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Após discutir com a mulher por ciúme, homem joga gasolina e ateia fogo nela

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Simone Machado

Colaboração para Universa

07/05/2020 15h54

Uma mulher de 39 anos está internada em estado grave após ter tido parte do corpo queimada pelo marido durante uma discussão. O caso aconteceu no domingo (2), em Rio Verde, sudoeste de Goiás. O homem, de 34 anos, foi preso na noite de segunda-feira e vai responder por tentativa de feminicídio.

Segundo a Polícia Civil, a vítima, que não teve o nome divulgado, estava na residência em que morava com o homem, no centro da cidade, quando o casal começou uma discussão motivada por ciúmes dele e uma suposta traição.

No dia do crime, testemunhas relataram à Polícia Militar que, durante a briga, o homem pegou um galão de gasolina, jogou o líquido na mulher e em seguida ateou fogo. Após ser atacada, a vítima conseguiu correr para a rua e pediu socorro para os vizinhos, que apagaram as chamas e chamaram o atendimento médico.

A mulher foi encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento da cidade, onde recebeu os primeiros atendimentos, e depois transferida para um hospital em Goiânia. A Polícia Civil não soube informar para qual unidade de saúde a mulher foi levada, mas informou que o estado de saúde dela é grave. A vítima já havia pedido anteriormente uma medida protetiva contra o parceiro, mas depois deu mais uma chance e voltou para ele.

Fuga após o crime

Depois de cometer o crime, o suspeito fugiu entrando em uma mata próxima da casa do casal. No entanto, ele foi localizado na segunda-feira pela Polícia Militar às margens da rodovia BR-060 tentando pegar carona para fugir da cidade.

Segundo a PM, eles chegaram ao local depois de uma denúncia. Com as características físicas do suspeito, conseguiram encontrá-lo e prendê-lo. Ele foi levado para a 8ª Delegacia Regional de Polícia, onde foi preso em flagrante por tentativa de feminicídio.

A delegada responsável pelo caso, Jaqueline Camargo, não quis comentar sobre o caso, mas a Polícia Civil enviou nota explicando-o. "O suspeito foi localizado pela Polícia Militar, preso e conduzido ao CPP local. Em conversa com os militares, o suspeito confirmou ter ateado fogo na companheira, após suspeitar que ela estava tendo um relacionamento extraconjugal", diz trecho da nota.

Brigas anteriores

Segundo uma vizinha, que pediu para não ter o nome divulgado, as brigas eram constantes entre o casal. No último ano, após sofrer agressão com uma barra de ferro, a mulher teria denunciado o parceiro e pedido uma medida protetiva. Eles, porém, teriam reatado o relacionamento semanas depois.

De acordo com a Polícia Civil, nos próximos dias testemunhas e familiares da vítima serão ouvidos. Os laudos de exame de corpo de delito e da perícia ainda estão em fase de confecção. O prazo para a conclusão das investigações é de 10 dias.

Ciclo de agressão

As agressões envolvendo mulheres e seus companheiros raramente acontecem do dia para a noite. Segundo especialistas, antes de a mulher ser agredida fisicamente, ela já foi envolvida psicologicamente e, por mais claro que isso esteja para as outras pessoas, ela não enxerga que está em um relacionamento abusivo.

"Nós falamos que há um ciclo de agressão. Ele começa com a violência psicológica, na qual o homem vai se impondo e diminuindo a mulher que está ao seu lado. E isso se inicia de forma sutil, como reclamar de uma roupa ou de um amigo que a mulher tem, com pequenos sinais de ciúme", explica Alessandra Nuzzo, advogada especialista em direito da família e das mulheres e integrante da rede Justiceiras, um grupo de voluntárias que oferece, via WhatsApp, apoio para vítimas de violência doméstica.

"Depois, esse agressor afasta a mulher de seus amigos, passa a ter um ciúme excessivo, começam as agressões verbais e faz a mulher acreditar que o problema é ela. Nessa fase, normalmente as mulheres percebem que há algo de errado, mas o homem então pede perdão e diz que vai mudar. É ai que, quando a mulher aceita, esse homem se sente mais fortalecido — e começam as agressões físicas."

Ainda segundo a especialista, é importante familiares e pessoas do convívio dessa mulher a ajudarem, seja denunciando as agressões à polícia ou encorajando-a a buscar por ajuda.

"Muitas vezes, a mulher que está sofrendo essas agressões psicológicas ou até mesmo físicas não entende que aquilo não é normal. Por isso, é importante as pessoas se atentarem e ajudarem essa mulher a sair desse ciclo. Em casos de urgência, qualquer pessoa pode chamar a Polícia Militar pelo 190 ou então ligar 180, que é o telefone exclusivo para mulheres vítimas", acrescenta.

A rede das Justiceiras

Diante do cenário cada vez mais comum de violência doméstica, a promotora de justiça de São Paulo, Gabriela Manssur, criou uma "rede de justiceiras", onde mulheres que tenham sofrido violência doméstica ou tenham sido ameaçadas pelo companheiro podem solicitar ajuda.
De forma voluntária, diversas mulheres das mais diferentes profissões, como advogadas, psicólogas, assistentes sociais e médicas, oferecem apoio a outras mulheres de todo o país, de maneira online por meio do whatsapp (11) 99639 1212. Para isso, o movimento conta com 700 voluntárias.
As profissionais que fazem o atendimento foram selecionadas após preencherem um questionário e também pelos termos dos conselhos profissionais, como CRP (Conselho Regional de Psicologia) e OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Violência contra a mulher