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Mães e filhos

"Menti para meu filho": mães famosas falam como lidam com a pandemia

De Universa

10/04/2020 16h10

Homeschooling, casa bagunçada, muito uso de tela e conversas difíceis. Essa é a realidade da maioria dos pais e mães, em isolamento social ao lado dos seus filhos em tempos de pandemia do coronavírus. Os convidados do UOL Debate desta sexta-feira (10) estão passando por essas dificuldades. A convite de Universa, Carolinie Figueiredo (atriz e educadora parental), Marcos Mion (apresentador), Maria Ribeiro (atriz), Tati Bernardi (escritora) e Sheron Menezzes (atriz), mediados pela colunista Lia Bock, se reuniram em um bate-papo para compartilhar as experiências com os filhos nesse momento complicado.

"Meu filho de 10 anos me perguntou: 'você jura por Deus que não vai acontecer nada com a gente?' Eu tive que dizer que sim. Mas me sinto mal, porque eu menti, mas não consegui responder de outro jeito", contou Maria Ribeiro, mãe de Bento, e também do adolescente João, de 17 anos. Todos concordaram que esse é um momento muito difícil, tanto para adultos quanto para crianças e adolescentes. É é difícil não se abalar emocionalmente com as notícias. "A Bruna me viu chorando e começou a chorar muito também, dizendo: "to sentindo falta de eu nem sei o que é"', contou Carolinie Figueiredo. A atriz, que atualmente também trabalha como educadora parental, aproveitou o momento para falar com a filha de 8 anos sobre sentimentos. "Falamos sobre ausências. E ela não conseguia nomear, se era falta da escola, dos amigos. Mas achei bonito poder ter essa conexão com ela". Além de Bruna, Carol também é mãe de Theo, de 6.

Sheron Menezzes acredita que o filho Benjamin, de 2 anos, sente muita falta dos colegas. "Ele está sentindo saudades da escola". Mas, por outro lado, a atriz enxerga evoluções no menino. "Ele está falando muito mais agora, inclusive sobre coisas que eu não reparava".

Para Marcos Mion, pai de Romeo (14), Donatella (11) e Stefano (10), o que complicou ainda mais a experiência do isolamento social foi a velocidade com que tudo aconteceu. "Nenhum extremo é inteligente e saudável, e nós vivemos isso [isolamento] de um dia para o outro. Meus filhos sentem falta dos avós, dos amigos. Tudo isso foi ceifado do dia para a noite". O apresentador ainda revelou como pretende agir com as crianças após esse período. "Quando o isolamento afrouxar, espero que consigamos ter um meio-termo para que eles tenham o mesmo contato com a gente e com o mundo exterior. É interessante buscarmos esse equilíbrio", disse o apresentador.

"Manter a rotina é fundamental"

Mion revelou quais foram as suas ações para manter uma rotina regrada ao lado de seus filhos durante a quarentena. "Eu tenho filhos mais velhos, então isso [rotina] é muito importante. Estamos fazendo homeschooling [estudar de casa] e queria que continuasse rolando normalmente para eles não pensarem que estão de férias. Eles acordam cedo, têm a hora do lanche, educação física preparada por mim", contou. "Eles estudam o tempo que estariam na escola".

Apesar disso, o apresentador deixou claro que não está ditando regras para ninguém. "Não quero passar uma ideia de família dó-ré-mi, mas a rotina é importante para a gente. Eu sou pai de menino autista, então ele precisa disso. Nós conseguimos reunir professores que dão aula on-line e estamos conseguindo as mesmas atividades que fazíamos antes da quarentena"

Uso das telas

Com as crianças em casa por mais tempo do que o normal, muitos pais estão liberando mais tempo de televisão e tablets do que de costume, até os que tem visão mais radical sobre o assunto. "Aqui em casa a gente não tem televisão. Mas nesse momento, cedi. Os tablets vieram da casa do pai e são dados "dia sim, dia não", com uma hora por dia", conta Carolinie.

Mas independente de suas convicções, todos concordam no uso positivo do gadget. "Foi durante o isolamento, na quarentena, que Deus fez a tela", brincou Lia Bock. 'Dica: apresente Harry Potter para seus filhos" São 7 filmes e mais de 14 horas de sossego", falou Maria Ribeiro.

Filmes, séries e joguinhos online viram ferramentas para os pais - que muitas vezes estão acumulando o trabalho no modelo home office com as tarefas domésticas - conseguirem alguns momentos de respiro. "Coloco um desenho para o Benji para poder cozinhar, por exemplo".

Casa bagunçada

Muitos pais tiveram que fazer adaptações na casa, já que as crianças perderam o espaço externo para brincar. Tati Bernardi, por exemplo, mudou um espaço onde fazia reuniões de trabalho. "Comprei uns brinquedos de plástico e virou uma espécie de parquinho particular". Já Maria Ribeiro liberou uma parede para o filho jogar tênis.

Ideias como essa são boas para as crianças gastarem a energia acumulada em tempos de confinamento. "Aqui em casa falo para o Benji fazer maratona. Corre 5 vezes em volta da sala, quando acaba, ele já está cansado, com sono. É ótimo", conta Sheron.

E a saúde mental dos pais?

A escritora e roteirista Tati Bernardi comentou que, para ela, a pior coisa é não poder ter contato com o mundo exterior. "O respiro de sair de casa é o que mais sinto falta", disse. "Eu me tranco no escritório, tomo banhos mais longos, mas esse respiro é fundamental para você voltar a ser uma mãe melhor. Caroline Ribeiro concorda. "Acho importante a gente priorizar o autocuidado", afirmou. "Eu trabalho como educadora parental online, e já aconteceu de eu estar atendendo e eles estarem brigando atrás. Mas quando eu sei que tenho que trabalhar, eu gasto esse momento de conexão com eles e depois falo: 'Agora é meu momento'.

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