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Agora que o "ano começou", mulheres poderosas ensinam como fazer networking

Mulheres fazem networking  - iStock
Mulheres fazem networking Imagem: iStock

Ricky Hiraoka

Colaboração para Universa

26/02/2020 04h00

Para alguns, é um palavrão. Muita gente nem consegue pronunciar direito — que dirá praticar? Quem sabe fazer e faz bem-feito afirma que que é prazeroso e quer praticar com mais frequência. Há os mais tímidos, que adorariam dominar essa técnica, mas não têm ideia por onde começar.

Afinal, as escolas pouco discutem a importância dessa questão. As influencers não ensinam isso em tutoriais, meninas! Mesmo com poucas informações claras a respeito do tema, todo mundo afirma categoricamente que está sempre fazendo, que pratica mais que a maioria das pessoas e que os resultados são sempre satisfatórios. Na hora do vamos ver, entretanto, muita gente trava e até passa vergonha.

Claro: estamos falando sobre networking. E apostamos que você também tem dúvidas sobre como fazer.

Agora que o Carnaval acabou e que, como dizem por aí, o ano finalmente começou, ouvimos seis profissionais bem-sucedidas para desbravar essa arte de se relacionar bem, manter-se conectado com gente interessada e gerar negócios a partir dessas relações. Veja o que elas nos ensinaram:

Networking tem que virar hábito

"O primeiro passo para quem quer desenvolver uma rede de relacionamentos é se perguntar: 'Eu gosto realmente de gente? De me relacionar com pessoas?'. Networking exige dedicação. É como dieta. Para funcionar, não basta fazer três meses e acreditar que os resultados desse esforço permanecerão para sempre. É preciso ser um hábito, e um hábito prazeroso. Ao contrário dos americanos que são muito 'business oriented' [voltados para os negócios], os brasileiros gostam de misturar vida pessoal e trabalho. Aqui o networking se estabelece aos poucos, da mesma forma que se desenvolve uma amizade. Mais do que falar de negócios, a pessoa espera que você demonstre interesse por tudo que ela faz e que você a ouça verdadeiramente. É preciso se fazer sempre presente, porque nada pior para uma relação do que quando uma das partes só procura o outro nos momentos em que precisa. Responda e-mails e WhatsApp sempre. Marque almoços e cafés para falar sobre a vida, mande mensagens vez ou outra para saber se está tudo bem ou para compartilhar uma informação interessante e faça com excelência o trabalho que você se propõe a fazer — pois isso é o que vai fazer com que as pessoas queiram a conhecer e lhe deem atenção quando você procurá-las!"

Ana Lúcia Zambon, sócia da Tastemakers, agência de consultoria e marketing

É preciso ter um propósito claro

"Networking nunca deve ser feito visando apenas o lucro. É necessário ter um propósito claro. Comece se perguntando coisas como: por que é importante eu conhecer tal pessoa? O que podemos trocar um com o outro? Como eu e essa pessoa podemos unir forças para transformar uma realidade e melhorar não apenas nossas vidas, mas a vida de outras pessoas? Sabendo as respostas dessas perguntas, você saberá quem é relevante para conhecer. Mas é preciso ter um interesse genuíno para estabelecer conexões verdadeiras. Todo mundo nota quando alguém se aproxima por pura vantagem financeira. O dinheiro é consequência de qualquer relação. Um jeito eficaz de se conectar a alguém é compartilhar experiências emocionais. Após ter um pouco de intimidade com a pessoa, e se você sentir que tem abertura, convide-a para ir a um show de um artista que vocês curtem ou fazer uma viagem para um destino que ambos almejam conhecer. Isso vai criar um elo e vai naturalizar essa relação."

