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Relacionamento aberto é infidelidade autorizada? Terapeuta responde tuítes

bernardbodo/Getty Images/iStockphoto
Imagem: bernardbodo/Getty Images/iStockphoto

Nathália Geraldo

De Universa

24/07/2020 15h52

Na manhã de hoje (24), a expressão "relacionamento aberto" ficou entre os assuntos mais comentados pelos brasileiros no Twitter. No meio de memes e julgamentos, a modalidade de vida amorosa não monogâmica virou polêmica.

Afinal, ter uma relação aberta é coisa só para quem é evoluído? Por que é quase sempre associada à promiscuidade? A psicóloga e terapeuta de casais Márcia Neumann, consultada por Universa, respondeu a algumas questões.

Relacionamento aberto: dúvidas ganham Twitter

"Para ter um relacionamento aberto, precisa ser evoluído?"

"Se estamos falando de ter uma inteligência emocional, como se conhecer, é uma verdade. A pessoa que entra em um relacionamento deve ter seus limites claros, saber do que gosta e do que não gosto; nesse tipo, talvez mais um pouco, porque é um relacionamento não tão comum", avalia Neumann. "Mas ter de ser evoluído é um mito. Isso porque esse é um valor que depende dos princípios morais, e religiosos de cada um; então, depende do ponto de vista".

"Ter um relacionamento aberto é autorizar a infidelidade"

O relacionamento aberto, por ser não monogâmico, estabelece parâmetros diferentes dos que são comuns a parcerias monogâmicas. É por isso que, para terapeuta, o termo "infidelidade" não entra na conversa sobre essa forma de se relacionar.

"A relação aberta parte do suposto que um parceiro só não é o que satisfaz. Então, o que estiver acordado entre as partes, é o válido".

Cabe um porém: caso um dos envolvidos descumpra o combinado — que pode ser não se relacionar com amigos, não contar sobre a experiência com outras pessoas, ter apenas relacionamentos casuais, por exemplo — a atitude pode ser considerada traição.

"Ser parte de um relacionamento aberto é ser promíscuo"

Rótulo comum para quem vive um modelo diferente de relacionamento que não o monogâmico", ser promíscuo é uma forma pejorativa de julgar a experiência afetivo/amorosa/sexual de terceiros. "Isso pode vir de uma ordem moral cristã que julga", considera Neumann.

"As pessoas podem ter outros tipos de desejo e precisarem de outras relações".

"Se está em um relacionamento aberto, tem que sair com outras pessoas"

A possibilidade de ser relacionar com mais de uma pessoa não representa a obrigatoriedade de que isso aconteça. "Por não ser um tipo de relacionamento comum, é difícil de quem não o vive entender", pontua a terapeuta.

Como estabelecer um relacionamento aberto

Marcia Neumann aponta que para casais que querem abrir o relacionamento, o autoconhecimento, a identificação dos próprios desejos e como satisfazê-los andam de mãos dada com um preceito básico: a comunicação sincera. "Quando você estabelece isso e faz os acordos, isso vai ser o seu normal".

Parceiras e casamentos não monogâmicos, vale dizer, têm suas próprias regras. Antes, é preciso levar em conta os detalhes ligados ao afeto, ao envolvimento com as outras pessoas, o nível de ciúme e de segurança emocional que os dois têm. Especialistas sugerem cautela ao tentar abrir o relacionamento "para salvá-lo".

Outra dica: escute a experiência de pessoas que têm relacionamento aberto para entender suas vontades, frustrações e experiências bem-sucedidas.

Aí, é definir as regras do próprio jogo. "Para não cair em outro julgamento moral, é preciso entender o que vocês precisam para ser feliz. E não importa muito o nome da relação e, sim, a forma do amor e da satisfação que vocês têm. Aliás, o relacionamento aberto tem a ver com a luta do amor livre, de respeitar a sexualidade de cada um. E, nessa verdade, eu acredito", diz a terapeuta.

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