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Carentes, possessivos, infantis: mude suas atitudes e evite os boys lixo

Getty Images
Imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

24/03/2020 04h00

Não se trata de azar no amor nem do chamado "dedo podre", termo adotado para designar uma espécie de maldição que algumas mulheres parecem sofrer ao se envolverem frequentemente com boys lixo. Porém, a responsabilidade - e não a culpa, ok? - algumas vezes pode ser delas mesmas. Os motivos que levam às escolhas equivocadas são diversos e, na maioria as vezes, inconscientes. Se isso acontece com você, saiba que a mudança exige investir em autoconhecimento. Depois, analise a origem de seus valores, julgamentos e a maneira como toma suas tomadas de decisões.

Como primeiro passo, avalie se as suas escolhas são baseadas nos fatores a seguir, listados por especialistas.

Baixa autoestima
A percepção negativa sobre você mesma faz com que tome decisões equivocadas e escolhas infelizes no amor. Ao julgar-se uma pessoa ruim e sem valor, a mulher reduz as exigências e acaba se contentando com o pior, por achar que um parceiro que outras não admitiriam irá amá-la ou respeitá-la. É preciso se desvencilhar de crenças limitantes - "não sou capaz", "não mereço ser amada", "comigo nada dá certo" e tentar perceber quais as influências negativas - família, escola, amigos, igreja - a fizeram construir uma autoimagem tão negativa, para então quebrar esses padrões.

Carência
Mesmo no fundo sabendo que tudo não passa de uma farsa, a pessoa carente acaba se envolvendo com parceiros problemáticos e alimentando expectativas irreais. A carência emocional leva a acreditar em desculpas e promessas de mudanças mentirosas, como "foi a última vez", "vou melhorar", "não agirei mais dessa forma". Quem precisa demais da atenção alheia não consegue julgar ninguém direito, pois falta critério e sobra ilusão. A mulher carente acaba projetando no primeiro cara que aparece seu sonho de felicidade. Daí, ignora ou passa pano em todas as evidências contrárias.

Medo de ficar sozinha
Embora a cobrança em cima de mulheres solteiras venha diminuindo, ainda há uma certa pressão social que prega que a felicidade verdadeira é ter um parceiro ao lado. Infelizmente, as pessoas sofrem com a dificuldade em mudar padrões comportamentais e muitas preferem se agarrar a antigos conceitos. Desde muito cedo, a sociedade incute na mente das meninas a crença de que elas precisam de um homem para estarem completas. Com a crença de que é preciso ter um "príncipe encantado" a qualquer preço, mesmo que seja um traste, muitas mulheres acabam iniciando relacionamentos caóticos, abusivos, complicados. O resultado é a permanente frustração e sensação de incompletude, mesmo estando casadas.

Síndrome da Bela e a Fera
O lema? "O amor muda o outro". Esqueça essa ideia. Não, ninguém muda ninguém. As pessoas só mudam se e quando querem, não em função do desejo alheio. Outros erros comuns são achar que com o tempo as coisas irão mudar, aceitando qualquer tipo de relacionamento em nome do amor, e de que a relação vai ser forte o suficiente para transformar todas as dificuldades. Lembre-se: apostar na idealização é uma grande furada. O outro não está no mundo para ser ornamentado e representar fantasias alheias.

Desejo de status
A necessidade de se autoafirmar a partir de outra pessoa é um jogo perigoso, principalmente quando a escolha passa por critérios como aparência ou poder aquisitivo do parceiro, e não necessariamente pelos sentimentos envolvidos. Há um perigo enorme de a mulher se submeter a um relacionamento tóxico por conta de uma imagem social que, em muitos casos, só importa a ela mesma -e ainda faz mal.

Vontade de enfrentar riscos
Essa é a motivação por trás do envolvimento com bad boys ou sujeitos moralmente discutíveis. Pessoas apaixonadas muitas vezes deixam de lado a racionalidade e passam a agir e reagir por puro impulso. O desejo de aventura e a ideia, muitas vezes alimentada pela ficção, de que os "bad boys" oferecem um sexo inesquecível podem despertar muitas fantasias e o desejo de transgredir regras. Conforme o envolvimento evolui, é possível que a mulher ambicione fazer com que o parceiro "mude de vida", caindo na já falada "Síndrome da Bela e a Fera".

Relacionamentos tóxicos aprendidos na infância
A exposição a relações abusivas na primeira fase da vida pode contribuir para a naturalização da violência e do sofrimento num envolvimento a dois. Isso porque os padrões amorosos repetitivos são consequências do tipo de criação que tivemos em casa e a maneira como a nossa família nos apresenta o afeto é um fator decisivo no modo como lidaremos com esse sentimento ao longo da vida. A pessoa cresce achando que o ciúme possessivo e a mania de controle, por exemplo, são sinônimos de amor e se convence de que a vida é assim mesmo. Perigosíssimo.

Querer ser a dona da relação
Adotar um maior desempregado, endividado ou dependente químico para sentir-se no controle da relação é um erro cometido por muitas mulheres. A crença de que a escolha de um indivíduo em condição de vulnerabilidade financeira, por exemplo, resultará em gratidão e fidelidade é um grande equívoco. O custo afetivo é tão alto ou superior ao custo financeiro.

Fontes consultadas: Mara Lúcia Madureira, psicóloga especializada em TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental), de São José do Rio Preto (SP), e Raquel Fernandes Marques, psicóloga da Clínica Anime, de São Paulo (SP)

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