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Na pandemia, casal busca filha gerada em barriga de aluguel na Ucrânia

Adriano Garbelini, Camila Pavan e a filha, Pietra - Divulgação
Adriano Garbelini, Camila Pavan e a filha, Pietra Imagem: Divulgação

Simone Machado

Colaboração para Universa

29/06/2020 04h00

muito tempo, a administradora de empresas Camila Pavan, 32, e o marido, o fisioterapeuta Adriano Garbelini, 36, tinham o sonho de serem pais. Depois de dois abortos espontâneos e diversas tentativas de engravidar sem sucesso, o casal optou por ter o tão desejado filho por meio do processo conhecido como gestação por substituição ou, simplesmente, barriga de aluguel. Só não esperavam ter de buscar a criança em outro país em meio à pandemia.

"Durante 15 anos, fui a diversos médicos e recebi vários diagnósticos. Só quando me consultei com um especialista nos Estados Unidos descobri a minha doença, uma distrofia muscular, e soube que não poderia engravidar", diz Camila.

Uma primeira alternativa encontrada pelo casal, que mora em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, e está junto há 15 anos, foi tentar a barriga solidária com ajuda da irmã de Adriano. Mas o procedimento também não deu certo, e ela teve um aborto.

Diante do sofrimento da família, o casal decidiu que não tentaria mais a barriga solidária. Passaram, então, a pesquisar sobre o processo de barriga de aluguel.

O procedimento, que consiste na doação temporária do útero por uma mulher que carrega o bebê durante a gestação em troca de pagamento, não é permitido no Brasil. Por aqui, o aceito é a barriga solidária, sem caráter lucrativo, e em que a mulher é, geralmente, da família de um dos pais biológicos.

"No Brasil, isso ainda é um tabu a ser vencido, mas esse tipo de procedimento [barriga de aluguel] é aceito e comum em diversos países. Busquei informações nos Estados Unidos, na Tailândia e na Ucrânia até decidirmos fazer em uma clínica em Kiev [capital ucraniana] que nos pareceu muito segura", diz Camila.

Num centro de reprodução humana, Adriano teve o material genético colhido. O casal optou por não usar os óvulos de Camila devido à doença dela. Por meio de uma seleção sem identificação, o casal escolheu uma doadora de óvulos parecida fisicamente com Camila. "Já a mulher que geraria o nosso bebê nós optamos por não escolher, pedimos à clínica apenas que fosse uma pessoa responsável", diz a administradora.

Para realizar o sonho, o casal o equivalente a pouco mais de R$ 230 mil, pagos ao longo da gestação.

Uma pandemia no caminho

Com previsão para nascer no dia 10 de junho, Pietra vinha sendo muito aguardada pelo casal e por toda a família. Mas eles não imaginavam que, bem nos meses finais da gestação e na data prevista para o nascimento da menina, o mundo estaria enfrentando uma pandemia.

Com as fronteiras da maioria dos países fechadas, conseguir chegar à capital da Ucrânia não foi fácil. Foram dias de incerteza e 15 horas de avião até o país.

Sem voos comerciais indo até a Ucrânia, Camila e Adriano conseguiram passagem em um voo de repatriação de ucranianos que sairia de Munique, na Alemanha, no dia 1º de junho. Depois, tiveram de conseguir vaga em um voo para a Europa mesmo com a redução dos voos comerciais. Deu certo. Eles deixaram o Brasil com destino a Amsterdã, na Holanda, e de lá seguiram para a Alemanha.

"Solicitamos ao consulado e à Polícia Federal uma autorização para viajar para a Ucrânia, mas não sabíamos que, para entrar na Alemanha e na Holanda, também precisaríamos de documentação. Foi uma correria, chegamos a entrar na fila para remarcar o voo, mas, no último minuto, conseguimos a autorização para seguir viagem", conta Camila.

Ao chegar em Kiev, o casal fez o teste para covid-19 e ficou nove dias em quarentena em um hotel designado pelo governo do país. Com o resultado negativo para o coronavírus, eles foram liberados e puderam ir para o hotel em que ficariam hospedados.

No dia seguinte, 11 de junho, veio a notícia: Pietra havia nascido. Dois dias depois, ela foi entregue ao casal.

"Achei que não conseguiríamos chegar a tempo de acompanhar os primeiros dias dela, mas graças a Deus deu tudo certo", diz Camila.

Sem data para retornar ao Brasil

O casal ainda não sabe quando vai voltar ao Brasil. Camila e Adriano esperam a liberação da certidão de nascimento de Pietra, que deve sair em breve. Com o documento, os pais terão que dar entrada no passaporte da bebê para então poderem retornar. Além disso, é preciso avaliar como estará a situação do coronavírus no mundo.

"Mas o mais importante é que estamos com a nossa filha nos braços", diz Camila. "Ter a Pietra está sendo mágico, é um sonho que eu sempre tive e agora estou realizando."

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