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Estupro dentro de igreja e morte de universitária deixam Nigéria em choque

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Imagem: iStock

De Universa, em São Paulo

02/06/2020 12h03

A morte brutal de uma estudante de 22 anos, estuprada dentro de uma igreja na Cidade do Benim, na Nigéria, causa revolta no país, diz o site da rede americana de notícias CNN. Vera Uwaila Omozuwa morreu no hospital no sábado (30), três dias após ser atacada no local onde deveria encontrar paz.

A jovem fazia parte do coral da Igreja Cristã Redentora de Deus (RCCG), uma das maiores no país, e aproveitava o silêncio e a tranquilidade para ali estudar desde que foram impostas restrições de convívio social por causa da pandemia do novo coronavírus.

"Estamos todos devastados com a sua morte. Ela decidiu fazer alguns estudos particulares durante o bloqueio porque a igreja estava tranquila. Ela pegava a chave com o pastor da paróquia e a devolvia após seus estudos", disse o porta-voz da igreja, Olaitan Olubiyi.

"Mas, naquele dia, ela não a devolveu, e o guarda noturno a encontrou em uma poça de seu próprio sangue e seminua no salão da igreja", acrescentou.

A universitária chegou a ser levada para um hospital, mas morreu dias depois.

Um porta-voz da polícia da Nigéria descreveu a morte de Omozuwa como um "ataque brutal" e disse que a corporação "iria identificar os autores do ato insensível no menor tempo possível".

"Seu corpo estava cheio de sangue"

Em uma entrevista à Town Crier, uma plataforma de mídia local, a mãe de Omozuwa, que não foi identificada, descreveu como ela foi informada da morte da filha por um vizinho.

"Eu corri [para a igreja], mas antes de chegar lá, eles a levaram para um hospital particular, e quando eu vi minha filha, eu chorei. Eles a estupraram. O vestido que ela usava naquela manhã era branco. O branco virou vermelho. Todo o seu corpo estava cheio de sangue", disse ela.

A CNN também falou com o pai de Omozuwa, Joseph, que disse que os médicos afirmaram que ela foi estuprada.

"Minha filha era muito gentil, muito inteligente e disciplinada. Tínhamos acabado de celebrar sua admissão na universidade."

"Justiça por Uwa"

O assassinato da jovem causou indignação nas redes sociais, onde a hashtag #justiceforuwa (justiça por Uwa) chegou aos assuntos mais comentados do Twitter. Milhares de pessoas pedem que sejam tomadas ações contra os criminosos.

A igreja RCCG é uma das maiores denominações religiosas do país, com centenas de paróquias. Também possui filiais no Reino Unido, Índia, EUA, Canadá, África do Sul, Austrália, entre outros países, de acordo com seu site.

Seu superintendente geral, Enoch Adeboye, um dos líderes religiosos mais reverenciados da Nigéria, emitiu um comunicado no domingo (31) dizendo que a igreja iria orar pela família de Omozuwa.

"Eu e membros da minha família condenamos esse ato com veemência e pedimos a todos que permaneçam calmos, já que estamos analisando o assunto e cooperando com a polícia para estabelecer os fatos dessa situação chocante", ele disse.

Resposta "inadequada"

Embora as autoridades não tenham confirmado se Omozuwa foi agredida sexualmente, a Anistia Internacional da Nigéria está descrevendo o ataque como um estupro. O grupo de direitos humanos emitiu uma declaração pedindo uma resposta mais forte do governo.

"Enquanto o país ainda está lidando com essa grave violação, no estado de Jigawa, 11 homens foram presos por estuprar uma menina de 12 anos em Limawa in Dutse, a capital. Embora o estupro seja um crime na Nigéria, a resposta do governo a isso continua a ser lamentavelmente inadequada", segundo o comunicado publicado no Twitter.

"Estamos profundamente preocupados com o fato de estupradores na Nigéria sempre escaparem da punição", diz a organização sem fins lucrativos.

O governador do estado de Edo, onde ocorreu o crime contra Omozuwa, também divulgou um comunicado dizendo que ordenou uma investigação sobre sua morte.

"Eu ordenei que a Força Policial da Nigéria investigasse minuciosamente as circunstâncias que levaram à morte da Srta. Vera Uwaila Omozuwa, uma estudante da Universidade do Benin (UNIBEN)", disse o governador Godwin Obaseki no Twitter.

Violência contra a mulher