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6 verdades cruéis que vão melhorar sua vida sexual

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

30/09/2020 04h00

Para ter uma vida sexual ativa, saudável e prazerosa, é preciso antes abrir mão de certas concepções idealizadas e/ou deturpadas que permeiam o assunto. Ao se livrar dessas ideias, com algumas verdades nuas e cruas, provavelmente o sexo vai ser muito melhor.

Com ajuda de especialistas, Universa listou 6 afirmações que podem melhorar sua vida sexual.

1. Seu orgasmo é sua responsabilidade e não do par
Sexo é troca: ambos precisam proporcionar e receber prazer. No entanto, pelo ranço conservador e machista que ainda paira na sociedade, algumas mulheres não conseguem dizer o que gostam ou não na cama. Com isso vem a frustração, pois esperam que os parceiros adivinhem o que desejam. E não é só isso: por não serem culturalmente encorajadas a explorar a própria sexualidade, ao contrário do que ocorre com os homens desde a infância, muitas desconhecem a própria anatomia - e como são e funcionam os órgãos genitais. Só que aprender a se tocar e a se sentir não tem idade: a masturbação é uma ferramenta importante para o autoconhecimento e para a compreensão de como o corpo reage aos estímulos. Esse entendimento permite mostrar as preferências ao parceiro e, assim, obter mais prazer e mais chances de atingir o clímax.

2. Transar com luz apagada não fará com que aceite o próprio corpo
Há quem prefira manter o abajur desligado para que o parceiro não note "imperfeições" como celulite, cicatrizes ou estrias. Com a luz apagada, algumas mulheres sentem mais sensuais e conseguem se soltar mais. Será, mesmo? Ou, mesmo que na penumbra, permitem que a ansiedade em relação à forma física domine a cena e tire toda a espontaneidade da situação? E pior: ignoram que o parceiro, à essa altura, está mais concentrado no contato pele com pele, no suor, nos gemidos, nos movimentos - e que achariam, sim, muito sexy ver cada pedacinho do corpo delas. A real é que TODO corpo é apto a dar e receber prazer, independentemente da história que carrega. A autoceitação não é um processo fácil, ainda mais envolvendo a nudez, mas dar o primeiro passo rumo a ela é fundamental, principalmente para ter sexo bom.

3. Ninguém é "bom de cama"
Durante muito tempo as mulheres foram influenciadas pela ideia vendida por livros, filmes e revistas de que ao dominar certas técnicas, topar algumas práticas e realizar determinados movimentos na hora do sexo deixariam qualquer homem aos seus pés. Todas essas artimanhas, é claro, visavam apenas o tesão masculino. Com a quarta onda do feminismo, o prazer feminino voltou aos holofotes, às discussões e, felizmente, à valorização. No entanto, longa-metragens como "Cinquenta Tons de Cinza" e "365 DNI" tentam inverter a lógica através de cenas que flertam com as produções pornô e provar que garanhões cheios de testosterona e fetiches são capazes de render até a mais difícil das "fêmeas". A grande verdade é que, na vida real, não dá para dizer que alguém é "bom de cama". Primeiro, porque uma pessoa pode ter uma química intensa com um parceiro e não com outro. Segundo: até mesmo os casais com uma rotina sexual incrível têm seus dias de transar bem "mais ou menos". E, terceiro, porque vários fatores influenciam o sexo: hormônios, estresse, dia da semana, conexão com o parceiro, tempo de relacionamento, momento de vida ou da relação. Tire esse conceito opressor da cabeça, de vez.

4. O que você pensa interfere no seu prazer
Ainda hoje a mulher sofre as consequências de séculos e séculos de uma cultura patriarcal que determina como ela deve ser na cama, em sociedade, em uma relação. Má notícia: ainda há um longo caminho pela frente para isso acabar. Os movimentos de extrema direita estão aí para, com suas críticas e conceitos ultrapassados, tentar impedir as mulheres de viverem sua sexualidade de forma plena. Boa notícia: cabe a você, por si mesma, ir se despindo de ideias que envolvem a sua cabeça de uma culpa inútil, como a de que mulher que faz sexo casual é vadia ou que alimentar certas fantasias é coisa de quem não quer ser levada a sério. Você não é obrigada a acatar como verdade o que as vozes - dos pais, da professora da infância, do ex machista, de líderes religiosos - que você ouve na sua mente. Elas não lhe pertecem.

5. Atrair boy lixo não é azar, é escolha
Sim, é comum que qualquer mulher, ao longo da vida, se depare com um lobo em pele de cordeiro e se machuque com isso. Porém, engatar um relacionamento atrás do outro com homens do tipo parasitas, infiéis crônicos, ciumentos patalógicos, imaturos, machistas, bad boys e dependentes, entre outras características, denota um padrão. E a responsabilidade por se envolver com parceiros assim é totalmente sua. Vale a pena se dedicar a um exercício sincero de autoconhecimento e checar se suas escolhas amorosas não vêm sendo pautadas por carência, baixa autoestima, medo de ficar sozinha, relacionamentos tóxicos aprendidos na infância e até vontade de se sentir "dona da relação" ou de experimentar um sexo diferente, com mais emoção do que a vivida com caras não problemáticos ou "bonzinhos".

6. O orgasmo é superestimado
Nem toda transa vai terminar em orgasmo - e nenhuma mulher precisa se sentir mal por causa disso. Às vezes, a vontade é imensa, mas o corpo não acompanha o pensamento. E, em outros casos, ocorre o contrário. Passar o tempo todo da experiência com a expectativa se vai gozar ou não gera uma ansiedade prejudicial, que afeta o prazer proporcionado pelas preliminares, pelos beijos, pelas carícias. Essa pressão torna um momento que pode ser muito gostoso - mesmo sem atingir o clímax - sem graça. Busque relaxar.

Fontes consultadas: Fernanda Pauliv, consultora e palestrante de sensualidade, de Curitiba (PR); Gabriela Daltro, psicóloga e sexóloga da plataforma Sexo sem Dúvida; Luciano Passianotto, psicoterapeuta e terapeuta de casal, de São Paulo (SP); Mara Lúcia Madureira, psicóloga especializada em TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental), de São José do Rio Preto (SP); Raquel Fernandes Marques, psicóloga da Clínica Anime, de São Paulo (SP), e Rosely Salino, psicóloga, sexóloga e terapeuta de casal de São Paulo (SP)

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