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Até uma Miss Brasil mudou a rotina de beleza durante a pandemia

A Miss Brasil 2016, Raissa Santana - Reprodução/Instagram
A Miss Brasil 2016, Raissa Santana Imagem: Reprodução/Instagram

Julia Flores

De Universa

04/11/2020 04h00

Atire a primeira pedra quem não aproveitou a quarentena para rever a maneira como lidava com a própria aparência. Teve gente que deixou de lado a maquiagem, parou de fazer a sobrancelha, libertou as raízes brancas. Já outras, com tempo livre e dentro de casa, passaram a se dedicar ainda mais aos rituais de beleza, deixando pele e cabelo entrarem em foco. De qual time você faz parte?

A Miss Brasil 2016, Raissa Santana, faz parte do time que passou o isolamento de máscara facial e vinho na mão. "Desde que eu venci o concurso, mudou muita coisa, inclusive a minha rotina de beleza. Agora na pandemia, então, parei pra olhar mais pra mim e me cuidar. Adoro fazer o meu momento de skin care", disse Raissa em entrevista para Universa. "Vejo a maquiagem como uma terapia: quando não estou legal, eu paro aqui e fico horas me maquiando. Mas sem neura também."

Adepta de uma rotina de cuidados com a pele, ela conta que se dedica a ela ao se levantar e antes de dormir. "Quando acordo eu lavo o rosto e passo protetor solar, que é sagrado para mim. Depois, eu uso algum hidratante, mas não passo muitos produtos. À noite, eu aplico no rosto um demaquilante e passo um hidratante mais pesado."

Um bom creme corporal, hidrante labial e perfume são produtos que não faltam na prateleira de Raíssa, que é uma das estrelas da campanha da nova fragrância da marca de cosméticos Eudora, Lyra, ao lado de Rafa Kalimann, Isabella Fiorentino e Rayza Nicácio.

Coroando uma miss negra

A campanha do perfume, cuja embalagem remete a uma joia, convida as mulheres a refletirem sobre seus momentos importantes. Para Raissa, o momento mais inesquecível de sua vida, é claro, foi em 2016.

"Ganhar o concurso foi um marco na minha vida. Provei pra mim mesma que era capaz. Junto com isso veio também a questão da representatividade, a importância de uma mulher negra assumir o posto de mais bonita do Brasil depois de 30 anos", disse.

No ano em que Raissa foi eleita Miss Brasil, o debate racial estava começando a ganhar novo fôlego e, para ela, a sua vitória teve "uma parcelinha" na mudança do jogo: "As meninas começaram a se inspirar mais. Acho que foi um momento muito bom. No ano seguinte, eu passei a coroa para outra mulher negra. E isso foi um marco, nunca tinha acontecido. Hoje estamos vivendo isso cada vez mais. Ouvir de uma menina negra 'eu me sinto representada com você aí' não tem preço", conta.

Se hoje é possível encontrar facilmente marcas como Fenty Beauty, que enaltecem e produzem cada vez mais cosméticos para a pele negra, Raissa lembra que no passado não era assim. "Demorou para acontecer, mas é uma mudança positiva. A gente não pode ser representada só nas campanhas, é importante ter representatividade nos produtos também", afirma a modelo que, no passado, por falta de produtos adequados para a pele, misturava bases para alcançar o próprio subtom.

Beleza sem neura

Para Universa, Raíssa define-se como alguém que gosto de se cuidar, mas sem muita neura. "Trabalhar em um meio como o da moda, em que existem tantas cobranças estéticas, é difícil. Eu entrei na neura de que eu tinha que estar sempre perfeita. Mas de um tempo para cá eu me aceitei mais", afirma.

Ela conta que agora respeita melhor seu próprio corpo. "Entendi que eu sou uma mulher brasileira com curvas e está tudo bem. Não fico mais tentando me encaixar no padrão de mulher magra sem curvas, porque não é quem eu sou. Agora estou muito mais feliz, parei de fazer dietas e loucuras para chegar em um corpo que não é o da minha genética."

Para a miss que segue rompendo estigmas desde 2016, o processo de autoaceitação é individual e doloroso, mesmo para a mulher que foi eleita a mais bela do país. "Precisamos entender que a sociedade não vai mudar tão cedo. Esses padrões estão impostos há muito tempo e a gente precisa lutar cada vez mais contra eles, mas ao mesmo tempo é uma questão individual", diz ela.

"Precisamos nos aceitar. E as marcas precisam mudar esses padrões, porque quando a gente se vê em algum lugar, fica muito mais fácil passar por esse processo. Eu, enquanto uma mulher negra, nunca me vi em vários lugares, e para uma mulher gorda também é complicado", diz.

Quer falar mais de autoaceitação? Nesta quarta-feira, Universa promove a terceira edição do Universa Talks e reúne importantes nomes para debater a valorização de todos os corpos femininos e autoestima da mulher brasileira.

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