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Não era cilada: elas contam por que não se arrependem de voltar com um ex

Voltar com ex é uma boa ideia? Veja histórias de quem teve um final feliz - iStock
Voltar com ex é uma boa ideia? Veja histórias de quem teve um final feliz Imagem: iStock

Ana Bardella

De Universa

25/06/2020 04h00

Há quem se arrepie só de cogitar a possibilidade de reatar com alguém do passado, principalmente quando o término foi sofrido ou traumático. As razões são muitas: medo de repetir os mesmos erros, vontade de viver experiências novas e até perda de interesse. Mas existem também pessoas que resolvem dar uma segunda chance — e garantem não se arrepender da decisão.

É o caso das três mulheres abaixo: Aline, Eduarda e Letícia têm trajetórias diferentes, mas em determinado momento da vida afetiva, deixaram seus receios de lado e resgataram uma história de amor do fundo da gaveta. A seguir, elas refletem sobre suas relações:

"17 anos depois do nosso término, caminhamos de mãos dadas"

Aline e Márcio se reencontraram após 17 anos - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Aline e Márcio se reencontraram após 17 anos
Imagem: Acervo pessoal

"Conheci o Márcio com 17 anos, na escola. Fomos nos aproximando, mas ele tinha namorada. Mesmo assim, andávamos sempre grudados. Um dia ele me levou até em casa, nós dois de braços dados. Eu encostei a cabeça no seu ombro e ele se arrepiou inteiro. Eu fiz uma provocação e assim que chegamos no meu prédio, ele me agarrou. Foi um beijo de tirar o ar, uma química muito grande. Ali, costumo brincar que 'os meus quatro pneus arriaram'. No mesmo dia, ele terminou o namoro. Procurei não criar expectativas, mas então, conversando por telefone, ele disse que me amava. Começamos a namorar e ficamos juntos por um ano e meio.

Nessa época, ninguém falava sobre o quanto o ciúme é nocivo. Eu vim de uma família abusiva e até hoje preciso me policiar para não reproduzir alguns comportamentos. Mas anos atrás, terminamos por causa do meu ciúme. Tentamos reatar duas vezes quando éramos jovens, mas em nenhuma delas deu certo.

Os anos se passaram e tivemos vários outros relacionamentos. Eu fiquei casada por oito anos e tive dois filhos lindos. Ele também se casou. Mantivemos contato por um tempo — cheguei a convidá-lo para o meu chá de bebê do meu primeiro filho — mas com o tempo, paramos de nos falar. Até que, em 2016, eu me separei.

Sofri um pouco solteira porque não tenho paciência para toda aquela burocracia do sexo: é muito tempo conhecendo a pessoa e, quando finalmente acontece, ainda existe o risco de ser ruim. Foi então que me lembrei do Márcio e resolvi stalkeá-lo nas redes sociais. Nós não éramos amigos no Facebook. Pensei em adicioná-lo, mas vi que estava namorando. O tempo passou e continuei a ver seu perfil, até que um dia apareceu ali, bem grande, a palavra "solteiro". Então tomei a iniciativa.

Ele mesmo puxou a conversa, com um "oi sumida" bem empolgado. Nós vivíamos em municípios diferentes, mas marcamos de nos encontrar em um shopping, que ficava no meio do caminho para ambos. 17 anos depois do nosso término, caminhamos de mãos dadas e tudo. E eu só pensando que tinha acabado de terminar uma relação e estava basicamente em busca de sexo. Mas o reencontro foi especial e estamos juntos desde então, há três anos, e queremos ter um filho.

Aline Queirolo, 39 anos, instrutora de inglês e empreendora

"Hoje damos mais valor à relação"

Eduarda e o namorado não conseguiram reatar de primeira - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Eduarda e o namorado não conseguiram reatar de primeira
Imagem: Acervo pessoal

"Conheci o Mário em uma praça, perto de onde eu morava. Fui até lá para encontrar alguns amigos. Fiquei interessada, mas ninguém tomou iniciativa. Alguns dias passaram e marquei de encontrar esse mesmo grupo na minha casa. Nesse dia, a química foi tanta que transamos no banheiro, cheio de gente do lado de fora. Depois marcamos um encontro, os dois sóbrios. Descobrimos muitas coisas em comum. Após um mês, no começo de 2017, começamos a namorar. No final do ano, fomos morar juntos, em uma kitnet no quintal da avó dele.

