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Ator pornô Ryan Madison é acusado de abuso sexual por 11 mulheres

10.01.2009 - Ryan Madison (à dir.) com a mulher, Kelly Madison, no Adult Video News Awards, em Las Vegas (EUA) - Ethan Miller/Getty Images
10.01.2009 - Ryan Madison (à dir.) com a mulher, Kelly Madison, no Adult Video News Awards, em Las Vegas (EUA) Imagem: Ethan Miller/Getty Images

De Universa, em São Paulo

08/07/2020 10h33

Onze atrizes acusaram o produtor, diretor e ator pornô Ryan Madison de comportamentos abusivos, incluindo estupro e assédio sexual, durante as filmagens de cenas pornográficas para os canais administrados por ele e pela mulher, donos da Kelly Madison Productions. A informação é do The Daily Beast.

A atriz Annabel Redd foi a primeira a quebrar o silêncio, em 5 de junho, pedindo aos seguidores no Twitter que não assistissem a sua cena para o canal Porn Fidelity, administrado pela Kelly Madison Pictures.

"Aquele homem [Ryan, que dirigiu a cena e atuou nela] violou meus limites. O roteiro não dizia que ele ia ejacular dentro de mim ['creampie', na terminologia pornô], e ele me segurou com força quando eu tentei escapar. No começo eu achei que fazia parte da cena, mas daí percebi que ele não ia parar. O roteiro também não dizia que ele ia forçar tanto o sexo oral ['deepthroat']", escreveu.

Os outros dez relatos coletados pelo The Daily Beast vieram das atrizes Kinsley Carter, Lexi Lore, Jane Wilde, Monica Sage, Amber Addis, Arabelle Rafael, Bella Roland, Alex Harper, Grace May Allen e Khloe Capri.

Padrões

Algumas das histórias das acusadoras de Madison têm muitos elementos em comum: várias, incluindo Carter e Wilde, ecoaram partes da acusação original de Redd, dizendo que o astro pornô ejaculou dentro delas sem permissão, e realizou a porção da cena que envolvia sexo oral com tanta brutalidade que elas chegaram a vomitar.

Quase todas as mulheres, incluindo Lore, disseram que foram apresentadas primeiro à mulher de Madison, além de outras membras da equipe de produção do sexo feminino, o que fez com que elas se sentissem "seguras e empoderadas" no início da experiência. No entanto, na hora da filmagem (após processo de cabelo e maquiagem, além de assinatura de documentos), elas eram levadas a uma casa onde ficavam sozinhas com o ator/diretor.

Outras histórias, incluindo as de Lore e Rolland, incluem propostas sexuais feitas pelo ator após a filmagem inicial das cenas pornográficas. Lore disse que, mesmo após ela rejeitar os avanços do ator, Madison "a agarrou e a colocou no sofá, onde fez sexo com ela sem as câmeras rolando". Rolland contou que o ator fingiu que estava gravando, quando não estava, para convencê-la a fazer sexo com ele.

Descaso da indústria

As acusadoras de Madison relataram que a indústria pornográfica sabe do padrão de abusos do ator/diretor, e que muitas vezes agentes mandam suas clientes para filmagens com ele mesmo assim.

"Ryan Madison é conhecido como um estuprador nesta indústria, mas ainda há agentes que querem ganhar dinheiro mandando garotas para a casa dele, sem avisar nada. Isso precisa parar. Os agentes precisam se unir e dizer que não mandarão mais atrizes para ele", disse Lore.

Wilde, enquanto isso, disse que seu agente na época do incidente, John O'Byrne, fingiu choque quando ela contou a ele o acontecido. "Ele disse: 'Meu Deus, me desculpe. Eu vou ter que falar com ele, porque algumas outras meninas me contaram o mesmo'. Eu fiquei pensando: 'Por que você me mandou para cá então?'", explicou ela.

O'Byrne também era agente de Redd na época do abuso relatado por ela. Uma agência contatada pelo The Daily Beast, que não teve o nome revelado mas é definida pelo veículo como "uma das maiores da indústria pornográfica", parou de enviar atrizes para as produções de Ryan Madison há dois anos e meio.

"Com o tempo, ele ficou cada vez mais brutal, e cada vez mais bêbado. Ele ofereceu álcool e drogas a uma das nossas atrizes quando ela ainda não tinha idade para beber legalmente [nos EUA, 21 anos]. Só que a indústria sabe disso. Eu já conversei sobre isso com outros agentes, e alguns simplesmente estão dispostos a arriscar o bem-estar das atrizes", contou.

Violência contra a mulher