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Hospital se desculpa e promete encerrar cirurgias em crianças intersexuais

Bebês intersexuais têm sido submetidos a cirurgias para fazer seus órgãos genitais parecerem mais típicos de um sexo ou outro - iStock
Bebês intersexuais têm sido submetidos a cirurgias para fazer seus órgãos genitais parecerem mais típicos de um sexo ou outro Imagem: iStock

De Universa, em São Paulo

30/07/2020 21h53

O Hospital Pediátrico Ann & Robert H. Lurie, em Chicago, nos Estados Unidos, se desculpou por realizar cirurgias em crianças intersexuais e prometeu não voltar a fazer procedimentos do tipo, a menos que sejam clinicamente necessários.

Em publicação em seu blog, o hospital se dirigiu a "indivíduos intersexuais que foram prejudicados pelo tratamento que receberam" no hospital, dizendo que "reconhecem a história dolorosa e as emoções complexas associadas a cirurgia intersexuais e como, por muitos anos, o campo da medicina falhou com essas crianças".

Uma reportagem da BBC publicada em fevereiro explica que o termo intersexual se refere a mais de 20 diferentes condições de bebês que nascem com genitália, órgãos reprodutores ou cromossomos que não se encaixam na definição típica de masculino ou feminino. Calcula-se, segundo o veículo, que 1,7% da população tenha essas características.

De acordo com o site norte-americano Teen Vogue, que reportou o caso do hospital em Chicago, bebês nascidos intersexuais têm sido historicamente submetidos a cirurgias para fazer seus órgãos genitais parecerem mais típicos de um sexo ou de outro. Essas cirurgias, na maioria dos casos, não são necessárias para a saúde do bebê, que muitas vezes só descobrem que são intersexuais anos depois, quando problemas resultantes de cirurgias podem ou não surgir.

A atriz da série "Pose" e ativista transexual, Indya Moore, comparou essas cirurgias à terapia de conversão para jovens LGBTQ+: "O corpo das pessoas intersexuais está sendo convertido em algo que não é. Esta é um tema de direitos humanos que tem muito pouca atenção".

"Historicamente, o atendimento a indivíduos com características intersexuais incluía a cirurgia genital precoce para fazer com que os órgãos genitais parecessem mais masculinos ou femininos. À medida que o campo da medicina avançou e o entendimento mudou, sabemos que essa abordagem foi prejudicial e errada", escreveu o hospital. "O Hospital Pediátrico Ann e Robert H. Lurie e nossa Clínica de Desenvolvimento Sexual reconhecem isso. Pedimos desculpas e lamentamos verdadeiramente".

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