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Festa com DiCaprio, mimo de R$ 30 mil: a vida dos fotógrafos de influencers

Luiza Ferraz: das fotos com influencers, que viraram amigas, a campanhas para marcas - Reprodução Instagram
Luiza Ferraz: das fotos com influencers, que viraram amigas, a campanhas para marcas Imagem: Reprodução Instagram

Ricky Hiraoka

Colaboração para Universa

22/03/2020 04h00

Eles têm dezenas de milhares de seguidores no Instagram, mas não são exatamente famosos. Apesar de às vezes serem reconhecidos por aí, nunca apareceram na TV.

Com uma vida sem rotina e, aparentemente, glamourosa, os fotógrafos de influencers descobriram um nicho de atuação que lhes rendem dinheiro e um estilo de vida que muitos almejam. Conheça abaixo a trajetória de três profissionais que clicam a maioria das fotos que você curte nos perfis que segue:

Do foodtruck para as semanas de moda internacionais

Reprodução Instagram
Imagem: Reprodução Instagram

"Minha história como fotógrafo começou com comida. Isso mesmo: eu postava apenas imagens dos pratos que fazia. Me formei em gastronomia, em Paris, onde morei por 5 anos. Voltei para São Paulo para trabalhar num restaurante que estava abrindo. Não deu certo e fui fazer hambúrguer num foodtruck, além de vender brigadeiro.

Um dia, um amigo viu uma foto de uma receita que publiquei e perguntou se eu não topava acompanhar uma influencer do interior numa edição do São Paulo Fashion Week.

Nunca tinha pensado em fotografar gente, mas, como não tinha nada a perder, aceitei o job.

Além da câmera, que era meia boca, levei um cabo que transferia a foto direto para o celular da pessoa. Abordava quem estava passando, fotografava, encaminhava as imagens para elas e, como agradecimento, me marcavam no Instagram. Assim meu nome foi popularizando.

Para se ter uma noção de quanto eu era perdido, não tinha ideia de que a foto que eu fazia das influencers era chamada de street style. Demorou quase dois anos para eu abandonar a cozinha e apostar na fotografia. Quando caí nas graças da influencer Lele Saddi e da stylist Flávia Brunetti, comecei a receber mais convites para trabalhar como fotógrafo.

Mas bombei mesmo quando investi e fui por conta própria para a Paris Fashion Week, em 2018. Conhecia bem a cidade, dominava o francês e isso fez toda a diferença. Consegui fotografar a Kris Jenner e me chamaram para fazer uma capa de revista.

Os trabalhos ganharam destaque e famosas como Camila Queiroz e Ísis Valverde começaram a me seguir.

De repente, me vi trocando mensagens com elas e sugeri que as fotografasse. Esse contato direto com as celebridades me gerou oportunidade inimagináveis, como frequentar festas exclusivas da Paris Fashion Week, onde fotografei Maria Borges, angel da Victoria's Secret, e Alessandra Ambrósio. Ou comer feijoada num domingo na casa da Sabrina Sato e passar o Réveillon com Claudia Raia, de quem me tornei próximo.

Meu nome foi crescendo e marcas foram me chamando para trabalhar. Já fiz fotos para o perfil oficial da Dolce e Gabbana, por exemplo. Criei um projeto chamado 'fashion trip', em que produzo uma sessão para uma grife brasileira em cidades como Milão. Da contratação da modelo até passar a ferro os looks que serão clicados, tudo fica por minha conta.

No fundo, nem só de glamour vivem os fotógrafos de famosas.

Muita gente acha esse título ruim, mas eu considero um sinal de prestígio e de reconhecimento. Hoje chego aos eventos para fotografar as influencers e gente que me maltratava só falta estender um tapete para eu passar. Mas não me deslumbro com essas bobagens.

Minha profissão me trouxe visibilidade, mas sei que não sou uma celebridade. Por isso, recuso quase todas propostas de fazer publipost no meu Instagram [postagem publicitária]. Minha pessoa não pode ser maior que meu trabalho.

Não quero ser blogueiro, quero ser fotógrafo."

Iude Richele

Campanha com Gisele Bündchen e almoço com estrelas de Hollywood

Reprodução Instagram
Imagem: Reprodução Instagram

"Sempre fui apaixonada por pessoas e histórias. Fotografia era um meio de unir essas duas paixões. Talvez isso explique por que comecei a trabalhar com blogueiras. Elas eram pessoas comuns que estavam contando a própria história. Isso me fascinava.

