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"Qualidade de vida dos negros é diferente fora dos EUA", diz americana

Imani Bashir saiu dos EUA por causa do racismo - Reprodução/Instagram @sheisimanib
Imani Bashir saiu dos EUA por causa do racismo Imagem: Reprodução/Instagram @sheisimanib

De Universa

30/05/2020 12h41

Num artigo publicado no jornal americano "The New York Times", a escritora americana Imani Bashir relatou que foi por causa da morte da norte-americana negra Sandra Bland, encontrada enforcada numa cela no Texas, em 2015, após ser presa durante uma parada de trânsito, a fez sair dos EUA, para nunca mais voltar.

Ela escreveu o texto contando os motivos que levaram-na a sair de seu país após o assassinato de George Floyd pelas mãos de um policial de Minneapolis.

Após a morte de Sandra, considerada como suicídio, Imani saiu de Washington, DC, rumo ao Cairo, capital do Egito, onde conheceria o marido, treinador de futebol americano.

"Meu marido é um negro americano nascido e criado no lado leste de Buffalo, NY, lugar onde ele perdeu mais de 30 amigos antes de completarem 25 anos. Lá, os negros representavam 14% da população total, mas 43% das detenções. Essa é uma realidade que meninos e homens negros continuam enfrentando em todo o país", ela descreve no artigo.

Quando os dois decidiram se casar, ela conta, pensaram onde poderiam criar uma família com segurança, e que voltar aos Estados Unidos e ter um bebê naquele país estava fora de questão.

"Eu dei à luz nosso filho Nasir em fevereiro de 2017. Ele nasceu em Szczecin, na Polônia, onde meu marido havia sido contratado. Recusei-me a tentar dar à luz nos Estados Unidos porque as mulheres negras têm uma probabilidade três a quatro vezes maior de morrer durante a gravidez, o parto e o pós-parto do que as mulheres brancas. Bebês negros têm uma taxa de mortalidade infantil mais alta que os bebês de qualquer outra raça. Eu simplesmente queria que continuássemos vivos, e não podia confiar que esse seria o resultado se eu ficasse na América".

Depois que Nasir completou 2 anos, ela relata, o casal mudou-se para o Egito, depois China, sem nunca ter sentido olhares estranhos.

Mas Imani começou a se perguntar, porém, se o carinho com que as pessoas demonstravam por seu filho mudariam após ele crescer, e quando dividiu essa angústia com uma amiga americana que tem quatro filhos, entrou em pânico:

"Ela me disse que isso muda por volta dos 10 anos [da criança]. É aí que você começa a ouvir professores alegando que seu filho tem problemas comportamentais e quando as mulheres começam a agarrar suas bolsas ou a passar rapidamente para evitar o contato com seu garoto".

Imani exemplifica com dados o que a amiga quis dizer: nos Estados Unidos, as crianças negras enfrentam punições mais severas e ações disciplinares mais frequentes contra elas do que qualquer outra raça em um ambiente escolar.

Fala ainda que crianças negras têm 18 vezes mais chances de serem julgadas como adultos do que crianças brancas por crimes semelhantes. E, de acordo com a American Psychology Association, meninos negros de até 10 anos são vistos como mais velhos e menos inocentes que meninos brancos.

"O racismo existe em todo lugar? A resposta curta é sim, mas nossa qualidade de vida é muito diferente dos americanos negros que escolhem viver fora dos Estados Unidos. A angústia de se preocupar com contas e dívidas é menor do que desfrutar plenamente de onde moramos".

E conclui.

"Pela nossa experiência, a polícia em outras partes do mundo é muito mais gentil e não interage muito conosco. A maioria dos países em que vivemos possui leis muito mais rígidas sobre armas do que os Estados Unidos, e certamente não permitem que os policiais usem uma arma contra o filho de alguém sem punição severa. Nasir pode brincar com uma arma de brinquedo sem a ameaça de que lhe serão devolvidos tiros reais e perder a vida".

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