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"Planejei 7 anos e durou 48h": mulher conta como Covid afetou seu negócio

A jornalista Karla Rodrigues em sua loja de roupas infantis: dinheiro economizado durante 7 anos - Arquivo Pessoal
A jornalista Karla Rodrigues em sua loja de roupas infantis: dinheiro economizado durante 7 anos Imagem: Arquivo Pessoal

Abinoan Santiago

Colaboração para Universa

27/04/2020 04h00

"Planejei e sonhei anos e funcionei dois dias. Comecei já com esse baque e com as contas chegando." Assim a jornalista e empresária Karla Machado Rodrigues, de 28 anos, descreve o que deveria ser a concretização de um antigo desejo: montar o próprio negócio.

Após sete anos economizando, ela conseguiu abrir o empreendimento, uma loja de roupas infantis. Mas apenas 48 horas depois precisou fechar as portas por causa da pandemia do novo coronavírus.

Assim como em outras cidades do país, Campo Grande determinou em 19 de março que apenas estabelecimentos de serviços essenciais continuassem abertos como medida de manter a população em isolamento social, a fim de evitar a propagação de contágio do vírus.

Jornalista, Karla acompanhava o que ocorria em Wuhan, epicentro inicial da pandemia, mas não imaginava que a crise sanitária pudesse chegar ao Brasil.

"Claro que já estavam falando do coronavírus, mas ninguém esperava tudo isso, de não sair de casa, fechar comércio, essas coisas", afirma ela.

Virada de ano e na vida

No Réveillon deste ano, Karla decidiu que precisava dar uma virada na vida e colocar em prática o que planejava por muito tempo. Formada em 2012 em jornalismo, desde então ela economizava parte dos salários de cada emprego por onde passou.

"Desde quando comecei a trabalhar, juntava um pouco aqui e um pouco ali. Estou economizando há uns sete anos para ter o meu próprio negócio porque sabemos que a nossa profissão não paga bem. Isso foi o que mais me instigou. Quando virou 2019 para 2020, pensei: 'Não quero passar mais um ano na mesmice. Quero fazer algo diferente'", conta.

Com a decisão de sair da zona de conforto, a jornalista pesquisou nichos de públicos e viu no ramo de peças de vestuário infantil a oportunidade. Tudo corria bem no planejamento, a ponto de Karla ter encontrado uma chance única: comprar uma loja pronta, com mercadoria, móveis, equipamentos e bem localizada, no bairro Jardim dos Estados, na capital do Mato Grosso do Sul.

Ao fechar o contrato, decidiu sair do emprego em assessoria de imprensa e usou toda a quantia da rescisão para investir ainda mais no negócio, além de contar com a ajuda da mãe. Ela só não contava com a crise ocasionada pelo novo coronavírus.

"Comprei a loja montada, com mercadorias e demais itens. Foi uma oportunidade. Organizei toda a saída do meu serviço, pois precisava ficar na minha loja e não conseguiria conciliar os dois serviços. Optei pela demissão. Quando deixei o emprego e comecei, dois dias depois a prefeitura decretou o comércio fechado", lamenta.

Com a pandemia, chegaram os boletos e as dúvidas

De acordo com Karla, se soubesse que a pandemia iria abalar tanto o comércio, "não teria aberto o negócio nem saído do emprego". Agora restam dúvidas de como será o futuro de seu empreendimento em meio à ausência de faturamento.

"Veio todos aqueles questionamentos com tudo isso: por que comigo? Por que isso não aconteceu antes? Por que saí do meu serviço? Fiquei em uma situação que estou desempregada e sem poder abrir a loja."

Para amenizar as dívidas que se acumulavam logo no primeiro mês, Karla conta que começou a divulgar as peças infantis no Instagram da loja com desconto de 40% e entrega grátis em toda Campo Grande.

"Foi o atrativo que criei, pois as pessoas economizam na compra da peça e com combustível, por não ir à loja. Está surtindo efeito, mas não ainda como esperava. Acredito que é um trabalho de formiguinha", acentua.

A esperança dela é que, quando tudo passe, seu sonho não desmorone. "Estou fazendo de tudo para não acabar com ele, porque é algo que sempre quis e preciso que dê certo", afirma. "Não vou desistir agora", garante.

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