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'Jesus mulher e negra' fala de feminicídio: "Todos os dias com medo"

Evelyn Bastos, rainha de bateria da Mangueira - Reprodução/Instagram
Evelyn Bastos, rainha de bateria da Mangueira Imagem: Reprodução/Instagram

De Universa

24/02/2020 12h10

A rainha de bateria da Mangueira, do Rio, Evelyn Bastos usou seu papel de "Jesus mulher e negra" para chamar atenção para a violência contra a mulher e sobre as mortes violentas causadas por gênero — o feminicídio.

Em entrevista para a TV Globo, ainda na passarela, Evelyn questionou: "Se fossemos ensinados desde pequenos que Jesus poderia ser uma mulher, será que estaríamos no topo do feminicídio?

O Brasil não está no topo das taxas de feminicídio, mas tem índices altos. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, a OMS, de 2016, estamos no quinto lugar do ranking.

Segundo dados Human Rights Watch, entre os países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país fica, sim, como o mais violento para mulheres: uma média de 4,4 mortes de mulheres a cada 100 mil habitantes.

Feminicídio no Brasil

"Talvez um dia teremos queda nos tristes números de feminicídio e a sociedade perceberá que não cabe objetificação em um corpo feminino que não nasceu para ser pautado pelo outro. Enquanto isso não acontece, seguiremos carregando a nossa própria cruz. Ah... e se Jesus fosse mulher?! Seu coração aceita? Seus olhos enxergam? Seu amor te limita?", escreveu a rainha de bateria no Instagram.

Os números de feminícidio são tristes, de fato, e cresceram entre 2017 e 2018. Segundo informações do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgadas em 2019. De um ano para o outro, o Brasil registrou aumento de 4% nas taxas de mortes de mulheres por serem mulheres.

A maioria das vítimas é negra (61%) e estudou até o ensino fundamental (70,7%).

A agressão a mulheres também é altíssima no país: a cada 4 minutos, uma é violentada. As vítimas mais frequentes têm entre 20 a 39 anos e são agredidas por alguém próximo: pai, irmão, filho, atual ou ex namorado ou marido.

Leia o texto completo de Evelyn sobre o tema abaixo:

"Eu, Mulher... nós "Mulher"!!! Brasil no topo quando falamos no feminicídio!

As mortes violentas por razões de Gênero nos coloca todos os dias no "medo". Ser mulher é ser a luta! Ser mulher é saber que precisamos encarar uma guerra por dia contra a discriminação e opressão que o machismo nos oferece. Temos o nosso corpo sexualizado a cada instante e isso não pode e nem deve ser aceito, somos assediadas, mortas... Pelo fato de sermos mulheres e vivermos em uma sociedade que ainda nos inferioriza. A cada 7 segundos, aproximadamente, uma mulher é vítima de violência física.

Somos tantas, somos livres e somos o que quisermos ser.

Talvez um dia teremos queda nos tristes números de feminicídio e a sociedade perceberá que não cabe objetificação em um corpo feminino que não nasceu para ser pautado pelo outro. Enquanto isso não acontece, seguiremos carregando a nossa própria cruz. Ah... e se Jesus fosse mulher?! Seu coração aceita? Seus olhos enxergam? Seu amor te limita? 'EU SOU DA ESTAÇÃO PRIMEIRA DE NAZARÉ, ROSTO NEGRO, SANGUE ÍNDIO, CORPO DE MULHER'".

Violência contra a mulher