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Professora denuncia abuso sexual de tios na infância: 'Ainda dói bastante'

Flávia Rocha Santos, de 26 anos - Reprodução/Instagram
Flávia Rocha Santos, de 26 anos Imagem: Reprodução/Instagram

De Universa, em São Paulo

03/06/2020 21h33

A professora Flávia Rocha Santos, de 26 anos, decidiu hoje denunciar os abusos sexuais que sofreu há mais de 10 anos, na infância e na adolescência.

Em vídeo gravado no Instagram, ela conta que foi molestada mais de uma vez por dois tios, irmãos de sua mãe, e mais tarde molestada e estuprada por um amigo da família. Além de ter sido vítima de abusos, ela teve que conviver com seus agressores.

"Ainda dói bastante", começa. "Na época [minha mãe] não tinha televisão e ia ver TV na praça. Então ela me deixava dormindo na casa da minha avó, achando que lá eu estava segura, e enquanto ela assistia às novelas os abusos aconteciam, no sofá da sala. Meus dois tios. Primeiro vinha um, fazia o que queria, depois vinha o outro. E eu ali sem entender, com vergonha, fingia que estava dormindo."

Ela vive em Ipiaú, na Bahia, onde o caso foi registrado.

Anos depois, aos 14, Flávia voltou a ser vítima de crimes sexuais — dessa vez o agressor não era da família, mas era "uma pessoa conhecida, em quem todo mundo confiava", conta.

Ela e as amigas decidiram fazer um curso de informática em uma cidade próxima, mas de difícil acesso, e decidiram pernoitar na casa deste homem, que era amigo de sua família de longa data.

"Ele tinha uma casa em Barra do Rocha e, como lá em Tapirama o acesso por carro era muito difícil, a gente dormia lá. Fui a primeira vez com as minhas amigas, a segunda, a terceira e até então tudo bem, era uma pessoa boa, que cuidava da gente", lembra. "Até que um dia eu acordei e estava sendo molestada por ele, com as meninas todas deitadas ao lado".

Flávia conta que, mais uma vez, fingia estar dormindo por vergonha. No dia seguinte, ela relata, o agressor "olhou para minha cara e falou: 'É virgem né'". Um ano depois, ele a estuprou, na mesma situação.

"Estava eu lá de novo, dormindo com as minhas amigas na casa dele, quando acordo no meio da noite sendo estuprada. No outro dia ele disse para as minhas amigas que estava namorando e que gostava muito de mim. Mais uma vez, não consegui falar nada", disse.

A professora conta, em lágrimas, que estupros aconteceram duas vezes e que ela nunca denunciou por vergonha e medo da reação dos pais.

Ela finalmente sentiu coragem depois que a irmã contou à família, pelo WhatsApp, que tinha sofrido os mesmos abusos.

"Ficar calada tem me atormentado, todos esses anos sofrendo calada, até que ontem minha irmã teve coragem e postou no grupo da família que foi molestada pelo mesmo tio que me molestou. Então eu resolvi falar", explica. "Eu só vim entender que tinha sido violentada, estuprada, aos 18 anos, até então eu não sabia o que estava acontecendo".

Ao final do vídeo, Flávia faz um alerta: "Cuidem de nossas crianças, eu não quero que aconteça com ninguém nada do que já aconteceu comigo".

Violência contra a mulher