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Preso suspeito de matar e deixar corpo da ex no porta-malas do carro em SC

Patrícia Vicente foi encontrada morta no porta-malas do seu carro em Santa Catarina - Reprodução/Facebook
Patrícia Vicente foi encontrada morta no porta-malas do seu carro em Santa Catarina Imagem: Reprodução/Facebook

Abinoan Santiago

Colaboração para Universa, em Ponta Grossa (PR)

14/07/2020 11h37

A Polícia Civil de Santa Catarina prendeu na noite de ontem um homem suspeito de matar a ex-namorada e deixar o corpo no porta-malas do próprio carro no estacionamento de um supermercado em São José, na Grande Florianópolis.

A professora Patrícia Vicente, 43, estava desaparecida desde sexta-feira (10), em Palhoça, onde vivia, e o seu corpo foi encontrado no dia seguinte.

A prisão aconteceu quando o suspeito chegava a um hotel de Florianópolis, onde estaria hospedado havia dois dias. Segundo a Polícia Civil, ele usou um nome falso e estava de touca e máscara para tentar não ser reconhecido. A identidade do ex-namorado da vítima não foi revelada pelas autoridades. O caso é investigado pela Dpcami (Delegacia de Proteção a Crianças, Adolescentes, Mulheres e Idoso de Palhoça).

O homem preso ontem é considerado o principal suspeito porque a família o teria visto, através de câmeras de segurança da casa da vítima, colocando Patrícia Vicente desacordada no porta-malas do carro dela.

O suspeito saiu do imóvel com a vítima na madrugada de sexta-feira e os parentes deram conta do desaparecimento depois de não conseguirem contato com Patrícia no dia seguinte. O caso é tratado como feminicídio porque o suspeito não estaria aceitando o fim do relacionamento.

Depois de mais de 24 horas de buscas na Grande Florianópolis, funcionários de um supermercado de São José acionaram a Polícia Militar (PM) para informar sobre um carro, que passou o dia inteiro estacionado no estabelecimento, do mesmo modelo divulgado pelas filhas da vítima nas redes sociais. A família chegou ao local por volta de 20h de sábado e reconheceu o corpo, que apresentava marcas no pescoço.

Nas redes sociais, uma das filhas da vítima comentou a prisão do suspeito na manhã de hoje: "Nossa luta acabou. Com todas as forças, o desgraçado que matou minha mãe foi preso. Deus é pai e que a Justiça seja feita. Que ele pague por tudo", afirmou.

Suspeito era possessivo e ameaçava as filhas

Segundo a família da vítima, Patrícia Vicente vivia um relacionamento abusivo quando namorava com o suspeito. A família não sabe precisar há quanto tempo ambos ficaram juntos e estavam separados, mas o fim do relacionamento é recente. Enquanto namorava, contam os parentes, a mãe era cerceada até de falar com as filhas dentro da própria casa.

"Na nossa frente, ele sempre foi possessivo, mas nunca agressivo. Chegava ao ponto de que se fossemos no quarto falar com a nossa mãe e ele se estivesse no banheiro, viria correndo para saber do que estávamos falando", relatou a filha da vítima, Bianca Machado.

A filha lembra que quando a professora decidiu morar em uma casa alugada com o então namorado, não era incomum que Patrícia apresentasse marcas pelo corpo que aparentavam ser de agressões.

"Ele nunca fazia nada na frente das pessoas, mas teve uma época que eles moravam juntos em uma casa alugada e a minha mãe retornava com umas marcas roxas no braço e na perna. Ela dizia que se batia na mesa ou na geladeira e nunca tivemos como provar nada", relatou Bianca, acrescentando que a mãe tinha medo de denunciar porque o suspeito também ameaçava as filhas. "Um dos maiores motivos pelo qual ela tinha medo, segundo contou para gente, era de que ele poderia machucar a nossa irmã menor, de 13 anos".

Patrícia deixa três filhos, dois netos e a mãe. A professora costumava visitá-la todos os dias antes de ir ao trabalho e sempre almoçava com ela no retorno. É considerada pelas filhas como uma mulher que "priorizava a família, sempre em primeiro lugar".

Com a prisão do suspeito, familiares dizem que agora inicia outra etapa: uma pena justa para o crime. "Ele tirou a oportunidade dela de se defender para poder ficar com a gente. (...) Agora a gente vai lutar para ter Justiça. Queremos que ele fique preso por muito tempo na cadeia. Nada vai amenizar essa dor ou trazê-la de volta, mas isso já é um começo", finaliza a filha.

Violência contra a mulher