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Coronavírus: posso tirar a cutícula ou usar os cabelos soltos?

Getty Images
Imagem: Getty Images

Paula Roschel

Colaboração para Universa

01/04/2020 04h00

Atividades corriqueiras de beleza e bem-estar seguem despertando dúvidas em tempos de pandemia. Depois de muitos homens se questionarem se raspar a barba era o melhor para evitar a contaminação e disseminação do coronavírus, agora um dos debates é fazer ou não as unhas.

Afinal, tirar a cutícula em casa, uma vez que o isolamento social é o indicado e idas aos salões de cabeleireiro não estão ocorrendo, é uma atividade segura em tempos de covid-19?

Barreira

Para o dermatologista Bruno Burato, da Clínica Leger, quanto menos você tirar a cutícula nessa época, melhor.

"Ao tirá-la, você está removendo uma camada de proteção entre a pele e a unha. Ali pode ser então um local de acúmulo de vírus resistentes. Eles, ao serem levados ao rosto, podem contaminar. Nesse momento, o ideal seria que a cutícula não fosse retirada", explica.

"O risco da retirada das cutículas é o acúmulo de sujidades que propiciam contaminações, caso a higienização das mãos não seja feita corretamente. O ideal então é diminuir os riscos", diz o profissional da saúde.

Para o enfermeiro infectologista Milton Monteiro Júnior, especialista e membro da equipe de controle de infecção hospitalar do Hospital HSANP, de São Paulo, por ser um passo meramente estético, deve ser evitada a retirada da cutícula no momento.

Isso se dá, principalmente, para evitar os riscos de infecção da pele, caso a técnica resulte em algum ferimento (o que é normal) e dificulte a higienização da área.

Luvas ajudam quem tem ferimentos

Se decidi retirar as cutículas e, durante o processo, machuquei ou criei lesões, o que fazer? "Quando há qualquer lesão de pele, feridas ou exposições cutâneas o ideal é realizar curativos para manter a proteção do meio externo (bactérias, vírus, insetos, etc)", recomenda Milton.

Já a utilização de luvas não é recomendada para ir a mercados, farmácias, comércio em geral ou ambientes externos ao hospital. "A utilização inadequada incentiva a não higienização das mãos, favorecendo as contaminações nos ambientes e na pele", diz ele.

"Na teoria, a cutícula é realmente um agente protetor contra, principalmente, bactérias. Mas sobre o coronavírus, ele só penetra por vias aéreas. Então ter ou não cutícula retirada não é a questão, mas levar as mãos contaminadas ao rosto", diz Fernando de Oliveira Proença, médico infectologista e clínico geral, de São Paulo.

O que fazer com os cabelos

Além da cutícula, outro assunto de beleza entrou na lista de dúvidas sobre o coronavírus. Preciso sair de casa com os cabelos presos, em coques ou rabos? Para os profissionais da saúde, sim. "Você diminui a área de contato ao manter os cabelos presos. Com isso, há uma melhora da proteção, pois evita-se uma exposição de área maior que pode ter contato com o vírus", explica Fernando.

Mas não é que você se infectar se o vírus encostar no seu cabelo. Na verdade, você pode passar as mãos nos fios que tiveram contato com o coronavírus e depois levá-las para os olhos, a boca ou o nariz, portas de entrada da doença no corpo.

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