PUBLICIDADE

Topo

Violência contra a mulher

Coach sentimental é investigado por extorquir mulheres no Distrito Federal

Saiba o que é o estelionato sentimental  - Getty Images/iStockphoto
Saiba o que é o estelionato sentimental Imagem: Getty Images/iStockphoto

Luiza Souto

De Universa

02/08/2020 15h44

A polícia do Distrito Federal está investigando denúncias contra um coach que seduz mulheres para depois extorqui-las. Há pelo menos 26 ocorrências registradas contra Jairo de Andrade Silva, 47 anos, segundo o jornal Metrópoles. Nas redes sociais, ele se identifica como "master coach, trainner comportamental, hipnoterapeuta e escritor".

A Polícia Civil do Distrito Federal confirmou à reportagem de Universa que "há registro de ocorrência policial [sobre o caso] cuja natureza criminal consta 'em apuração'. Por mensagem de texto, Silva informou à reportagem que "não vai comentar nada por enquanto".

Na reportagem, uma das mulheres ouvidas afirma ter perdido milhares de reais e ainda ter comprado um carro para ele circular pela cidade, após se envolver amorosamente com o profissional especializado no chamado "coaching de relacionamento". O modus operandi usado seria uma aproximação pelas redes sociais.

O texto explica que a maioria dos casos envolve o chamado estelionato sentimental. Universa explicou em matéria recente que trata-se de uma fraude para obter vantagem econômica em cima de outra pessoa no contexto de um relacionamento afetivo. Nesse caso, o juiz considera que a relação amorosa foi fraudulenta, porque a mulher foi levada a achar que o homem estava envolvido, e ele se aproveitou disso, explica a advogada Maíra Zapater, especialista em direito penal pela Escola Superior do Ministério Público de São Paulo.

O termo não está presente no Código Penal —nele, consta apenas o crime de estelionato, no artigo 171. Ele apareceu pela primeira vez em uma decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal de 2015. No caso em questão, a vítima alegava ter contraído uma dívida de R$ 101,5 mil para ajudar o companheiro.

Vítima diz ter contraído HPV

A vítima ouvida pela reportagem do jornal afirmou ainda ter anexado à ocorrência policial um laudo médico afirmando que Silva transmitiu para o vírus HPV, após convencê-la a manter relações sexuais sem o uso de preservativo.

Uma das vítimas ouvidas pela reportagem sob condição de anonimato, uma servidora pública de 60 anos, afirmou ter se relacionado com o coach durante o período de um ano. E que ele usa e abusa da lábia no momento da conquista e também na hora de pedir empréstimos financeiros, que jamais são quitados.

"Em nenhum relacionamento ele gasta um centavo que seja. Viagens, jantares, presentes e muito menos o motel; nada ele paga ou divide com a outra pessoa. Ele costuma inventar mil desculpas, principalmente na hora de pedir dinheiro emprestado e quitar qualquer tipo de conta pessoal, como pensão para o filho do primeiro casamento ou a fatura do celular", informou a vítima, segundo a reportagem.

Num de seus posts, Silva debate sobre a importância do perfil financeiro nos relacionamentos. Ele também promove lives em que fala, entre outras coisas, sobre as expectativas nas relações amorosas, relações tóxicas e corações partidos.

Segundo a testemunha, o coach espera o momento certo de arrancar dinheiro das vítimas. Para isso, ele terminava o relacionamento e em seguida reatava. Com a companheira satisfeita pelo retorno, o pedido de empréstimo ocorria em seguida. "Nós terminamos o relacionamento por três vezes. Em cada retorno ele me pedia mais dinheiro emprestado. E eu dava", lamentou. O namoro só terminou de vez após a mulher ouvir do coach que, durante o relacionamento, ele se envolvia, simultaneamente, com outras 25 mulheres.

O outro lado

Indagada sobre o caso, a Polícia Civil do Distrito Federal informou a Universa que "há registro de ocorrência policial cuja natureza criminal consta 'em apuração'. O fato é investigado". E avisou que não fornece mais detalhes, para "não atrapalhar o trabalho investigativo".

Por mensagem, Jairo escreveu à reportagem que "no momento estamos averiguando com o advogado e fui instruído a não comentar nada por enquanto. No momento apropriado poderei comentar. Muito obrigado".

Violência contra a mulher