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Violência contra a mulher

Polícia: Ex tinha acordo extrajudicial com PM 'influencer' que foi morta

A PM Sylvia Rafaella Gonçalves foi assassinada em casa - Reprodução/Instagram
A PM Sylvia Rafaella Gonçalves foi assassinada em casa Imagem: Reprodução/Instagram

Alexandre Santos

Colaboração para Universa, em Salvador (BA)

07/10/2020 20h22

Mesmo sob determinação judicial que o impedia de se aproximar da ex-esposa, a policial militar Sylvia Rafaella Gonçalves, 38, o também soldado PM Edson Salvador Ferreira de Carvalho, 33, vinha visitando a filha nos últimos dias, após um acordo extraoficial que teria feito com a vítima. A menina, de 3 anos, vivia na mesma casa onde a mãe foi assassinada, em Ibotirama, no oeste da Bahia. Sylvia também morava com a filha mais velha, de 12 anos, fruto de outro relacionamento. Edson é o principal suspeito do crime.

Ao UOL, a Polícia Civil informou hoje que o suspeito passou a ver a filha com autorização da ex-esposa, de quem estava separado havia cerca de três meses. Não é possível afirmar, porém, que ele tenha premeditado o crime tendo como pretexto o dia de visita supostamente acordado.

Segundo investigação policial, na tarde de segunda-feira (5), por volta das 12h30, Edson entrou na residência, atirou em Sylvia Rafaella e, na sequência, cometeu suicídio.

O delegado Genivaldo Rodrigues, responsável pela investigação, informou que a arma encontrada ao lado do corpo de Edson era a mesma com a qual ele trabalhava — a PM da Bahia utiliza pistolas da marca Glock, calibre 40. A arma está sendo periciada.

O delegado disse, no entanto, que só divulgará mais detalhes sobre o caso quando ouvir todas as possíveis testemunhas e pessoas próximas ao casal.

Edson atuava como soldado na Cipe (Companhia Independente de Policiamento Especializado) Cerrado. Já Sylvia Rafaella trabalhava na 28ª CIPM (Companhia Independente de Polícia) em Ibotirama.

Suspeita de feminicídio

Ontem, a Polícia Civil havia confirmado ao UOL que a principal linha de investigação da morte de Sylvia Rafaellla aponta para o crime de feminicídio, já que Edson não aceitava o fim do relacionamento com a vítima. Por causa de uma agressão sofrida em julho, a policial solicitou uma medida protetiva de urgência contra o ex-marido.

A filha mais velha de Sylvia Rafaella também estava na residência no momento do crime. A polícia apura se as meninas, que viviam com a mãe, presenciaram a PM ser morta e o suposto suicídio do pai. Depois do episódio, as crianças foram para casa dos avós maternos.

De acordo com o delegado Genivaldo Rodrigues, após o rompimento com Sylvia Rafaella, Edson estaria pleiteando a guarda das filhas e, por isso, tentava se reaproximar da ex-mulher. A moto dele foi encontrada na garagem da residência da vítima.

Separação em julho e suposta agressão

Sob condição de anonimato, pessoas próximas a Sylvia Rafaella relataram ao UOL que o casal estava separado desde julho deste ano. Segundo eles, o rompimento teria ocorrido porque Edson a agrediu fisicamente.

Por causa da agressão, o policial chegou a ser preso em flagrante, mas logo passou a responder em liberdade e sob determinação de manter-se afastado da ex-mulher, conforme medida protetiva prevista na Lei Maria da Penha.

"Estávamos sempre conversando. Ele a agredia e da última vez a espancou na frente das meninas. Ela o denunciou, mas, por ser militar, ele estava fora da cadeia em 24h", contou um amigo de infância da vítima.

Policial e digital influencer

Apaixonada pela profissão, Sylvia Rafaella mantinha uma conta no Instagram na qual falava com orgulho sobre a atividade policial. Com mais de 87 mil seguidores, a soldado publicava vídeos e fotos de sua rotina no combate ao crime, como o patrulhamento do dia a dia e treinamentos de tiro.

Nas postagens, ela também compartilhava dicas de estudos para concursos públicos da PM e incentivava outras mulheres a ingressarem na corporação.

Em uma publicação do dia 8 de abril, Sylvia Rafaella chamou atenção para o aumento de casos de violência contra a mulher durante a pandemia de covid-19.

"Às vezes, a vítima não pode falar abertamente. Por causa do isolamento em decorrência da pandemia, a violência contra a mulher aumentou! Denunciem", escreveu ela.

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