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BBB: Médica, Thelma ralou para estudar e pôs sororidade à prova no reality

Thelma - Reprodução/TV Globo
Thelma Imagem: Reprodução/TV Globo

De Universa

27/04/2020 14h25Atualizada em 28/04/2020 00h28

A médica Thelma Assis, 35, é a vencedora do BBB20. Também é a única do trio de finalistas que se inscreveu para concorrer ao prêmio de R$ 1,5 milhão, e não foi convidada pela produção. Anônima, agora ela entra não só para o rol de vencedores do programa como para o de milionários. Thelma marcou o programa ao gerar debates sobre racismo, além de mostrar aos telespectadores como a sororidade funciona na prática.

Mas quem é essa mulher, que foi líder duas vezes e enfrentou quatro vezes o paredão?

Médica, casada e lutadora

Thelma é médica anestesiologista de São Paulo. Foi preciso três anos de estudos, investimentos e dedicação em cursos pré-vestibulares para conseguir uma vaga em medicina. Isso só aconteceu, conta ela, porque conseguiu uma bolsa de 50% na mensalidade do cursinho. Deu certo. Já na faculdade, Thelma conseguiu bolsa integral para estudar em um dos cursos mais disputados do país na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), onde se formou em 2011.

Thelma em sua formatura de Medicina - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Thelma em sua formatura de Medicina
Imagem: Arquivo pessoal

Thelma também é bailarina e passista da escola de samba Mocidade Alegre, em São Paulo. Foi com aulas de balé que a sister conseguiu financiar os estudos antes da faculdade. Durante o curso, também conseguiu um auxílio do governo de R$ 300 para comprar os livros da faculdade.

Filha de uma funcionária pública aposentada e um trabalhador do setor gráfico, aos 7 anos soube que era adotada. Descobriu depois de procurar e não encontrar a imagem da mãe grávida em fotos — hoje a matriarca tem 70 anos. Desde a infância, dizia para os pais que seria médica e os levaria para a Europa. Em agosto, o pai dela morreu em decorrência de um câncer.

Antes do programa, chefiava um curso de residência médica no Hospital das Clínicas, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. É casada com o fotógrafo Denis Cord e mora com ele na zona norte de São Paulo.

No jogo

No início do programa, Thelma se uniu ao bloco de mulheres que levou ao paredão alguns homens que pensavam em seduzir e manipular as participantes da casa. Não deu muito certo para eles.

Thelma bateu de frente com Lucas, um dos líderes do grupo masculino. A briga era sobre estalecas, mas a fala da sister é usada até hoje pela edição do programa. "Você é um macho escroto", gritou.

Thelma discute com Lucas pela falta de contribuição de estalecas - Reprodução/Globoplay - Reprodução/Globoplay
Thelma discute com Lucas pela falta de contribuição de estalecas
Imagem: Reprodução/Globoplay

Na mesma semana, Lucas foi eliminado no paredão com 62% e deu início a eliminação em série de homens e à consolidação do grupo das "Fadas sensatas" ou da "Comunidade hippie". Os homens foram eliminados na sequência nas semanas seguintes. Sobreviveu apenas o ator Babu Santana, semifinalista da edição.

Questão racial

Babu aproximou-se de Thelma durante o jogo. Segundo ele, a médica era uma referência para a filha dele, que sonha em cursar medicina. Babu acreditava na representatividade de uma mulher negra e no potencial que ela tinha para chegar à final do BBB. Por isso, declarou algumas vezes que não votaria na sister. Por Thelma, comprou briga com seu então aliado, Felipe Prior, no final de março.

Apesar de consciente sobre o debate, Thelma não sobrepôs a amizade com outras mulheres à relação e as discussões com Babu. Quando foi preciso escolher entre Rafa Kalliman e o ator, Thelma indicou o voto no participante.

Emparedados, Thelma abraça Babu - Reprodução/Globoplay - Reprodução/Globoplay
Emparedados, Thelma consola Babu
Imagem: Reprodução/Globoplay

Mesmo discreta sobre o assunto, o racismo acompanhou a trajetória de Thelma dentro e fora da casa. No final de março, o ex-diretor de TV Rodrigo Branco fez um comentário racista que ficou entre os assuntos mais comentados do Twitter. "Torcer para a Thelma é racismo, porque todo mundo está torcendo por ela só porque é negra, coitada", disse durante uma transmissão no Instagram. Rodrigo teve que pedir desculpas públicas.

Por ter votado no ator, os administradores dos perfis de Babu usaram um termo ofensivo que também gerou discussão: mucama. A palavra é utilizada para descreve mulheres negras escravizadas que ajudavam em tarefas domésticas ou como ama de leite dos senhorios durante a escravidão no Brasil.

"Toda fada sensata tem uma mucama", escreveu um administrador da página de Babu. O perfil não era gerenciado pelo brother e o responsável pelo comentário foi afastado da página. A internet, porém, não perdoou.

Sororidade na prática

O bloco de mulheres e "a comunidade hippie" se desgastaram quando Thelma foi indicada para o paredão por Ivy, em abril, e ao monstro por Daniel, em março. Dali em diante, o grupo unido para confrontar os homens machistas da casa foi se dissipando. Thelma, única negra, foi uma das mais prejudicadas com o movimento.

rafa kalimann thelma bbb 20 - Reprodução/Globoplay - Reprodução/Globoplay
Imagem: Reprodução/Globoplay

A reviravolta rendeu discussão sobre o que realmente é sororidade. O termo foi usado por Manu Gavassi para justificar um voto em Prior e serviu como lema do bloco feminino. Nas redes, também trouxe novo debate.

É preciso ser amiga de uma mulher ou passar pano só por que ela é mulher? Ou vale mais aliar-se a quem é mais legal e compatível?

Assim o grupo das "Fadas" foi se desfazendo e Thelma não vacilou ao bater boca com mulheres, como Flayslane e Ivy. No final das contas, manteve-se aliada a quem considera próxima e leal, as também finalistas Rafa Kalimann e Manu Gavassi. Mais uma vez, deu certo.

Finalistas se abraçam no BBB 20 - Reprodução/TV Globo - Reprodução/TV Globo
Finalistas, Thelma, Manu e Rafa se abraçam no BBB 20
Imagem: Reprodução/TV Globo

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