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Ajustes, desconstrução e correria: como uma top escolhe vestido para Oscar

Zuel Ferreira (de preto, à esquerda) e Juliano Pessoa (à direita, de laranja) são os stylists responsáveis pelo look de Carol Ribeiro para o Oscar 2020 - Natália Eiras/UOL
Zuel Ferreira (de preto, à esquerda) e Juliano Pessoa (à direita, de laranja) são os stylists responsáveis pelo look de Carol Ribeiro para o Oscar 2020 Imagem: Natália Eiras/UOL

Natália Eiras*

De Universa

06/02/2020 04h00

Escolher um vestido para um tapete vermelho como o Oscar, que acontece neste domingo, não é tarefa para amadores. Antes do grande dia, o look é assunto de muita discussão e provas. É preciso casar o estilo de uma celebridade com as condições climáticas e de luz do evento, marcas que estejam envolvidas e, claro, qual é a estética que a pessoa pretende imprimir naquele momento. Uma maratona muito mais extensa do que as horas de arrumação que antecedem uma festa de gala.

A modelo Carol Ribeiro estará, novamente, no tapete vermelho do evento como apresentadora do canal pago TNT. Por isso, precisa estar com um visual deslumbrante. Universa foi até a sala de acervo dos stylists Juliano Pessoa e Zuel Ferreira acompanhar a primeira prova do vestido da top, que passa parte do tempo atarefada respondendo mensagens em um grupo do WhatsApp.

"Tenho que alinhar o look com os produtores do programa, além de conversar com o pessoal da marca." Ela vai passar pelo tapete vermelho com um longo assinado pela Skazi, de Belo Horizonte (MG). Quem assina o styling é a dupla Juliano e Zuel, que veste a modelo há mais de 10 anos. "Damos preferência para uma marca brasileira para evitar imprevistos", conta Juliano.

Zuel faz ajustes no vestido de Carol na primeira prova do look para o tapete vermelho - Natália Eiras/UOL - Natália Eiras/UOL
Zuel faz ajustes no vestido de Carol na primeira prova do look para o tapete vermelho
Imagem: Natália Eiras/UOL

O stylist diz que, em uma edição, Carol estava indo para o evento com um longo de alta-costura, mas, no carro, a marca avisou que o look havia sido escolhido por outra convidada do Oscar. Ou seja, saia-justa de emergência. "Corremos de volta para o hotel para Carol trocar de roupa", lembra o profissional.

O aperto pode acontecer com todo mundo. Em 2013, Anne Hathaway teve que mudar o vestido que usaria porque ficou sabendo que Amanda Seyfried, sua colega de elenco em "Os Miseráveis", usaria um vestido muito semelhante.

No caso de Carol, não se sabia quem poderia estar com o mesmo vestido. "Ele não nos disseram quem era, mas sempre dão preferência para atrizes do próprio país ou que estejam concorrendo ao prêmio", afirma Juliano. No fim das contas, a convidada era a mulher de um diretor que nem mesmo passou pelo tapete vermelho.

Do croqui ao Oscar

Convidados do Oscar não entram em uma loja de grife como um mero mortal faz e compram um vestido. Casos como o de Lana Del Rey, que adquiriu o longo usado no Grammy 2020 em um passeio no shopping, são quase raros.

Carol Ribeiro seguiu o caminho mais frequente: a Skazi mandou para a top e seus stylists um croqui, que foi aprovado pela equipe. Com as medidas da convidada em mãos, a marca mandou o vestido pronto para ela provar. Isso não impede, no entanto, que surpresas surjam no caminho.

Carol estava preocupada pelo fato do vestido ser todo de paetê. "Não sei se vai ficar bom na luz da TV, mas estou falando com o pessoal da TNT", conta. Menos de dez dias antes do evento e com o vestido em mãos pela primeira vez, a equipe considerava a possibilidade de reproduzir o modelo, que não estará disponível para venda, em um tecido sem aplicações.

Além disso, eles não estavam exatamente seguros com o modelo enviado pela marca, com mangas assimétricas, incluindo um decote vazado e uma fenda profunda. É nesse momento que a dupla Juliano e Zuel chegou ao local e transformou tudo. Eles pegaram um pedaço de tecido e jogaram por cima do ombro, prenderam com alfinete, desfizeram uma parte da ombreira, colocaram um cinto por cima. O vestido mudou, e os olhos de Carol também.

É comum que vestidos feitos sob medida sofram ajustes de última hora pouco antes de eventos de gala - Natália Eiras/UOL - Natália Eiras/UOL
É comum que vestidos feitos sob medida sofram ajustes de última hora pouco antes de eventos de gala
Imagem: Natália Eiras/UOL

"Nem sempre um longo no desenho performa bem no corpo. É por isso que é importante a presença de um stylist nesse momento da prova. O estilista traz a arte, a gente vê formas diferentes de usar uma peça", fala Zuel.

Ajustes pouco antes do evento e customizações também são praxe. Um vestido que era longo na passarela, pode aparecer curto no evento de gala. Um corpete deixa de ter saia e ganha uma calça. As marcas que cedem a peça costumam ser flexíveis e sabem que isso pode acontecer. "É que a celebridade precisa se sentir segura com o look, se não ela não vai consegui-lo 'carregá-lo' bem e não será bom para ninguém", afirma Zuel.

Com os ajustes feitos, Carol sobe em uma sandália cuja alça serpenteia por sua perna. "Pronta", ela faz, então, fotos e vídeos para mandar para o movimentado grupo de WhatsApp que ela estava respondendo no início da prova.

"Os meninos deram essas sugestões de mudanças, o que vocês acham?", pergunta a modelo. Zuel e Juliano, no entanto, sabem que o trabalho ainda não está perto de chegar ao fim. "Ainda temos que combinar com as joias e o cabelo. Talvez este não seja o resultado final." Tudo pode acontecer até o tapete vermelho do Oscar. "Você só vai descobrir na hora 'H'", diz o stylis à repórter. (*Colaborou a repórter Camila Brandalise)

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