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Violência contra a mulher

Arcebispo de Recife diz que aborto causou 'morte de menina de 5 meses'

Dom Fernando Saburido, arcebispo de Olinda e Recife - Reprodução/Instagram
Dom Fernando Saburido, arcebispo de Olinda e Recife Imagem: Reprodução/Instagram

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Recife

17/08/2020 17h54

O Arcebispo de Olinda e Recife, dom Antonio Fernando Saburido, criticou o procedimento médico realizado hoje na menina de dez anos que estava grávida — ela foi vítima de estupro. A criança precisou viajar ao Recife para a retirada do feto no Cisam (Centro Integrado Amaury de Medeiros), da Universidade de Pernambuco.

A arquidiocese de Olinda e Recife fez publicações contra a realização do aborto após a chegada da menina ao estado, e o arcebispo dom Antônio Fernando Saburido gravou dois vídeos criticando a realização do procedimento. Em um deles, divulgado hoje, Saburido afirma que o caso "terminou com a morte da menina de cinco meses" e classificou como "gravíssimo" o procedimento de interrupção da gestação.

O arcebispo de Olinda e Recife disse que não poderia manter-se calado diante do fato e que se solidariza com "tantas vozes que se levantaram contra esse vergonhoso e lamentável acontecimento". Saburido afirmou ainda que o procedimento foi realizado às "pressas" para não ocorrer articulações que impedissem a retirada do feto.

"O lamentável caso da criança de São Mateus, município situado a 240 km de Vitória, encaminhado para o Cisam, no Recife, terminou com a morte da menina de cinco meses. Tudo realizado às pressas, em dia de domingo, com dificuldade de articulação, além das informações desencontradas. Conclusão: o mandamento destacado por Jesus no texto que citamos inicialmente foi mais uma vez desrespeitado", afirmou Saburido.

"Se grave foi a violência do tio que vinha abusando de uma criança indefesa, culminando com violento estupro, gravíssimo foi o aborto realizado em Recife quando todo o esforço deveria ser voltado para a defesa das duas crianças, mãe e filha. Infelizmente, Recife está criando fama de capital do aborto", completou o arcebispo.

O arcebispo destacou que, durante a pandemia do novo coronavírus, causador da covid-19, ações de profissionais de saúde encantaram o mundo na luta pelas vítimas da doença, citando o fato para, mais uma vez, criticar médicos que realizam abortos.

"Por outro lado, decepciona perceber que ainda resistem profissionais da saúde que se prestam à prática do aborto. Este ato, mesmo com autorização judicial, não deve ser feito por uma pessoa de fé ou até incrédula consciente por uma questão de respeito à lei de Deus ou simplesmente por princípio ético baseado no valor inviolável da vida. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos dê força a defender a vida, dom de Deus, que somente ele poderá tirar", destacou o líder religioso.

Ontem, Saburido criticou profissionais da saúde e afirmou, sem nenhum embasamento médico ou científico, que a gestação poderia ser levada adiante.

"Chega ao nosso conhecimento que uma criança de apenas dez anos, grávida de cinco meses, vítima de estupro, chegou a Recife com autorização da prática de um aborto. Como arcebispo desta arquidiocese, quero contestar inteiramente essa decisão. A igreja defende a vida em qualquer circunstância. Essa criança tem, sim, condições de sobreviver. Precisamos salvar a vida da mãe e do filho. Não podemos admitir que outros profissionais da saúde procedam dessa forma, colaborando com a prática da morte", disse Saburido.

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