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Após medida protetiva, mulher é assassinada em SP; marido é suspeito

Franciele estava sob medida protetiva contra marido; suspeito já foi preso pela lei Maria da Penha - Reprodução
Franciele estava sob medida protetiva contra marido; suspeito já foi preso pela lei Maria da Penha Imagem: Reprodução

Marcelo Casagrande

Colaboração para Universa, em Araçatuba

18/05/2020 18h05Atualizada em 18/05/2020 20h55

Uma mulher de 32 anos foi morta a pauladas, ontem à noite, em Panorama, a 681 km de São Paulo. O marido dela, Elias de Azevedo, 34, apontado como suspeito do crime, foi preso na noite de hoje, na casa da mãe dele. O local onde foi flagrado pela polícia fica no mesmo bairro da cena do crime.

Um policial civil informou a Universa que Franciele Martins Domingues da Conceição tentou pular o muro durante a discussão, mas foi surpreendida pelo marido em um terreno que fica ao lado da casa em que moravam. As agressões só terminaram quando uma testemunha viu o que estava acontecendo e gritou por socorro.

Franciele chegou a ser levada ao Pronto Atendimento Municipal, mas não resistiu aos graves ferimentos na cabeça e morreu. O cabo de machado que foi usado no crime mede cerca de 60 centímetros e foi apreendido pela polícia.

Universa apurou que quatro dos cinco filhos da vítima teriam presenciado as agressões. Elias é pai do filho caçula, de 5 anos. Os demais são frutos de outros relacionamentos de Franciele.

Histórico de violência

Os casos de violência doméstica eram constantes entre o casal. A situação era tão grave que Elias foi preso em janeiro deste ano, após ser enquadrado na Lei Maria da Penha, por violência doméstica contra Franciele.

Mas a prisão não durou muito. A Justiça atendeu ao pedido de liberdade provisória em nome de Elias, após pedido feito pelo advogado do suspeito em 25/03. Na decisão que a reportagem teve acesso, consta ainda a informação de que a medida protetiva - que estava em vigor até então - foi revogada.

"Segundo consta dos autos, a vítima, após a concessão das medidas protetivas em seu favor, compareceu espontaneamente nos autos, requerendo a revogação das medidas adotadas. [...] a vítima declarou expressamente que está se reconciliando com o averiguado", descreve a decisão.

Após a liberdade, Elias voltou a morar na casa com a família e não demorou para que os casos de violência recomeçassem. Em 10/05, dia das mães, uma nova briga terminou em violência. A Justiça, mais uma vez, acatou o pedido de medida protetiva, que impedia que Elias se aproximasse de Franciele. A morte veio uma semana depois.

"Ela já tinha sido ferida com faca em brigas anteriores. Não entendo o que fez ela perdoá-lo mais uma vez", disse a Universa, uma parente da vítima, na condição de ter a identidade preservada.

O relacionamento dos dois, segundo essa parente, era uma tragédia anunciada. "Todo mundo sabia que ele não ia mudar. Cedo ou tarde o grau da violência seria maior", afirmou a parente que complementou: "Ela era tão boa, com o coração tão puro, que conseguiu enxergar coisas boas em um cara como ele".

Sinais eram constantes

Franciele costumava usar as redes sociais para falar sobre o relacionamento. Nas publicações, ficavam claros os altos e baixos do casal. "Queria tanto acordar desse pesadelo que estou vivendo e mostrar para todos que amor verdadeiro não acaba", postou a vítima.

Dois dias mais tarde, após uma sequência de fotos ao lado do marido e dos filhos o teor do texto já era diferente: "Família é um projeto de Deus. Perco tudo, mas nunca perco a fé de restituir minha família".

A última foto postada dias antes de morrer foi ao lado de Elias e continha uma legenda com declaração de amor: "A verdadeira felicidade é aquela que faz bem pro coração. Só quem ama de verdade sabe o que é verdadeiramente ser feliz. Te amo, minha melhor metade".

Violência contra a mulher