Luciana Rodrigues, presidente e CEO da agência de publicidade Grey Brasil

Conhecer-te a ti mesmo é importante

"Terapia ajuda — e muito — a fazer networking. Autoconhecimento é essencial para estabelecer relações de verdade. A falta de organização interna de sentimentos atrapalha muito nossa conexão com o próximo. Se não estamos confortáveis com nós mesmos, como entender a melhor maneira de se relacionar com o outro, de colocar cada relação numa gavetinha diferente e estar apta a fazer sempre uma reorganização dessas relações? Quando estamos seguros sobre nós, conseguimos ser generosos com os outros e isso ajuda bastante a criar e manter um networking. Quando falo em generosidade não me refiro a ajudar alguém sem segundas intenções. Ser generoso também é saber dar feedbacks não tão positivos, para que a pessoa repense uma atitude e consiga se relacionar melhor com o mundo. As pessoas ficam gratas com conselhos construtivos, pois percebem que não queremos agradar. Outro ponto essencial de uma rede de relacionamentos é investir em pessoas, e não nos cargos que elas ocupam. Já fui destratada por pessoas que hoje me pedem favores. O mundo gira muito e você não sabe quem pode lhe estender a mão amanhã."

Patsy Scarpa, sócia da List & Co, empresa de relações-públicas e eventos

Não tenha medo de ir direto ao assunto

"Quem está há muito tempo na estrada entende os subtextos do networking. Portanto, respeite o tempo alheio e tenha clareza quando abordar alguém. Ser direto e dizer 'Você consegue me dar 15 minutos via Facetime porque quero um conselho ou quero lhe apresentar um projeto que podemos desenvolver a quatro mãos?' é mais efetivo que tentar ser simpático e convidar alguém para um café por alguma razão nebulosa. Mulheres, em geral, têm dificuldade de chegar e falar de cara sobre trabalho mesmo quando o contexto da situação deixa claro que as duas partes têm interesse em criar uma parceria. Nós precisamos perder esse pudor e ser mais diretas em nossas intenções. Quando a relação estiver estabelecida, não abuse do contato conquistado. Antes de requisitar qualquer coisa, pergunte-se se você se sentiria confortável de realizar para alguém o pedido que fará. E se lhe pedirem algo que você costuma cobrar para fazer, deixe claro que aquilo é seu trabalho e que você ajudará a pessoa sem nenhum ônus. É importante ter essa transparência para estabelecer limites e ninguém se prejudicar."

Paula Gertrudes, publicitária e fundadora da agência de publicidade Cara de Conteúdo

Não basta trocar cartões: tem que suar

"Para querer se dar bem na hora do networking, você também tem que ser alguém relevante para outra pessoa. E você só é relevante se tem uma boa reputação profissional, se está bem informado, se consome conteúdos culturais diversificados. Esses fatores também vão conferir credibilidade. Uma dica que sempre dou para quem trabalha comigo é: só aborde alguém quando estiver muito seguro do que vai falar ou há o risco de criar uma má impressão que pode perdurar para sempre. Ah, networking e preguiça não combinam. Networking é suor, não é troca de cartões. Vá a eventos que sejam de sua área de interesse, frequente cursos e palestras, prestigie festas de pessoas com as quais você quer se conectar, mas tenha muito claro em sua mente o que você pretende conseguir com tudo isso. Se você não tem um objetivo definido, tudo isso vira puro oba-oba e não vai gerar nenhum fruto."

Tati Oliva, fundadora da Cross Networking, especializada em estabelecer parceria entre empresas e entre marcas e personalidades

Rede social: uma grande aliada

"Instagram, LinkedIn, Facebook são ferramentas para se iniciar uma relação. Estude ao máximo gostos e hábitos que podem unir você e a pessoa que você deseja conhecer. O ambiente digital nos ajuda a conhecer mais detalhadamente a vida alheia, mas também nos auxilia na hora de trabalhar nosso branding pessoal. As pessoas precisam se posicionar como marcas para serem lembradas. Aproprie-se de um tema que você domina e use as redes sociais para discorrer sobre o assunto. Quando você entrar em contato com alguém desconhecido, seu perfil será analisado e ficará fácil de entender como você pode ser útil para o outro. Entretanto, é preciso ter parcimônia nas atitudes na vida real, pois não é por você estar acompanhando a rotina de alguém que vocês são íntimos. Após o primeiro contato na rede social, peça o e-mail e escreva contando as razões de você ter procurado a pessoa. Depois de um tempo, marque um almoço. Quando a relação estiver solidificada, faça-se presente em datas especiais, demonstre que você está acompanhando (e comemorando) a evolução do outro. Estar disponível e atento é essencial para alimentar o networking."

Lu Medeiros, CEO da The Marketing Arm Brasil e idealizadora do evento de marketing de influência Connectors

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