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12 entidades feministas lançam campanha para incentivar eleição de mulheres

Cartazes da Marcha das Mulheres de 2018 abordam o voto feminino - Reprodução/Instagram
Cartazes da Marcha das Mulheres de 2018 abordam o voto feminino Imagem: Reprodução/Instagram

De Universa

09/09/2020 17h47Atualizada em 09/09/2020 19h01

Doze entidades ligadas aos direitos das mulheres lançam nesta quinta uma campanha para incentivar a população a apoiar candidaturas femininas nas eleições municipais deste ano. A ação busca quer também colocar em discussão a justa distribuição de recursos do fundo eleitoral para as candidatas mulheres e combater os nomes laranjas.

Para isso, o grupo lança um manifesto e convida a população brasileira a assiná-lo. "Nada justifica que mulheres ocupem apenas 13,5% dos cargos nas câmaras municipais e 12% das prefeituras de todo o país, sendo que elas são mais da metade do talento brasileiro", argumentam as entidades no texto em que pedem apoio.

As entidades que participam da campanha são: Vamos Juntas, Agora É Que São Elas, Bancada Ativista, Elas No Poder, Engajamundo, Elas Pedem Vista, Instituto Update, Lidera, Visibilidade Feminina, Vote Nelas, Revista AzMina e Think Olga!

Leia o manifesto #FundoPorElas:

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Para elas, por elas.

As mulheres sempre foram deixadas à margem da política. No Brasil, a luta de muitas gerações assegurou o direito ao voto feminino em 1932. Hoje, em 2020, mulheres ainda são sistematicamente excluídas dos espaços de poder e precisam continuar reivindicando seu direito de serem eleitas e de exercerem plenamente seus mandatos.

Apesar da lei brasileira assegurar 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha para candidaturas femininas, esse percentual mínimo muitas vezes não é direcionado para elegê-las.

A construção de uma democracia forte e inclusiva começa por partidos que valorizem as candidaturas femininas, respeitem a lei e garantam mais espaço às mulheres nas instâncias de poder partidária.

Esta é uma luta urgente. É uma luta de todes. É uma luta do #FundoParaElas. Queremos que a lei seja cumprida. Queremos a distribuição correta do recurso partidário para candidaturas femininas e a transparência nesse processo.

Nada justifica que mulheres ocupem apenas 13,5% dos cargos nas câmaras municipais e 12% das prefeituras de todo o país, sendo que elas são mais da metade do talento brasileiro. Só candidaturas fantasmas e as mais absurdas manobras fraudulentas explicam esse fenômeno. Nas últimas eleições municipais, em 2016, entre os 16.131 candidatos que não tiveram nenhum voto, 14.417 eram mulheres. 300 candidatas em 2018, de 20 partidos diferentes, tiveram pouco ou quase nenhum voto. Isso corresponde a 20% das candidaturas femininas do ano.

Sem representatividade, não há democracia. Não podemos mais desprezar a capacidade das mulheres em transformar a nossa sociedade. Não podemos mais perpetuara desigualdade de gênero. Não podemos mais silenciar metade da população.

É motivo de vergonha mulheres não terem as mesmas chances, as mesmas oportunidades, os mesmos recursos do que homens no partido.

A garantia do percentual mínimo de financiamento para candidaturas femininas estabelecido em lei é um compromisso para modificar o quadro de sub-representação feminina no campo político e um amadurecimento da democracia brasileira. Garantir que mulheres negras, brancas e indígenas tenham igualdade de acesso ao Fundo é avançar para fortalecer a democracia.

Por isso o manifesto #FundoParaElas ainda se faz tão necessário. Esse é um compromisso da sociedade civil em prol delas. Lutamos por elas. Por seus direitos, pela sua visibilidade e para as políticas feitas por elas.

Aqui quem fala é a cidadania. Queremos que as mulheres tomem o que é seu por direito: as cadeiras nos espaços políticos no Brasil.

Vamos lutar, nessas eleições, por elas e pelo #FundoParaElas.

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