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"Falei de sexo com o microfone ligado": elas contam micos nas videochamadas

Já passou por uma situação embaraçosa durante o isolamento? - iStock
Já passou por uma situação embaraçosa durante o isolamento? Imagem: iStock

Ana Bardella

De Universa

06/06/2020 04h04

Do dia para a noite, a rotina de todo brasileiro mudou: em meio à pandemia, uma grande parcela de trabalhadores e estudantes se viu na obrigação de transformar a casa no único espaço de desenvolvimento de suas atividades. Com isso, precisaram aprender, sem tempo de adaptação, a mexer em programas de computador; trabalhar com os filhos, pais, irmãos ou parceiros por perto; manusear equipamentos eletrônicos e até transformar um cômodo da residência em escritório ou sala de aula.

Essa reestruturação da vida aos trancos e barrancos resultou em cenas engraçadas durante a quarentena — seja por falta de estrutura, pela interferência de um parente em um momento inapropriado — como as crianças invadindo as entrevistas de seus pais ao vivo na televisão — ou por pura falta de costume de ajustar a posição da câmera ou desligar o microfone. A seguir, três mulheres relatam as experiências mais embaraçosas que viveram durante o período de isolamento social:

"A sala inteira me ouviu falando de sexo"

"Sou casada há três anos e meu marido faz faculdade. Agora, com a quarentena, está estudando à distância. Nós temos uma filha de um ano e minha sogra veio para minha casa por um tempo para nos ajudar nos cuidados com ela. Neste dia, no entanto, ela voltou para a própria casa, então nós dois teríamos o apartamento para o casal depois que a criança dormisse. Eu estava na cozinha preparando o jantar e ele assistindo a aula pelo celular, com o fone de ouvido.

Então, em um determinado momento, ele chegou por trás e falou no meu ouvido algumas besteiras do que iríamos fazer mais tarde. Começou a me beijar, me morder. Foi uma mão aqui, a outra ali... Soltei até uns gemidinhos. Mas nossa filha estava acordada, então paramos ali. Foi só um aquecimento. Voltei a cozinhar. De repente ele saiu da cozinha e voltou me dizendo que o microfone estava aberto e que a turma inteira ouviu a gente. Eu quase deixei a comida queimar, fiquei muito desesperada.

Ele estava com o fone apoiado na orelha, mas jamais imaginamos que estava captando algum áudio. Ele só percebeu que algo errado aconteceu porque muitas pessoas comentaram no chat: 'Fecha o microfone', 'Você esqueceu o microfone ligado'. O professor não disse nada, só perguntou se estava tudo bem. Então achamos que ele não ouviu. Só sei que eu fiquei morrendo de vergonha porque conheço muita gente da sala dele: costumamos frequentar churrascos e outros eventos juntos. Até hoje não consigo contar essa história sem me sentir constrangida".

Gabrielle Sousa, 26 anos, auxiliar administrativo

"E essa coçadinha aí no bumbum?"

"Eu sou advogada e divido apartamento com um amigo do trabalho. Agora que estamos fazendo home office, nos instalamos na mesa de jantar, já que não temos escritório. É uma mesa redonda: do lugar em que eu fico, quando ligo a câmera, só aparece uma parede no fundo. Já do lugar dele, é possível ver o hall que dá para a porta de saída. Caso ele deixe o computador um pouco mais para o lado, dá para ver também o corredor que dá para a cozinha, os banheiros e os quartos. Sempre peço que tenha atenção à isso, porque é um local por onde passamos toda hora. Mesmo assim, ele costuma esquecer e deixar o computador um pouco torto.

Toda quarta-feira temos uma reunião com a equipe para nos atualizar e dividir tarefas. Nós dois participamos juntos: ao todo são 31 pessoas envolvidas. Em um dos dias, terminei de falar minha parte e levantei para pegar um copo de água. Eu estava usando um shorts curto de pijama e, como ele estava desajeitado, dei tipo uma coçadinha no bumbum para ele voltar para o lugar. Foi instintivo, na hora, nem percebi que fiz isso. Quando voltei para a mesa, meu amigo disse que recebeu uma mensagem de outro dos advogados que trabalha com a gente dando risada e perguntando que coçadinha tinha sido aquela.

Então descobri que, justo na hora em que estava passando no corredor, era a vez do meu colega de apartamento de falar. Na ferramenta que usamos, quem está falando aparece em tela grande para os demais. Ou seja: quando mexi no shorts, estava aparecendo no computador dos meus outros 30 colegas de trabalho. Na hora fiquei bem brava, porque pensei que poderia ter sido pior: eu poderia estar com uma roupa ainda mais curta ou qualquer coisa do tipo. Só depois que a raiva passou foi que conseguimos dar risada sobre os perrengues da quarentena".

Camila*, advogada, 25 anos

"Professora, tem um homem se trocando atrás de você"

"Agora as minhas aulas da faculdade são ministradas à distância. Neste dia, nossa professora não estava usando slides, então a sua imagem era a principal da tela. Era possível ver que estava em um quarto, porque atrás dela havia uma cama. De repente entrou um homem no ambiente. Não haveria problema nenhum se ele não estivesse com uma toalha em volta da cintura. Ele sentou e deu a entender que estava colocando um shorts, porque ficou em pé e terminou de levantar a roupa.

Nossa sala tem 50 pessoas. De repente começaram a chegar mensagens no grupo do Whatsapp, porque ninguém sabia o que fazer. Eu até liguei o áudio para tentar falar, mas não conseguia porque estava rindo. Então ficamos preocupados porque sabemos que essa aula é gravada pela instituição de ensino e achamos que ela poderia se prejudicar. Foi por muito pouco que não vimos mais do que deveríamos. Então alguém da sala tomou coragem e avisou: 'Professora, tem um homem atrás de você'.

Ela olhou para trás e pediu desculpas, dizendo que se tratava do seu irmão. Disse que costumava pedir para ele não entrar no quarto, mas que no fundo ele não estava errado, porque era ela quem estava ocupando seu espaço. Pensamos que pode ser porque ali há mais silêncio ou a internet pega melhor. Sei que na hora ela não entendeu que ele estava sem roupa, porque quando se virou, ele já estava todo trocado, se preparando para sair do cômodo. Ninguém mais conseguiu prestar atenção na aula naquele dia".

Letícia Rodrigues, 23 anos, estudante

*O nome foi trocado a pedido da entrevistada

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