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Elas trocam RJ por SP e contam como resistiram à pandemia vendendo batons

Elza Barroso e Julia Barroso, da Face It: modelo enxuto de operação facilitou a travessia da crise - Divulgação
Elza Barroso e Julia Barroso, da Face It: modelo enxuto de operação facilitou a travessia da crise Imagem: Divulgação

Eliane Almeida

Colaboração para Universa

08/07/2020 04h00

Quando a pandemia de coronovírus chegou ao Brasil e trouxe consigo a necessidade de que as empresas operassem com funcionários a distância, as empresárias Elza Barroso e Julia Barroso não sofreram muito com a mudança repentina. Mãe e filha já estavam acostumadas ao home office diário, de onde comandam a Face It, marca de batons veganos e cruelty free criada em março de 2017.

Esse é um dos fatores que ajudam a explicar por que, em meio a uma crise econômica de grande impacto, elas preveem sair da quarentena com lucro no bolso. "Nosso modo de trabalhar sempre foi esse. Terceirizamos desde a produção, passando pela comunicação, contabilidade e logística. Isso nos deixa confortável para tocar o negócio e pensar em novas estratégias, por exemplo", explica Elza.

Com um faturamento que soma R$ 3,7 milhões desde que foi criada, e um total de 53 mil batons vendidos em três anos, o modelo de comercialização sempre foi online -e isso tem feito a diferença agora.

Outro ponto forte que contribui para que o negócio se mantenha estável, segundo elas, foi o investimento em marketing digital focado nas redes sociais. "Esta ferramenta deu um gás na marca, atraindo ainda mais público e fidelizando os clientes. Ao contrário de uma máscara para cílios, por exemplo, o batom é de fácil escolha, as cores são fiéis ao catálogo. A cliente consegue ter ideia de como fica na pele e isso traz segurança na hora da compra", explica Julia.

Para completar, um fator secreto também pode ser dado uma forcinha para uma travessia mais tranquila pela pandemia: o "efeito batom", termo criado em 2001 por Leonard Lauder, presidente da Estée Lauder, após os ataques de 11 de Setembro. Ele observou que há um habitual crescimento nas vendas deste produto durante e depois após crises como guerras, atentados ou quebras financeiras. A teoria dele é que, ao comprar um batom, as mulheres buscam recuperar a auto-estima sem ter que gastar muito.

Do Rio para SP, para dar segurança à empresa

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Elza e a Julia em visita a laboratório: inicialmente, a produção dos batons era feita na Itália
Imagem: Divulgação

Jornalistas por formação, elas deixaram a carreira sólida nas áreas de moda e meio ambiente para encararem o empreendedorismo. Apesar do lucro médio de 23% ao ano, a Face It também passou por percalços. "Não é fácil começar um negócio no Brasil. Há muita burocracia e impostos, além de todos os mínimos detalhes que envolvem o processo, desde a escolha da obra-prima até a logística de entrega", explica Elza.

Poucos meses antes da pandemia, mãe e filha trocaram o Rio de Janeiro por São Paulo, sobretudo por segurança. "Às vezes, sequer recebíamos as mercadorias dos fornecedores, que eram roubados no meio do trajeto. Também enfrentávamos o mesmo problema nas entregas aos clientes. Chegamos a ir de táxi para o cliente não ficar na mão", lembra Elza.

Esses não foram os únicos problemas que a marca enfrentou. No início, os batons eram fabricados na Itália e percorriam um caminho transatlântico até chegar nas mãos das consumidoras brasileiras. "Apesar da qualidade, esse fator era motivo de dor de cabeça para nós, já que a entrega poderia demorar um ou até seis meses. Houve um ano em que nos programamos para vender a coleção no Natal, mas ela só chegou após o Carnaval", explica Julia, que só viu o processo melhorar quando a mesma fábrica que instalou uma unidade no Brasil.

Hoje, a Face It conta com três tipos de batom: líquido matte, em bala matte e ultrahidratante, com cartela de cores variadas e preços que variam de R$ 69 a R$ 79.

Vendendo lábios saudáveis

Composto 100% por materiais naturais, sem metais pesados ou de origem animal, os batons contam com ingredientes como cera de candelilla, manteiga de cacau, óleo de amêndoa, vitamina E e óleo de mamona. "O nosso objetivo, desde o princípio, quando decidimos criar a marca, é poder proporcionar aos clientes algo além da beleza. Nós pensamos também na saúde e bem-estar", diz Elza.

A empresa nasceu pelo próprio interesse de mãe e filha por produtos compostos por ingredientes naturais e orgânicos. A busca pelo produto ideal fez com a marca construísse uma parceira com a Peta (People for the Ethical Treatment of Animals), organização não governamental que se dedica aos direitos dos animais. A dedicação fez com que marca colecionasse prêmios, mesmo em tão pouco tempo. Em três anos, são quatro troféus.

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