Na época, ele trabalhava e eu tinha alguns móveis, porque já pretendia morar sozinha. A vida mudou quando o Mário perdeu o emprego e ficamos apertados financeiramente. Passamos a ter brigas constantes e nos desentender por qualquer bobagem. Até que um dia ele chegou ao limite e disse que não queria mais me ver passando por necessidades, sofrendo. Então, no meio de 2018, terminamos.

A princípio, voltei para a casa da minha mãe. Depois, consegui um emprego e fui morar sozinha. Ele voltou a trabalhar com o pai e continuou morando nos fundos da casa da avó. Mas não paramos de nos falar, nos tornamos amigos. Nos finais de semana, ia na casa dele e vice-versa. O problema é que ele havia conhecido outra pessoa e não me contou. Um mês depois, decidimos voltar, mas foi precipitado: ficamos somente uma semana juntos, porque eu descobri sobre a situação e optei por cortar os laços.

Dois meses se passaram e precisei buscar algumas peças de computador que estavam com ele. Mandei uma mensagem: minha intenção era pegar o que precisava e ir embora. Mas ele disse que queria conversar e acabei topando que viesse até minha casa. Conversamos bastante, choramos muito. Até que nos abraçamos, beijamos e tudo foi perdoado. Desde que reatamos, há 1 ano e 8 meses, não nos separamos mais.

Apesar de ter sido um término curto, foi uma fase importante para mim, porque sinto que, antigamente, era mais dependente no quesito emocional. Aprendi a me reerguer sozinha. Hoje, mesmo sem sermos casados no papel, levamos a sério a história de 'na riqueza ou na pobreza'. Passamos por dificuldades, mas fomos superando e estamos aqui. No fundo, serviu para que déssemos mais valor um para o outro".

Eduarda Vieira, 21 anos, autônoma

"Nos reencontramos na hora certa"

"Conheci minha namorada em 2014, pelo Tinder, quando era o aplicativo ainda era uma grande novidade. Começamos a nos falar em novembro, mas só nos conhecemos pessoalmente no fim de janeiro do ano seguinte, quando voltei de uma viagem. Na época, eu tinha 18 anos e ela 22. Ficamos oito meses juntas. Éramos namoradas, apesar de eu não expor a relação em nenhuma rede social, porque ainda não havia me assumido como lésbica.

Como resultado, a situação entre nós foi ficando cada vez mais tensa. Então um dia, depois de nos encontrarmos, ela foi embora e paramos de nos falar. Não brigamos, não tivemos uma conversa de término. Simplesmente não nos procuramos mais. E assim ficamos por quatro anos e meio.

Foi difícil superar, mas toquei a vida. Como não a seguia mais nas redes sociais, não sabia como estava a vida dela. Tive outros relacionamentos e havia acabado de sair de um deles quando recebi uma mensagem dela por inbox no Facebook, em 2018. Na hora eu pensei: 'Não acredito que isso esteja acontecendo'. Ela me contou que se sentia mal pela forma como as coisas tinham terminado entre nós e me pediu desculpas. Voltamos a conversar como amigas até que um dia combinamos de nos ver.

Na época eu até brinquei, dizendo que iria encontrar uma pessoa nova. Mas depois que nós ficamos, tivemos um sentimento mútuo de: 'Isso é sensacional e realmente é para ser'. Estamos juntas há quase dois anos. Agora, que tenho 25 anos, percebo o quanto era inexperiente quando nos conhecemos. Estava no terceiro semestre da faculdade, ela foi a primeira mulher que eu beijei. Nos reencontramos no tempo certo".

Amanda*, publicitária, 25

*O nome foi trocado a pedido da entrevistada

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