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Inspirada por Lady Gaga, ela denunciou gordofobia e machismo do ex na rede

Inspirada por Lady Gaga, Amanda relata relacionamento abusivo que sofreu por dois anos - Arquivo pessoal
Inspirada por Lady Gaga, Amanda relata relacionamento abusivo que sofreu por dois anos Imagem: Arquivo pessoal

Luiza Souto

De Universa

31/05/2020 04h00

A paulistana de Assis Amanda Tiemann, 26, sempre foi gorda. Sofreu bullying na escola por causa do peso, mas diz que isso jamais a incomodou ou a fez buscar qualquer intervenção para emagrecer. "Na escola, temos grupos e aprendemos e criamos escudos. O nível de envolvimento emocional não chega nem perto de um relacionamento abusivo", ela explica.

Estava em paz consigo mesma. Até namorar uma pessoa, que entre outras coisas, dizia que "não tinha mais atração", "estava desanimadíssimo" e que "detesta gente gorda".

Mesmo assim, o relacionamento durou dois anos — tempo suficiente para fazer Amanda começar a acreditar que tudo que acontecia em sua vida era por causa do peso, e que o então namorado estava certo. Ela deu um basta em 2015, após descobrir traições, inclusive com sua ex-melhor amiga.

"Foi muito abuso em um relacionamento só. Por isso tanto tempo para eu recuperar meu psicológico", ela afirma.

Somente agora a fotógrafa e historiadora criou coragem para contar tudo que lhe aconteceu, inspirada no novo álbum de Lady Gaga, que traz referências ao poder feminino.

Em seu Twitter, Amanda fez uma série de posts falando que sempre foi gorda, até que emagreceu muito. "Meu emagrecimento foi natural, provavelmente com a regulação de hormônios. Estava trabalhando e estudando muito", ela conta a Universa.

Foi nessa época, enquanto magra, que ela iniciou um namoro, e estava indo tudo bem até voltar a engordar — e sofrer gordofobia. O ex começou a insistir que ela voltasse ao peso anterior.

"A desculpa é que a pessoa está sempre preocupada com você e ela está falando isso porque te ama. E a pessoa tenta a todo custo te convencer de que ela só está falando para você emagrecer para o seu próprio bem", escreveu Amanda, para em seguida mostrar prints de conversas entre os dois.

Pelas mensagens trocadas, vê-se que o homem compara Amanda a outras pessoas que faziam dieta, sugerindo que ela as copiasse. E ainda a critica por gastar dinheiro.

"Vocês conseguem ter noção do quanto a gordofobia, junto com o machismo, são violências tão naturalizadas que um homem se sente no direito de falar isso pra uma mulher?", ela questiona.

Por causa do preconceito, Amanda fala que passou a associar tudo que dava errado em sua vida ao seu peso. "Se eu fosse magra, isso não acontecia", ela pensava. Ela diz que passou a se esconder em roupas que lhe fizesse parecer magra, e não mostrava os braços. E passava dias sem comer, tentando emagrecer.

Hoje, ela tem acompanhamento profissional e diz que está num relacionamento saudável com alguém que a apoia. A Universa, ela explica que criou coragem para falar sobre isso somente agora, depois de um processo "lento e doloroso". E que Lady Gaga foi sua grande inspiração.

"Venho em um processo de amadurecimento e compreensão do meu corpo, desenvolvendo meu amor-próprio. Tenho amigos e um namorado que sempre me deram força e procuram me ajudar a ver a beleza que muitas vezes o trauma não me deixou ver", ela diz.

"Tenho uma conexão muito forte com as artes e sobretudo com a música. E a Lady lançou um álbum agora [em 29 de maio] e em uma das músicas ela fala: 'Eu ainda sou alguma coisa se eu não tenho um homem. Eu sou uma mulher livre' [a canção é Free Woman]. E escutando essa música me deu um start de colocar pra fora o que já estava sendo trabalhado fazia muito tempo."

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