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Gabi Martins suspendeu antidepressivos para entrar no BBB; veja riscos

Reprodução / TV Globo
Imagem: Reprodução / TV Globo

Ana Bardella

De Universa

12/02/2020 04h00Atualizada em 12/02/2020 11h39

Recentemente no BBB 20, a participante Gabi Martins admitiu sofrer de depressão. Em conversa com os colegas de confinamento, disse enquanto chorava: "Eu comecei a tomar remédio todo dia pra dormir, pra viver. Quando eu entrei aqui, não podia tomar, continuar. E eu falei: 'Eu vou levar isso como minha cura. Eu vou ser forte'".

O vídeo foi resgatado após Gabi ter se trancado no quarto do líder e, mais uma vez, chorado muito depois de sofrer uma decepção amorosa em relação à Guilherme. Para alguns telespectadores, sua reação foi "exagerada", afinal, o casal estava junto há pouco tempo. Para outros, as crises podem fazer parte de um quadro depressivo, uma vez que ela interrompeu o tratamento que vinha sendo feito até então:

Não se sabe se a interrupção dos medicamentos ocorreu a pedido da produção do Big Brother ou se a iniciativa partiu da própria cantora — por meio de nota, a TV Globo informou apenas que respeita o sigilo médico-paciente e por isso não divulga informações sobre tratamento dos participantes. "Ressaltamos, porém, que o atendimento médico está sempre à disposição durante todo o programa, assim como o atendimento psicológico, que é agendado de acordo com os pedidos", disse a emissora.

No entanto, qualquer que tenha sido a motivação de Gabi, se o tratamento foi interrompido sem o aval de um médico, a situação traz prejuízos à saúde.

Situação é comum no BBB

Em 2013, Fani Pacheco denunciou que teve o acesso aos seus remédios negados pela produção do programa quando participou pela segunda vez do reality. "Faço uso de um antidepressivo, responsável por manter em equilíbrio meus níveis de serotonina e noradrenalina. Na hora de fechar as malas para ir ao BBB, avisaram que eu não poderia levá-lo. Ficou lá com outros pertences", disse em entrevista ao portal IG, no mesmo ano, alegando que a interrupção fez com que o tratamento de anos regredisse.

A influenciadora Rízia Cerqueira também parou com os remédios, mas, ao contrário de Fani, fez por vontade própria. Ela conta: "Antes de entrar na casa, na décima nona edição, fui diagnosticada por uma psicóloga e um psiquiatra com uma ansiedade nível hard. Mais ou menos cinco meses antes de ser confinada comecei a tomar medicamentos para ansiedade e para dormir. No entanto, durante as entrevistas para entrar no reality, fiquei com medo de algum psicólogo me suspender pelo uso dos remédios. Nunca cheguei a perguntar se podia ou não tomá-los. Tomei a decisão de parar por conta, com receio de que isso fosse um impeditivo para a realização do meu sonho".

Durante o programa, Rízia sentiu as consequências da interrupção. "Tive várias crises de ansiedade: antes de entrar ao vivo, antes de começar as provas... Em uma delas, pedi para Gabi [Hebling, companheira de programa], que ela segurasse a minha mão bem forte até que aquilo passasse", relembra.

Rízia não recorda se chegou a pedir atendimento psicológico para a produção do programa. Ainda assim, passou por uma consulta: "Em um dos dias, todos nós passamos com um profissional de psicologia. Fui orientada a respirar corretamente para evitar as crises", detalha.

"Hoje entendo que foi uma atitude irresponsável da minha parte. O BBB foi muito intenso: além de tudo o que vivi no programa, existe também o que vem depois. São muitas informações, compromissos, cobranças, tudo ao mesmo tempo. A cabeça dá uma bagunçada. No fim, sinto que foi um desafio para mim, mas entrei com a ideia de lutar e vencer — e isso eu consegui fazer", avalia.

Parar por conta própria é perigoso

Afinal, antidepressivo é "para sempre"? De acordo com o psiquiatra Roberto Shinyashiki, não é possível dizer se um paciente que faz uso de antidepressivo, ansiolítico ou estabilizador de humor terá ou não que tomar a medicação para a vida toda. "Isso varia de acordo com cada contexto", adianta.

No caso da depressão, ele explica que existem três diferentes tipos da doença. "Uma delas, chamada de endógena, acontece porque falta algo na fisiologia da pessoa. Em geral são casos em que o paciente apresenta o quadro depressivo desde criança. Alguém com este diagnóstico tende a fazer uso do medicamento por muito tempo, uma vez que a origem do problema está no seu próprio organismo", indica.

O segundo tipo acontece em decorrência de um trauma; logo, o tratamento pode ser mais rápido. "Se a pessoa está depressiva porque perdeu um parente próximo ou descobriu uma doença, pode tomar a medicação por menos tempo, dependendo da evolução do quadro", assegura.

Por fim, o especialista explica sobre a depressão existencial. "A pessoa sente que a organização da própria vida não está boa e por isso se sente insatisfeita. Ela pode estar presa a um casamento infeliz ou a um emprego ruim. Com isso, precisa de suporte para melhorar o quadro depressivo e criar forças para se reorganizar", aponta.

Em todos os casos, parar a medicação por conta própria não é o mais indicado. "Independentemente do tipo de depressão, o paciente pode sentir os sintomas voltarem ainda mais intensos quando os remédios são cortados abruptamente". A recomendação é conversar com um profissional antes de tomar a decisão de parar. "Se o médico estiver de acordo, vai diminuindo as doses até parar completamente com o remédio. Desta forma, o cérebro não sente falta, como acontece quando eles são cortados de forma brusca".

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