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Direitos da mulher

Gloria Steinem celebra Kamala Harris e ganha filme com Julianne Moore

Gloria Steinem, uma das mais importantes vozes do movimento feminista dos anos 1960 e 1970 - Divulgação
Gloria Steinem, uma das mais importantes vozes do movimento feminista dos anos 1960 e 1970 Imagem: Divulgação

Fernanda Ezabella

Colaboração para Universa de Los Angeles

19/11/2020 04h00

Gloria Steinem, uma das mais importantes vozes do movimento feminista dos anos 1960 e 1970, celebrou a eleição de Kamala Harris como vice-presidente dos Estados Unidos, mas lembrou que se trata de um avanço tardio e apenas um começo.

"Finalmente, vamos começar a ver como seria se usássemos todo o talento do país, em vez de apenas 20%", disse a ativista americana de 86 anos, em edição virtual do TED Women, versão da famosa série de palestras focada apenas em mulheres, na semana passada.

"Devemos comemorar e dizer: 'Finalmente!' Mas devemos olhar para frente, e não ser gratas por apenas um avanço. É maluco demais ter levado tanto tempo. Olha só quantos talentos perdemos."

A vida e obra de Gloria chegaram aos cinemas americanos no mês passado com o filme "The Glorias", baseado em seu livro de memórias "My Life on the Road" (2015) e com estreia no festival de Sundance. O filme está disponível no Amazon Prime.

No longa, quatro atrizes interpretam a ativista, jornalista e cofundadora da revista "Ms.", desde criança ao lado dos pais que viviam na estrada e também quando adolescente cuidando da mãe doente e sonhando em ser dançarina de sapateado.

Julianne Moore vive Gloria adulta, enquanto Alicia Vikander interpreta a ativista a partir dos 20 anos, quando passa dois anos na Índia conhecendo a realidade de mulheres pobres e depois volta para trabalhar como jornalista em Nova York. Desiludida com a falta de interesse na publicação de histórias sobre o levante feminista, ela cai na estrada para espalhar o movimento.

"Somos mais unidas que qualquer outro movimento"

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Desde a juventude, Gloria Steinem luta pelos direitos das mulheres
Imagem: divulgação

Ao seu lado nas palestras e protestos pelo país, estão duas ativistas negras importantes para o feminismo da época: primeiro Dorothy Pitman Hughes (interpretada por Janelle Monáe) e depois Florynce Kennedy (Lorraine Toussaint). O filme também traz ativistas latinas e indígenas para mostrar a pluralidade do movimento, criticado recentemente pelo domínio de mulheres brancas.

"Eu lamento a ênfase que dão às divisões do movimento porque somos mais unidas do que qualquer outro movimento na história. Acho que devemos comemorar esse fato", disse Gloria no TED Women ao ser questionada sobre a tensão entre líderes feministas negras e brancas.

"Mais de 90% das mulheres negras apoiavam o movimento, enquanto entre as brancas [o apoio] era perto dos 50%", disse, citando a primeira pesquisa de opinião pública que se fez sobre o "movimento de libertação das mulheres", como era chamado na época. "Temos que continuar explicando e apontando para a realidade. E esperar que a realidade, eventualmente, supere a imagem."

"Nosso trabalho é tornar mulheres ingratas"

No evento virtual, ela respondeu perguntas das participantes, como o que fazer para a nova geração ser grata pelo trabalho anterior das feministas.

"Nosso trabalho não é fazer com que nossas filhas sejam gratas, e sim torná-las ingratas", disse. "Elas precisam ver o que não é justo, quanto dinheiro a mais os homens ganham e quanto tempo eles passam cuidando de seus filhos. É uma diferença enorme. Elas precisam considerar por que não é tão seguro para elas andar nas ruas quanto é para eles."

Gloria acredita que há uma razão pela qual as mulheres se tornam mais radicais com a idade e aposta que um exército de mulheres de cabelos grisalhos, ou que escondem seus cabelos grisalhos, ainda vai dominar o planeta.

"De modo geral, somos mais conservadoras quando jovens, mas ficamos mais radicais com a idade porque vemos como funciona a política da vida", disse.

Em tempos de coronavírus, a ativista conta que anda sonhando com uma semana sem reuniões no Zoom para poder voltar a trabalhar em dois livros que precisa entregar. "Eu ainda escrevo com caneta e papel", afirmou.

"Sinto o senso de comunidade e espero que a tecnologia continue nos ajudando. Mas eu espero ansiosa pelo dia em que possamos nos reunir novamente com todos os nossos cinco sentidos. É algo essencial para termos uma empatia verdadeira."

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