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Após alerta do marido, Rafa Brites reduziu o uso do celular. Use suas dicas

Rafa Brites propõe relação mais saudável com as redes sociais  - Reprodução/Instagram
Rafa Brites propõe relação mais saudável com as redes sociais Imagem: Reprodução/Instagram

Mariana Toledo

De Universa

15/09/2020 04h00

Na noite do último domingo (13), a influenciadora e apresentadora Rafa Brites postou um vídeo em seu IGTV em que faz um alerta sobre como as redes sociais são capazes de nos manipular e nos instigar a ficar conectado em 100% do tempo. O material dá início a uma série de vídeos que Rafa, que faz pós-graduação em Neurociência e Comportamento, fará em seu perfil, a fim de propor um debate sobre o uso do celular. A ideia é abordar temas como notificações do celular e filtros do Instagram, por exemplo.

"No começo da quarentena, eu e o Felipe (Andreoli, marido de Rafa) tivemos uma conversa séria. Volta e meia sentamos para conversar e dar feedbacks um para o outro sobre coisas que não estão legais e, dessa vez, ele falou que eu estava exagerando no uso do celular. Minha primeira reação foi dizer que eu só passava tanto tempo online por causa do trabalho. Mas aquilo fez a gente começar a entender como dar limites ao vício", contou para Universa.

A influenciadora, que disse ter percebido na hora como essa desculpa do "estou trabalhando" é comum hoje em dia. "Como passamos muito tempo checando nossos e-mails e atualizando nossa agenda, é fácil falar que o uso excessivo do aparelho é profissional. Mas, ainda que seja: se o trabalho faz a gente ficar tanto tempo ocupada com essas pendências, é hora de rever seu papel na nossa escala de valor e de prioridades", completa.

Notificação ativada = ansiedade constante

Mesmo antes desse papo com o marido, Rafa já era contra o uso de notificações - aqueles alertas que pipocam na tela quando chega uma nova mensagem ou quando recebemos um like na última foto que postamos no Instagram, por exemplo. "É a primeira coisa que eu desativo assim que troco de aparelho ou baixo um app novo", garante. "Eu não entendia o que as notificações causavam nas pessoas até perceber como elas influenciavam o dia a dia da minha equipe de trabalho, que ficava o tempo todo dizendo 'Nossa, você viu o que aconteceu?' e, quando eu ia checar, não fazia nem um minuto que a notícia tinha saído. Aí dei esse conselho para todos", acrescenta.

Raissa Rangel, psicóloga clínica pós-graduada em terapia comportamental pela USP, explica que as notificações interferem diretamente no nosso FOMO (Fear Of Missing Out), isto é, aquela sensação de que estamos perdendo alguma coisa: "Nessa era imediatista em que vivemos, não saber de alguma novidade pode nos trazer a sensação de que estamos coisas importantes, que estamos ficando para trás, e dessa forma não seremos parte daquilo. E isso pode causar grande ansiedade principalmente entre os mais jovens, que ainda têm muito presente a necessidade de pertencimento a grupos".

Raissa ressalta ainda que, quando deixamos as notificações do celular ativadas e mantemos o costume de checar do que se trata assim que o telefone apita, significa que estamos atrás de uma espécie de recompensa. Por exemplo: se você posta uma foto no Instagram, logo fica esperando likes e comentários. Se eles chegam, você se sente recompensado e feliz. "As redes sociais são um dos principais meios de interação que temos e a atenção social é uma das recompensas mais gratificantes que podemos ganhar. Por isso é tão viciante", diz a psicóloga.

Por outro lado, além de causarem uma boa sensação - no caso de um like em uma selfie recém-postada - as notificações - ou melhor, a falta delas, podem causar o efeito contrário. "Se você está no aguardo do retorno de uma mensagem e ele não chega, não receber essa notificação pode causar tristeza, desânimo e frustração. Como pontuei, estamos vivendo uma era imediatista, então poucos minutos sem receber uma notificação nova são suficientes para gerar sentimentos ruins nas pessoas", declara Raissa. A profissional acrescenta ainda que, no dia a dia, as notificações têm efeitos ainda mais graves, como atrapalhar nosso sono - já que a maioria das pessoas dorme com o celular próximo da cama e pode despertar assim que chegar um novo alerta - e interferir negativamente no nosso rendimento de estudos e trabalhos, uma vez que a pessoa que fica ligada nas notificações vai parar o que está fazendo e checar do que se trata assim que a tela do celular piscar. No convívio social, o resultado também é nocivo, porque faz com que a pessoa não fique totalmente envolvida nas conversas com amigos e jantares em família, por exemplo.

E aí, como se livrar do vício?

Nesse processo de buscar uma relação mais saudável com as redes sociais, Rafa Brites desenvolveu algumas estratégias. A primeira delas é evitar ao máximo ter conversas de trabalho no WhatsApp pessoal. "Para trabalhar, eu uso aplicativos como o Trello ou o Slack, que cumprem essa função de manter a equipe em contato e podem ser encerrados facilmente assim que o dia de trabalho termina. No WhatsApp a gente conversa com os amigos, manda mensagem no grupo da família, então acabamos acessando o app com mais frequência mesmo. Aí, se aparece uma mensagem de trabalho, a gente acaba respondendo, independente do horário", afirma. Outra medida que Rafa adota nesse sentido é trabalhar só do desktop, com o objetivo de manter tudo que é assunto profissional longe do celular.

A terceira dica da influenciadora é deixar o celular carregando no banheiro ou o mais longe da cama possível: "Parece bobagem mas, pelo menos, é uma tática que garante que ao acordar você vai fazer alguma coisa antes de mexer no celular, nem que seja só dar uma boa espreguiçada na cama ou beber um gole d'água". E, falando em banheiro, mais uma dica: deixar sempre um livro ou revista nesse cômodo. "Assim a gente não precisa levar o celular junto quando for demorar e precisar de uma distração", sugere.

Pensando na tal sensação de recompensa que as redes sociais nos proporcionam, Rafa propõe encontrar outras recompensas que funcionem dentro da sua rotina e dos seus gostos pessoais. A recompensa dela, por exemplo, está ligada à leitura: "Divido meus livros em bloquinhos de páginas usando um clipe: a cada cinco ou dez páginas coloco um clipe colorido. Quando consigo ler um bloco inteiro, tenho essa mesma sensação boa. De alguma maneira sinto que estou suprindo essa necessidade de me sentir recompensada por algo que fiz".

Por fim, Rafa sugere aproveitarmos os momentos em casa, que ficaram mais frequentes neste ano de pandemia, para investir tempo em atividades que prendam a nossa atenção - ao contrário da televisão, por exemplo, já que mesmo quando estamos concentrados em um filme ou série acabamos checando o celular quando nada interessante está acontecendo na tela. A atividade que ela mais tem se envolvido é o jogo de tabuleiro: "Eu e o Felipe adoramos Imagem & Ação e baralho. Jogos geram na gente bastante senso de recompensa e estimulam a competição. Além disso, melhorar a convivência em família. A gente dá risada, se diverte. Em casa, tentamos jogar alguma coisa pelo menos uma vez por semana".

Para assistir

Já disponível na Netflix, o documentário "Dilema das Redes" faz justamente um alerta sobre a falta de privacidade online e escancara esse lado manipulador das redes sociais. Para tratar do tema, obra dá voz a diversos executivos, programadores e ex-funcionários de algumas das gigantes de tecnologia do mundo, como Google, Facebook e Twitter. O filme tem pouco mais de 1h30 de duração e é dirigido por Jeff Orlowski, diretor do documentário vencedor do Emmy "Chasing Ice".

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