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Miss junina que sofreu ataque racista ganha concurso nacional de São João

Luciana Cavalcante

Colaboração para Universa, em Belém

29/06/2020 23h29Atualizada em 30/06/2020 17h19

"A coroa não é só minha e sim de todos os paraenses, mas principalmente de todas as mulheres negras periféricas que já sofreram e sofrem racismo, assim como eu". A dedicatória é da estudante de nutrição, Eduarda Moraes, 20, após ser eleita a Rainha de São João.

A jovem foi alvo de ataque racista, chamada de macaca suja, e recebeu ofensas sobre sua fantasia no seu vídeo de apresentação no canal do YouTube do concurso nacional.

Ela ganhou a votação popular com maior número de curtidas e visualizações nas redes sociais. A coreografia foi inspirada no sobrenatural, com tema sobre as almas que vagam pela cidade ao som de um mix de ritmos regionais.

No comentário, além do ataque racista, o internauta também depreciou o trabalho da artista em relação à candidata Laila Santos, do Ceará, onde a empresa que promove o concurso tem sede. Laila ficou em segundo lugar na votação do público, mas levou a maioria de votos do júri, quase todos cearenses.

A paraense venceu não pelo voto do júri, mas sim pelo popular. "Dos seis jurados, só um votou em mim e os outros cinco votaram na candidata do Ceará." Por isso, a miss disse que não esperava pelo resultado. "O que me salvou nesse concurso foi a internet. Foi a população do Pará, que passou noites assistindo ao vídeo e votando, e graças a eles tive três pontos de internet e um ponto do júri", contou.

Eduarda ainda não falou com a segunda colocada no concurso, mas diz que pretende parabenizá-la pelo trabalho. "Ela também teve muito trabalho e também precisa de reconhecimento, assim como todas."

Eduarda afirmou ainda que recebeu muito apoio após o ataque racista nas redes. "Hoje eu vejo como um comentário motivacional, porque se não fosse por ele não estaria tendo todo esse apoio, toda essa união, toda essa força que estou recebendo do meu estado."

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