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Delegado suspeita que soldado matou PM 'influencer'; filhas estavam na casa

A PM Sylvia Rafaella Gonçalves foi assassinada em casa - Reprodução/Instagram
A PM Sylvia Rafaella Gonçalves foi assassinada em casa Imagem: Reprodução/Instagram

Alexandre Santos

Colaboração para Universa, em Salvador

06/10/2020 19h10

A principal linha de investigação da morte da policial militar Sylvia Rafaella Gonçalves, 38, assassinada a tiros na tarde de ontem em Ibotirama, no oeste da Bahia, aponta para o crime de feminicídio, já que o suposto autor do crime, o também policial militar Edson Salvador Ferreira de Carvalho, 33, não aceitava o fim do relacionamento com a vítima. Alvo de uma medida protetiva após agredi-la há cerca de três meses, Edson teria cometido suicídio em seguida.

A informação foi confirmada ao UOL pela assessoria da Polícia Civil na tarde de hoje. O delegado Genivaldo Rodrigues afirmou que ouviria possíveis testemunhas do caso, dentre as quais uma pessoa que diz ter ouvido disparos de arma de fogo na casa de Sylvia Rafaella. Rodrigues disse que não poderia passar mais detalhes para não prejudicar a investigação.

As duas filhas de Sylvia Rafaella, de 3 e 12 anos, estavam na residência no momento do crime — a mais nova, fruto da união com Edson. A polícia apura se as meninas, que viviam com a mãe, presenciaram a PM ser morta e o suposto suicídio do pai. Depois do episódio, as crianças foram para casa dos avós maternos.

De acordo com o delegado Genivaldo Rodrigues, após o rompimento com Sylvia Rafaella, Edson estaria pleiteando a guarda das filhas e, por isso, tentava se reaproximar da ex-mulher. A moto dele foi encontrada na garagem da residência da vítima. A polícia, no entanto, investiga se a policial o permitiu entrar no imóvel ou se Edson já tinha chaves para acessar o local.

Não foram divulgados detalhes sobre a arma utilizada no crime.

Edson atuava como soldado na Cipe (Companhia Independente de Policiamento Especializado) Cerrado. Já Sylvia Rafaella trabalhava na 28ª CIPM (Companhia Independente de Polícia) em Ibotirama. O corpo dela foi sepultado por volta das 10h de hoje no cemitério Santa Luzia, na cidade de Bom Jesus da Lapa.

Separação em julho e suposta agressão

Sob condição de anonimato, pessoas próximas a Sylvia Rafaella relataram ao UOL que o casal estava separado desde julho deste ano. Segundo eles, o rompimento teria ocorrido porque Edson a agrediu fisicamente.

Por causa da agressão, o policial chegou a ser preso em flagrante, mas logo passou a responder em liberdade e sob determinação de manter-se afastado da ex-mulher, conforme medida protetiva prevista na Lei Maria da Penha.

"Estávamos sempre conversando. Ele a agredia e da última vez a espancou na frente das meninas. Ela o denunciou, mas, por ser militar, ele estava fora da cadeia em 24h", contou um amigo de infância da vítima.

Policial e digital influencer

Apaixonada pela profissão, Sylvia Rafaella mantinha uma conta no Instagram na qual falava com orgulho sobre a atividade policial. Com mais de 87 mil seguidores, a soldado publicava vídeos e fotos de sua rotina no combate ao crime, como o patrulhamento do dia a dia e treinamentos de tiro.

Nas postagens, ela também compartilhava dicas de estudos para concursos públicos da PM e incentivava outras mulheres a ingressarem na corporação.

Em uma publicação do dia 8 de abril, Sylvia Rafaella chamou atenção para o aumento de casos de violência contra a mulher durante a pandemia de covid-19.

"Às vezes, a vítima não pode falar abertamente. Por causa do isolamento em decorrência da pandemia, a violência contra a mulher aumentou! Denunciem", escreveu ela.