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Emma Thompson conta como se defendeu de assédio: 'Fiz ele sentir vergonha'

Emma Thompson em cena de "Late Night" - Divulgação/Emily Aragones
Emma Thompson em cena de "Late Night" Imagem: Divulgação/Emily Aragones

De Universa, em São Paulo

24/03/2020 11h17

Emma Thompson contou ao podcast The Pleasure como se defendeu de assédio sexual quando era mais jovem, na indústria do cinema. A atriz de filmes como "Simplesmente Amor" e "Harry Potter" contou que um homem mais velho tentou "colocar a mão dentro de sua blusa" durante uma reunião.

"Eu agarrei o pulso dele e disse: 'Eu acho que você está tentando se aproveitar de mim'. Ele imediatamente recuou. Ele soube o que estava fazendo assim que eu disse para ele com todas as letras. O instinto dele foi sentir vergonha", lembrou ela.

"Isso me protegeu de sentir a vergonha que ele deveria estar sentindo", explicou ainda, se referindo aos relatos de muitas vítimas de assédio, que são levadas a sentir culpa pelo ataque. "É muito poderoso poder dizer 'não', e da forma certa".

29.03.1993 - Emma Thompson com seu Oscar por 'Retorno a Howards End' - Steven D Starr/Corbis via Getty Images
29.03.1993 - Emma Thompson com seu Oscar por 'Retorno a Howards End'
Imagem: Steven D Starr/Corbis via Getty Images

"Nunca fui o tipo Gwyneth"

Thompson falou também de sua trajetória nas telas, e como sempre rejeitava sequer fazer testes para papéis de mulheres que eram descritas como "bonitas" no roteiro. "Eu nunca fui o tipo Gwyneth Paltrow. Nunca me encaixei no que as pessoas consideravam bonito no cinema", justificou.

"De certa forma, isso foi um alívio, porque eu nunca fui considerada uma beldade, e sim uma atriz 'de personagem'. Se eu via a palavra 'bonita' no roteiro, eu nem tentava conseguir o papel. Eu dizia: 'Não é para mim'", contou.

"Foi um alívio, por este lado, mas também uma opressão, é claro. Por outro lado, eu não tenho a experiência de alguém como Michelle Pfeiffer, por exemplo, alguém que é considerada uma grande beldade e, com o tempo, vai perdendo este rótulo", refletiu.

"Eu fiz outras coisas com a minha carreira, o que me protegeu de tudo isso. E eu sempre fui muito política, o que também é poderoso", disse ainda.

Violência contra a mulher