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Filho trans de Witzel trabalha para proteger LGBTs dos efeitos da Covid-19

Filho trans de Witzel trabalha para proteger LGBTs dos efeitos da Covid-19 - Arquivo Pessoal
Filho trans de Witzel trabalha para proteger LGBTs dos efeitos da Covid-19 Imagem: Arquivo Pessoal

Elisa Soupin

Colaboração para Universa

18/04/2020 04h00

Erick Witzel, filho transexual do governador do Rio Wilson Witzel, está na linha de frente do combate aos efeitos da Covid-19 para a população LGBT. Assessor de empregabilidade da Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual (Ceds), órgão do município do Rio de Janeiro, ele e sua equipe estão tomando uma série de medidas para proteger a população LGBT na cidade.

"Entre a população LGBT, tem muitas pessoas em empregos informais, que ficam em situação de extrema necessidade em uma crise", diz Erick. "Além disso, muitos são profissionais do sexo. Para essa população, que já é muito suscetível em situações normais, agora tudo se agrava. Nós da Ceds estamos fazendo um trabalho de prevenção, buscando diminuir os riscos", explica ele.

Erick Witzel - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Erick Witzel (no centro): doação de cestas básicas para moradores da ocupação Casa Nem
Imagem: Arquivo Pessoal

Erick, que já ficou sem falar com o pai — durante a campanha do governador, ele expôs, contra a vontade do filho, a condição de transgênero dele —, hoje voltou a conviver com Wilson Witzel. E considera que o pai vem fazendo "um ótimo trabalho" frente à pandemia provocada pelo novo coronavírus.

"Eu tenho visto que o governo do estado [do Rio de Janeiro] tem tomado todas as atitudes com base em orientações técnicas. Acho que ele [o pai] está fazendo um ótimo trabalho", afirma.

"Vejo ele fazendo o máximo que pode. As medidas cabíveis ao estado estão sendo tomadas para conter o coronavírus. Seria melhor se houvesse um alinhamento ao governo federal, mas o que cabe ao governo do Rio está sendo feito. Já ao federal, é com eles lá", diz ele.

"Pensamentos opostos sempre existirão"

Aos 26 anos, Erick não fala abertamente das divergências políticas que tem com o pai, mas garante que o diálogo e a troca hoje permeiam a relação dos dois.

"Nesse momento, as coisas estão bem escancaradas", acredita. "Eu mostro as minhas posições com meu trabalho. Pensamentos opostos sempre existirão: ele tem os posicionamentos dele, eu tenho os meus. Existem coisas com as quais concordo e outras das quais discordo politicamente", pondera.

"Mas sei que eu posso agregar coisas boas ao trabalho dele e ele ao meu, tendo como denominador comum pensar o bem da população. Então tem que haver diálogo. A gente conversa sobre todos os assuntos, mas acho importante manter a leveza."

Casa Nem com suspeitas de Covid-19

O trabalho de Erick e da equipe do Ceds se intensificou com a pandemia. LGBTs que residem na ocupação Casa Nem vêm recebendo cestas básicas, água e produtos de limpeza para que consigam sobreviver durante a pandemia.

Na ocupação, duas das 70 pessoas apresentaram sintomas de Covid-19 e estão isoladas das demais. Uma terceira precisou ser internada porque estava com sintomas graves, mas o diagnóstico apontou para turberculose.

A Ceds e instituições parceiras também vêm oferecendo cestas básicas para profissionais do sexo e para LGBTs de comunidades do Rio, como o Complexo da Maré e outras áreas necessitadas da cidade.

A coordenadoria ainda fez a distribuição de máscaras de proteção de tecido para LGBTs nos bairros de Santa Cruz, Realengo, Senador Vasconcelos, Padre Miguel, Deodoro e Penha. As peças foram produzidas pelo projeto Máscaras do Bem, uma união do Costura Nem (ateliê de modelagem, corte e costura da Casa Nem), do EcoModa (projeto do estilista Almir França, que representa o Grupo Arco-Íris) e do Capacitrans-RJ (grupo que auxilia na capacitação e inserção de pessoas trans no mercado de trabalho).

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