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Miss morta a facadas era referência em cidade no AM e sonhava ser dentista

12.mai.2020 - Kimberly Karen Mota de Oliveira, miss morta a facadas no AM  - Reprodução/Facebook
12.mai.2020 - Kimberly Karen Mota de Oliveira, miss morta a facadas no AM Imagem: Reprodução/Facebook

Abinoan Santiago

Colaboração para Universa, em Ponta Grossa (PR)

13/05/2020 04h00

A modelo encontrada morta a facadas ontem no apartamento do ex-namorado, em Manaus, estava vivendo a realização de um sonho. Kimberly Karen Mota de Oliveira, de 22 anos, finalmente havia conseguido ingressar no curso de odontologia neste ano e queria seguir a carreira na área da saúde.

Atual miss Manicoré, ela também virou orgulho e referência na cidade de 55 mil habitantes, depois de levar o nome do município à final do Miss Amazonas 2019. É o que relatam familiares e amigos ouvidos por Universa.

A miss teve três perfurações de facadas. O ex-namorado é suspeito, segundo a Polícia Civil. O homem, de 31 anos, não teria aceitado o fim do relacionamento, que durou apenas dois meses. Ele é funcionário público e estaria há pouco tempo em Manaus, onde conheceu Kimberly.

A miss desapareceu no domingo (10). Por volta das 20h, os parentes não conseguiram mais contato. O corpo foi encontrado hoje após uma amiga acionar um tio, que indicou à Polícia Militar (PM) onde o ex-namorado da jovem mora, no centro de Manaus. Os militares arrombaram o imóvel e avistaram o corpo de Kimberly.

A amiga da modelo indicou a casa após vê-la entrando no carro do suspeito na tarde de domingo.

Kimberly Karen Mota de Oliveira - Reprodução/Facebook
Kimberly Karen Mota de Oliveira
Imagem: Reprodução/Facebook

De família humilde, a miss entrou na faculdade depois de concluir o curso de técnico em enfermagem, em Manaus. A família deu conta do desaparecimento quando Kimberly deixou de responder às mensagens.

"O último contato dela foi com a mãe, desejando um feliz Dia das Mães. A Kimberly era uma pessoa que não deixava de avisar para onde iria e isso preocupou. Ela estava realizando um sonho de cursar odontologia. Apesar de não trabalhar na área, queria seguir a carreira", contou Elma Vieira, tia de Kimberly.

"Era uma menina super do bem e responsável. Como você pode ver nas redes sociais, era querida por muita gente. Vivia com o sorriso no rosto. Era cheia de sonhos e sempre falava em querer concluir os estudos e seguir na carreira", complementou o irmão da miss, Max Richard.

"Era o orgulho da cidade", diz amiga

Natural de Manicoré, o corpo da miss chegou no início da tarde de ontem na cidade. Não teve velório devido à pandemia do novo coronavírus, pois a cidade tem cinco casos confirmados. O cortejo do aeroporto ao cemitério, contudo, foi acompanhado por dezenas de pessoas. Nas redes sociais, a prefeitura lamentou a morte da jovem.

"Muita gente acompanhou o cortejo em Manicoré. Era o orgulho da cidade. Como o município tem uma festa tradicional, que é o Festival da Melancia, a Kimberly sempre marcava presença e divulgava o evento. Não teve velório, só o cortejo e as autoridades não conseguiram conter a aglomeração", contou Elma Vieira.

Segundo amigos, por ter levado o nome do município à final do Miss Amazonas 2019, Kimberly virou referência para outras meninas da cidade.

"Como todos sabem, ela sempre foi uma pessoa humilde, encantadora e incapaz de causar mal a qualquer pessoa. Tudo isso que aconteceu com ela é revoltante. Era o orgulho da cidade, uma inspiração para muitas meninas por ser de uma cidade humilde e ter chegado onde chegou. Mostrou para todos que sonhar e realizar não é impossível, independentemente se você é de uma família humilde ou não", acrescentou Mikaellen Castro, amiga de Kimberly desde 2019.

Investigação

Segundo a Polícia Civil, a modelo estava dentro do apartamento do ex-namorado, que é natural de São Bernardo do Campo (SP). Ele seria funcionário público do Tribunal de Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo e estaria há pouco tempo em Manaus, após passar por um processo de separação da ex-mulher.

A modelo foi encontrada em um imóvel na avenida Joaquim Nabuco. A arma supostamente usada no crime foi achada pela perícia ainda no apartamento. Segundo a Polícia Civil, o namoro do casal durou apenas dois meses.

O caso é investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). A investigação apurou que o Aeroporto Internacional de Manaus não registrou a saída do suspeito, descartando em tese, a fuga por por via aérea.

A Polícia Civil ainda afirmou ter poucas informações sobre o suspeito. A investigação quer saber, por exemplo, a motivação da ida dele para Manaus, já que era funcionário do TRT em São Paulo.

Violência contra a mulher