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Anos de militância e vivência no futebol feminino: as mulheres-chave da CBF

A técnica da seleção feminina, Pia Sundhage, ao lado das coordenadoras Duda Luizelli e Aline Pellegrino durante treino na Granja Comary - Thais Magalhães/CBF
A técnica da seleção feminina, Pia Sundhage, ao lado das coordenadoras Duda Luizelli e Aline Pellegrino durante treino na Granja Comary Imagem: Thais Magalhães/CBF

Juliana Arreguy

De Universa, em São Paulo

15/10/2020 04h00

A duração de um ciclo olímpico é de quatro anos. Mais do que separar uma Olimpíada de sua edição seguinte, o tempo entre os eventos é apontado momento de evolução no esporte. De 2016 para cá, duas ex-jogadoras de futebol feminino viveram um ciclo no bastidor administrativo e chegaram à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para promover o crescimento da modalidade. Aline Pellegrino e Duda Luizelli assumiram, em setembro, a coordenadoria do futebol delas e pedem, mais do que calma, tempo para trabalhar mudanças.

"Entendo que mais importante do que em quanto tempo iremos realizar [mudanças], é que todos os passos sejam sólidos. E, consequentemente, as conquistas em todos os cenários virão", explicou Aline Pellegrino em entrevista à Universa.

Desde que o futebol feminino deixou de ser proibido no país, em 1979, a CBF nunca tinha abraçado a ideia de manter mulheres em altos cargos de gestão ligados à modalidade. Aline e Duda romperam o ciclo.

"Eu, particularmente, me senti muito feliz porque são anos militando, por assim dizer, no futebol feminino. Mais de 30 anos. Acho que a CBF optou pela experiência de quem já viveu a modalidade desde o início até os dias de hoje. É um novo momento e me sinto feliz por fazer parte dele", declarou Duda Luizelli à reportagem.

Trajetórias convergentes

pelle - Divulgação - Divulgação
Aline Pellegrino foi coordenadora de futebol feminino da Federação Paulista entre 2016 e 2020
Imagem: Divulgação

Aline chegou na FPF (Federação Paulista de Futebol) para ser coordenadora do feminino em 2016, mesmo ano em que Duda foi contratada como diretora da modalidade no Internacional. Nos últimos quatro anos, ambas atraíram holofotes pelas atuações em suas respectivas praças e, no início de setembro de 2020, foram apresentadas na CBF: Aline como coordenadora de competições, encarregada do futebol nacional, e Duda como coordenadora das seleções femininas.

Vivemos um momento de avanços e de demandas que são da nossa sociedade, e o futebol está inserido nesse contexto. Falamos muito em abrir portas, oportunizar a capacitação, criar mecanismos, e enxergo que a minha chegada aqui é fruto desses fatores
Aline Pellegrino

Após a aposentadoria em campo, Aline quase trocou o futebol pelo ramo imobiliário. Em 2013, atuando como corretora, a ex-capitã da seleção e detentora de duas medalhas de prata em Jogos Olímpicos (Pequim-2008 e Londres-2012) declarou ao UOL que não via possibilidade de voltar a trabalhar com o esporte.

Voltei pelo amor ao futebol, pela minha história com o esporte, e de tantas meninas e mulheres que merecem ser reconhecidas e ter oportunidade de fazer o que amam
Aline Pellegrino

A decisão a colocou na trilha dos bastidores. À frente da FPF, capitalizou a modalidade: encontrou parcerias, promoveu vídeos de competições, palestras, premiações e criou uma peneira coletiva que serviu a todos os clubes federados.

Chegou na CBF como a primeira mulher negra a assumir um cargo executivo na entidade.

Os avanços estão acontecendo e há esse olhar da CBF
Aline Pellegrino

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Duda Luizelli foi jogadora e coordenadora de futebol feminino do Internacional
Imagem: Mariana Capra/Internacional

Uma geração à frente de Aline, Duda Luizelli também passou pela seleção brasileira e foi a primeira mulher gaúcha a jogar em uma equipe no exterior. Quando retornou ao Brasil, na década de 1990, abriu uma escola de futebol para garotas.

A preocupação com a formação de atletas, que marcou sua trajetória como coordenadora no Inter, visa o mesmo caminho na CBF. E é fruto da experiência que viveu, aos 14 anos, já jogando entre adultas pela falta de torneios adequados à idade.

Hoje, ao contrário, as meninas com 14 anos já têm a oportunidade de jogar um Campeonato Brasileiro sub-16, sub-18, Libertadores sub-16, ainda tem o Mundial, na Disney. Tem uma experiência muito grande aí que as meninas podem desenvolver e que é o novo momento do futebol feminino
Duda Luizelli

Questionada sobre os planos para a base, Duda mencionou que um de seus projetos consiste em organizar uma categoria sub-15 para a seleção feminina. Atualmente, o Brasil conta com equipes sub-20 e sub-17, além da seleção principal. Já no masculino, existem cinco categorias (sub-15, sub-17, sub-20, sub-23 e principal), além de duas equipes de transição (sub-16 e sub-18).

O futuro é delas

Os planos para o futuro da modalidade são de comum acordo. Tanto Duda quanto Aline trabalham pela capacitação de mulheres no futebol e defendem maior atuação feminina no esporte.

Elas destacaram que pretendem realizar trabalhos nos clubes e reunir profissionais nas áreas médica, física, mental e técnica, além de oferecer descontos em cursos da própria CBF voltados à modalidade.

As meninas têm que ser cada vez mais profissionais, e terem mais profissionais cuidando delas, para que o Brasil, realmente, seja um dos melhores do mundo
Duda Luizelli

No entanto, para que o próximo ciclo olímpico seja cumprido com louvor, a prioridade durante a pandemia de covid-19 é manter a bola nos pés.

A gente deve continuar com os calendários, com os jogos, e com as datas Fifa, e que as seleções femininas, tanto de base quanto a principal, sigam treinando e jogando
Duda Luizelli

É o futebol feminino mostrando uma maturidade importante em um momento tão difícil para toda cadeia do futebol
Aline Pellegrino

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