspirou a ela e a muitas outras mulheres que desejam ser pilotas.

"Eu cresci vendo-a [Suzy] nesse papel, e só quando eu estava muito mais velha, e realmente perseguindo essa carreira eu mesma, percebi como sua posição é rara neste campo e o que ela estava fazendo em sua época foi muito impressionante. Ter garotas mais jovens vendo mulheres lá em cima na cabine fazendo isso é aquele tipo de momento que vai inspirar as mulheres a perseguirem algo que talvez nunca tenham pensado ser uma possibilidade para elas", diz Donna.

Agora mãe e filha esperam ansiosas para o momento que o filho de Suzy, que também é piloto recém-formado, trabalhe com a dupla já que a contratação dele na SkyWest seria no início do ano, mas foi cancelada devido à pandemia.