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Primeira americana a andar no espaço chega ao ponto mais profundo do oceano

A astronauta Kathy Sullivan foi a primeira norte-americana a caminhar no espaço - Divulgação/Nasa
A astronauta Kathy Sullivan foi a primeira norte-americana a caminhar no espaço Imagem: Divulgação/Nasa

De Universa, em São Paulo

09/06/2020 19h11Atualizada em 10/06/2020 12h07

Kathy Sullivan, 68, fez história pela segunda vez no último domingo (7). Quase 36 anos depois de ser a primeira norte-americana a caminhar no espaço, a astronauta se tornou a primeira mulher a atingir a Depressão Challenger, o ponto mais profundo de todos os oceanos.

A Depressão Challenger está a quase 11 quilômetros da superfície do Oceano Pacífico, na Fossa das Marianas, a cerca de 2.300 quilômetros a sudeste de Taiwan. Kathy é apenas a oitava pessoa a mergulhar até lá, segundo a EYOS Expeditions, que coordenou a missão.

Ela foi copilota do aventureiro milionário Victor Vescovo. Ao final do passeio bem-sucedido, Victor comentou sobre a missão nas redes sociais: "Acabei de voltar da Depressão Challenger. Minha copilota foi a Dra. Kathy Sullivan — agora a primeira mulher a chegar ao fundo do oceano. Parabéns a ela!".

A primeira coisa que Kathy fez depois de voltar à superfície foi ligar para os astronautas da Estação Espacial Internacional. "Como oceanógrafa e astronauta, este foi um dia único na vida: ver a paisagem da Depressão Challenger e compará-la com meus colegas da ISS com o visual espacial e extraordinário de nossa missão", disse ela em comunicado publicado pela Business Insider.

Kathy passou cerca de 10 horas a bordo do Limiting Factor, o veículo submersível que a levou até a Depressão Challenger. Foram necessárias quatro horas para descer à profundidade máxima, a 10.914 metros da superfície, e mais quatro horas para voltar, além de uma hora e meia "investigando" o fundo do oceano.

A essa profundidade, a água é muito escura e quase congelante. A pressão é de 1,1 tonelada por centímetro quadrado — quase mil vezes a do nível do mar. Em seu blog, a astronauta escreveu que visitar a Depressão Challenger submeteu o Limiting Factor a uma pressão "semelhante a de 7.900 ônibus de dois andares".

Mas não há motivo para preocupação: o casco de liga de titânio de quase nove centímetros do Limiting Factor, ainda de acordo com a Business Insider, foi projetado para suportar essa pressão e se deu bem em outras cinco viagens feitas à Depressão Challenger. É o único submersível capaz de fazer esse tipo de mergulho mais de uma vez.

Legado na ciência

Kathy está acostumada a trabalhar em situações de alta pressão. Durante seus 15 anos de Nasa, ela participou de três missões espaciais, incluindo a responsável por instalar o telescópio Hubble. Ela foi uma das primeiras mulheres a integrar a Nasa, em 1978, e se tornou a primeira norte-americana a caminhar no espaço, em 11 de outubro de 1984.

A primeira mulher da história que participou de uma expedição espacial foi a russa Valentina Tereshkova, em 16 de junho de 1963, a bordo da Vostok 6. Hoje ela é deputada. A norte-americana Sally Ride estava a bordo da nave Challenger que foi para o espaço em 18 de junho de 1983, mas não chegou a caminhar no espaço. Um ano depois, ela integraria a mesma equipe que contou com Kathy.

Depois de deixar a vida de astronauta, Kathy se dedicou à oceanografia, outra de suas paixões, e chegou a ser cientista-chefe da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês), em 1993.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do publicado no segundo parágrafo, Fossas das Marianas está a 2.300 quilômetros ao sudeste de Taiwan, e não ao sudoeste. A informação foi corrigida.
Diferentemente do publicado no sexto parágrafo, a pressão no local atingido pela astronauta é de 1,1 tonelada por centímetro quadrado, e não 11 toneladas. A informação foi corrigida.
Diferentemente do publicado no primeiro parágrafo, a astronauta voltou a fazer história quase 36 anos depois de ser a primeira norte-americana a andar no espaço, e não 25 anos depois. A informação foi corrigida.
Diferentemente do informado no quinto parágrafo do texto, a profundidade foi de 10.914 metros da superfície, e não de 10.914 quilômetros. A informação foi corrigida.

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