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Violência contra a mulher

Emily Ratajkowski relembra abuso sexual que sofreu de fotógrafo em 2012

Emily Ratajkowski escreveu sobre a experiência e o trauma em ensaio para a New York Magazine - Reprodução/Instagram
Emily Ratajkowski escreveu sobre a experiência e o trauma em ensaio para a New York Magazine Imagem: Reprodução/Instagram

De Universa, em São Paulo

15/09/2020 16h24

A modelo Emily Ratajkowski revelou hoje em ensaio para a New York Magazine que, em 2012, foi abusada sexualmente pelo fotógrafo Jonathan Leder após uma sessão de fotos na casa dele.

Emily escreve que estava bêbada e não se lembra de ter beijado o fotógrafo. "Mas eu me lembro de seus dedos de repente estarem dentro de mim. Cada vez mais forte e empurrando como ninguém havia me tocado antes, e como ninguém me tocou desde então. Eu conseguia sentir o meu formato e relevo, e doía muito".

Ela foi convidada para o ensaio na casa dele, onde passaria a noite. O trabalho não era remunerado, a não ser pela "divulgação" em uma revista. Na época, ela tinha 20 anos — portanto, estava abaixo da idade em que é permitido beber nos Estados Unidos. Mesmo assim, a modelo conta que Jonathan lhe ofereceu vinho. Quando o ensaio fotográfico começou, ela descobriu que a proposta era fotografá-la de lingerie. Depois, durante o ensaio, o fotógrafo quis que ela ficasse nua, e fez comentários sobre seu corpo nas fotos:

"Essa foto é muito boa por causa dos seus mamilos. Os seus mamilos mudam muito de duros para moles. Mas eu gosto quando eles são enormes", disse o fotógrafo, segundo a modelo. Ela relembra que ele abriu no celular uma foto de uma mulher com mamilos grandes, e completou: "Eu gosto quando eles são gigantes. Gigantes e exagerados".

Emily relata que não lembra como o ensaio acabou — sua próxima memória é estar no sofá, nua embaixo de uma coberta com o fotógrafo. Ela diz que esfregava seus pés um contra o outro para se aquecer, e recorda que ele disse que gostava "dessa coisa que você está fazendo com os pés":

"Eu me lembro desse momento mais do que de qualquer outro. Eu odeio que o Jonathan comentou algo que eu fiz a minha vida inteira para me confortar. Odeio que às vezes, até hoje, quando esfrego meus pés um contra o outro porque estou com frio ou com medo ou cansada, eu penso no Jonathan."

Quando sentiu os dedos do fotógrafo, ela conta que segurou o pulso dele e afastou a mão com força. Ele saiu da sala sem falar nada, e no dia seguinte agiu como se nada tivesse acontecido.

Cinco anos mais tarde, o fotógrafo fez um livro e uma exposição com as fotos daquele dia — mais uma vez, sem pagar. Emily tentou acionar seus advogados, já que o contrato só previa a publicação das imagens na revista, mas não tinha dinheiro para o processo.

No jornal The New York Post, a galeria foi anunciada com a manchete "Emily Ratajkowski não quer que você veja esta exposição".

Contatado pela New York Magazine, o fotógrafo afirmou que as alegações são "espalhafatosas e infantis demais para responder". E acrescentou:

"Você sabe de quem estamos falando, né? Essa é a garota que posou nua na revista Treats, e saltitou pelada naquele clipe do Robin Thicke. Você quer mesmo que alguém acredite que ela era uma vítima?"

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