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Mães e filhos

Como Adele e o ex-marido: dicas para uma guarda compartilhada saudável

A cantora britânica Adele (FOTO: Reprodução) - A cantora britânica Adele (FOTO: Reprodução)
A cantora britânica Adele (FOTO: Reprodução) Imagem: A cantora britânica Adele (FOTO: Reprodução)

Ana Bardella

De Universa

14/05/2020 18h12

De acordo com a People, a cantora Adele e o ex-marido Simon Konecki estão vivendo na mesma rua em Los Angeles, nos Estados Unidos, um na frente do outro. O veículo apurou que o ex-casal tomou a decisão em prol do filho Angelo, de 7 anos. A proximidade tornaria mais fácil a guarda compartilhada do garoto.

Não são todos os casais no entanto, que conseguem manter a convivência harmônica depois da separação. Pelo contrário, muitos vivem em pé de guerra, mesmo quando optam pela guarda compartilhada dos filhos. Entenda a seguir os principais erros e como corrigi-los nesta situação:

O que atrapalha

Ter uma convivência pacífica em nome da educação dos filhos nem sempre é fácil. A psicóloga Triana Portal explica que os sentimentos do passado costumam atrapalhar os casais nessa missão. "A separação geralmente desperta mágoa, rejeição, raiva ou outros tipos de emoções negativas. No mundo ideal, os pais deveriam deixar estas questões de lado em benefício das crianças, mas na prática isso dificilmente acontece".

Como exemplo de erro comum cometido pelos ex-casais, ela cita usar os filhos para atingir o ex. "Por exemplo quando a mãe inicia um novo relacionamento e o pai decide investigar a pessoa através da criança. 'Como ele chama?', 'O que ele faz?'. Isso pode fazer com que ela se sinta usada".

Também não é indicado falar mal do ex-parceiro na frente dos mais novos, uma vez que eles tendem a se sentir confusos e na obrigação de tomar um partido, embora sintam afeto tanto pelo pai quanto pela mãe.

Guarda compartilhada, decisão conjunta

Na opinião da profissional, para que a guarda compartilhada funcione bem, é preciso que ambas as partes coloquem como prioridade o bem-estar do filho. "Existem pais que chegam ao extremo de fazer a criança se trocar antes de ir para a residência de um ou de outro, porque não querem que ela leve determinada peça de roupa para a casa do ex-parceiro".

Atitudes como esta formam na criança a percepção de que o mundo é um lugar instável e dificilmente ela consegue se sentir segura - o que pode impactar inclusive, em transtornos na vida adulta. "O ideal seria que os pais se perguntassem sempre: 'Ele está feliz? Está satisfeito? A decisão que tomamos vai ajudar no seu desenvolvimento?' e resolvessem os conflitos entre si partindo desse princípio".

Rotina bem estruturada, mas flexível

Outro requisito da guarda compartilhada é a organização de ambas as partes: faz bem para a criança saber o que esperar quando chega o fim de semana e ter a certeza de que estará bem acomodada, independentemente da companhia do dia. "Porém é necessário ser flexível de vez em quando", pontua a psicóloga.

Se a festa de aniversário de um tio ou de uma prima coincidir com a data em que estará na convivência do outro lado da família, não custa readaptar a agenda para que ele possa comparecer ao evento.

"Além disso, crianças têm fases. Um bebê de dois ou três anos pode sentir uma necessidade maior de ficar próximo da mãe, por exemplo. Isso não quer dizer que ela não goste mais do pai ou que a relação entre eles esteja estremecida". Quando estiver mais velha, esta mesma criança pode desejar mais a companhia masculina, por diferentes razões. Tudo isso deve ser levado em conta no momento de divisão das agendas.

Cuidado com as palavras

É preciso dizer a verdade para as crianças. "Agora, estamos passando pela fase do isolamento social. Se, por esse motivo, o filho ficar afastado por um mês do pai, por exemplo, é necessário deixar claro as razões pelas quais esta separação está acontecendo".

Como crianças ainda estão construindo a ideia de culpa, tristeza, medo, saudade. "Uma frase como 'Eu nunca mais quero ver o fulano na minha frente' pode ser apenas uma forma de expressão para um adulto, mas deixar profundamente assustada uma criança, porque elas não têm conhecimento de que no futuro tudo pode se resolver". Brigas podem gerar nelas ansiedades e desesperos maiores do que nas pessoas mais velhas.

Tudo bem errar e admitir

Por fim, a psicóloga ressalta que tanto o pai quanto a mãe irão cometer falhas na educação de seus filhos. "Se um dia, com a cabeça quente, você acabou falando demais na frente da criança, o melhor é não se culpar demais por isso. Pelo contrário, admitir para ela que passou dos limites e encarar o episódio como um aprendizado, algo que não se repetirá no futuro", indica.

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