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Mães e filhos

Como Karina Bacchi, elas pararam tratamento para gravidez devido à pandemia

Karina Bacchi - Reprodução / Instagram
Karina Bacchi Imagem: Reprodução / Instagram

Ana Bardella

De Universa

14/05/2020 15h12

Karina Bacchi anunciou pelo Instagram que interrompeu seu tratamento de fertilização in vitro devido ao novo coronavírus. A apresentadora de TV, de 43 anos, já é mãe de Enrico, de 2 anos, fruto de uma produção independente. Agora, casada com o ex-jogador de futebol Amaury Nunes, estava em busca da segunda gestação, também via fertilização — uma vez que precisou passar por uma cirurgia de retirada das trompas há alguns anos, o que a impede de engravidar sem a intervenção médica. No entanto, devido ao cenário atual, decidiu adiar os planos.

Em postagem nas redes sociais, explicou: "Bebê a bordo? Ainda não. Quais planos você teve que adiar por conta da pandemia? Por aqui, pausamos tratamentos para a nova fertilização por enquanto. Mas o desejo ainda permanece e seguimos com fé".

Qual a recomendação dos médicos?

A ginecologista e obstetra Claudia Gomes Padilla, especialista em reprodução humana da clínica Huntington, concorda que é preciso cautela durante o período. "A ciência ainda não tem o conhecimento necessário para afirmar que é totalmente seguro embarcar em uma gestação atualmente. A princípio, não há transmissão da mãe para o bebê durante a gravidez e a contaminação materna também não implicaria em malformações, como acontece, por exemplo, com o zika vírus", explica.

No entanto, a médica ressalta que estudos recentes apontam para a possibilidade da presença de vírus no sêmen e casos de recém-nascidos com Covid-19 estão sendo estudados. "A medicina busca entender se eles nasceram com o vírus ou foram contaminados logo depois de saírem do ventre das mães", diz. Por essa razão e também devido ao isolamento social, o aconselhamento dos médicos é evitar a gestação até que a taxa pessoas contaminadas pela doença diminua.

O outro lado, porém, também deve ser considerado. "Mulheres ou casais que desejam ter um filho, mas enfrentam dificuldades, sabem o quanto a situação é angustiante. É preciso considerar o ponto de vista humano e autonomia feminina em optar ou não por correr o risco", complementa.

Fernando Prado, ginecologista e obstetra, diretor técnico da clínica de reprodução assistida Neo Vita, concorda. "Os casos devem ser avaliados individualmente. Se for constatado pelos profissionais da saúde urgência em dar prosseguimento na tentativa gravidez, uma vez que o adiamento poderia diminuir as chances ou impedir a gestação, as clínicas estão seguindo todas as recomendações para diminuir o risco de contágio durante o processo", diz.

Claudia esclarece quem se encaixa nesta categoria: "Mulheres acima de 38 anos, com reservas de óvulos muito baixas ou que farão um tratamento que pode prejudicar a ovulação, tal como o de câncer ou cirurgias uterinas". Quem não se encaixa no grupo tem a opção de adiar o início do tratamento ou seguir até o congelamento de óvulos e esperar alguns meses para dar andamento na tentativa de engravidar.

Mulheres que adiaram tratamentos para engravidar compartilham suas histórias:

Assim como Karina Bacchi, muitas mulheres em tratamento optam por adiar as tentativas de gravidez. A seguir, duas pacientes de clínicas de fertilização contam suas experiências:

"É um procedimento caro e prefiro fazer quando estiver tranquila"

"Sou casada há três anos e não tenho filhos. Em 2018, senti a vontade de ser mãe e decidimos tentar. Fui ao ginecologista, fiz exames e alguns dos resultados vieram alterados. Mesmo assim, passamos seis meses tentando da forma tradicional. Sem sucesso, procuramos uma clínica especializada. Após a realização de exames mais aprofundados, vimos que minha reserva de óvulos estava baixa e que as chances de conseguir de forma natural eram pequenas".

"Em setembro, começamos o processo da fertilização. Primeiro tomei as injeções de hormônio, em seguida passei pela coleta dos óvulos. Até chegamos a fazer a primeira tentativa, mas não deu certo a formação do embrião. Antes da pandemia estourar, estava tomando uma medicação para espessar a parede do útero. Assim que atingisse oito milímetros, poderia dar andamento no processo. Já estava em seis milímetros e meio quando a quarentena começou e precisei parar".

"Se tivesse dado prosseguimento à fertilização, o procedimento de implantação do embrião ocorreria bem no pico da pandemia. Além disso, pensei na rotina que precisaria estabelecer caso confirmasse a gravidez: o pré-natal, as consultas. Imaginei que se algo acontecesse, precisaria ir ao pronto-socorro e decidi que iria suspender por um período. É um procedimento caro e prefiro fazer quando estiver tranquila. Claro que é frustrante, mas acho que tudo tem seu tempo".

"Procuro focar no lado bom da minha vida no momento. Eu e meu marido trabalhamos 100% em home office e saímos o mínimo possível. Agradeço por isso, faço atividades físicas em casa e busco acreditar que o sonho da maternidade foi apenas adiado, mas em breve vai se concretizar. Se é algo que posso programar, prefiro deixar para quando o mundo estiver menos conturbado". Luiza Almeida, 35 anos, defensora pública

"O mais difícil é lidar com a expectativa frustrada"

"Sempre tive o sonho de ser mãe. Quando era criança, se alguém me perguntasse o que eu queria ser, respondia 'dona de casa'. Isso mudou com o tempo por causa do meu trabalho, mas até hoje essa vontade não deixou de existir. Sou casada há cinco anos e meu marido tem uma doença genética. Caso engravidássemos de forma natural, o risco de transmiti-la para a criança era alto, por isso já estava acostumada com a ideia da fertilização".

"Nos programamos financeiramente para o processo e até fizemos a nossa 'última viagem sem filhos' no Carnaval. Com todo um calendário estabelecido, a ansiedade é grande. Procuramos a clínica, realizamos exames e estava aguardando o período menstrual para começar a estimulação ovariana. Cheguei a comprar os remédios para dar início, mas com o início da pandemia, tive que adiar tudo. A parte mais complicada é lidar com a expectativa frustrada, mas estou em home office, trabalhando bastante e faço exercícios físicos, o que tem me ajudado a manter a mente distraída durante esta fase". Fernanda Rodrigues, 32 anos, nutricionista

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