Há doze anos, os fotógrafos focavam muito em campanhas de moda, porque o hype era maior. Mas eu curtia mesmo a troca que tinha com as meninas. Fotografei Camila Coutinho durante muito tempo, fiz Thássia Naves, conheci Julia Faria em Nova York e nunca mais nos desgrudamos.

Essas influencers me protegem muito, me incentivam, me indicam.

Elas cresceram muito e foram chamadas para trabalhar com marcas. Isso resultou em mais trabalho para mim, pois elas pediam para os contratantes delas me chamarem. Quando alguém confia no seu trabalho, sua autoestima e confiança aumenta cada vez mais e o universo flui, presenteando com coisas que faz você se sentir poderosa. O que mais ganhei com as influencers foi a certeza que estava no caminho certo.

Claro que fotografar influencers também proporciona experiências surreais, como ir ao Festival de Cannes e ter prazer de ver e clicar Kim Kardashian, participar de um almoço com Cara Delevigne e estar nas mesmas festas com Antonio Banderas e Leonardo DiCaprio. Nem falo muito sobre esses encontros com grandes astros de Hollywood porque não quero me promover em cima disso. Mas é muito legal ver que esses atores são gente como a gente.

Por causa das influencers, rodei todos os Estados Unidos e conheci lugares no mundo que dificilmente eu visitaria, como Dubai, Tailândia, Maldivas, China. Na China, aliás, vivi um dos momentos mais marcantes da minha vida: fiz um piquenique na Muralha da China com Julia Faria e tivemos o privilégio de ver o pôr do sol, algo raro naquele país tão poluído.

Nessas experiências de trabalho, a gente se ajuda, vira terapeuta da pessoa que nos acompanha. É uma troca muito intensa.

Trabalhar com influencer traz muita visibilidade. Fotografar Gisele Bündchen em uma campanha foi dos frutos desse meu trabalho. Realizei um sonho. Ela é muito foda, trata todo mundo muito bem. Gisele é o tipo de pessoa que faz a diferença no mundo."

Luiza Ferraz

Prejuízo de R$ 30 mil bancado pelas influencers

Divulgação
Imagem: Divulgação

"Já trabalhava como fotógrafo em Campo Grande quando a influencer Nicole Pinheiro foi fazer um trabalho lá em 2015 e adorou as fotos que tirei dela. Nessa época tinha acabado de gastar R$ 12 mil numa câmera com wifi e Nicole achou genial que eu conseguisse mandar para ela as fotos na mesma hora que eu tirava.

Ela gostou tanto de mim que bancou minha vinda para uma edição do São Paulo Fashion Week para eu registrar todos os seus passos. Foi aí que conheci a maioria das minhas clientes que estão comigo até hoje: Fabiana Justus, Mariana Saad, Helena Lunardelli, Anna Fasano e Lala Noleto.

Nossa conexão foi imediata. Mais do que uma parceria profissional, criamos um laço de amizade.

Em 2016, ainda morava em Campo Grande quando roubaram todos meus equipamentos e tive mais de R$ 30 mil de prejuízo. As meninas se juntaram e me ajudaram a comprar tudo que precisava. Sou muito grato a elas.

Quando me mudei para São Paulo em 2017, mais uma vez, elas me socorreram. O cara com quem eu dividia apartamento decidiu vender todos os móveis da casa e me deixou sem nada. Fabiana Justus me doou mesa, cama, criado-mudo. Anna Fasano me deu vários objetos de decoração e quadros.

Sou mimado pelas influencers.

Lu e Marcela Tranchesi, por exemplo, me convidam para passar o Natal com a família delas. Foi por causa delas que realizei meu sonho de fazer uma viagem ao exterior. Samara Checon, Aletânia Oliveira, Ana Paula Suebert e Dani Cabrera me levaram para Paris e Milão, onde conheci restaurantes maravilhosos. Não teria vivido isso se não trabalhasse com elas.

Ser fotógrafo de influencers gerou outra experiência curiosa: ser reconhecido por aí. Já pediram para tirar foto comigo em Milão e no Shopping Cidade Jardim."

Higor Blanco

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