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"Era defensora das mulheres", diz pai sobre filha estuprada e morta no PR

Maria Glória, 25: manifestações de repúdio à sua morte em diversas cidades do país - Arquivo pessoal/Maurício Borges
Maria Glória, 25: manifestações de repúdio à sua morte em diversas cidades do país Imagem: Arquivo pessoal/Maurício Borges

Camila Brandalise

De Universa

05/02/2020 04h00

A revolta pelo assassinato da filha se transformou em propósito de vida para o publicitário Mauricio Borges, pai da dançarina Maria Glória Poltronieri Borges, encontrada morta no dia 26 de janeiro nas proximidades de uma cachoeira em Mandaguari, no noroeste do Paraná.

"Ela era uma defensora das mulheres e uma conciliadora. Quando ouvia alguma ofensa de um homem, tentava explicar, não respondia com grosseria. A Magó conseguia perceber o sofrimento de outras pessoas e dava uma palavra amiga, um toque, um conselho", diz o pai.

Magó, como era conhecida, tinha 25 anos. Fazia parte de um grupo de mulheres na cidade de Maringá (PR), onde vivia, que estuda teorias sobre a espiritualidade ancestral da mulher.

"Essa bandeira que foi levantada pela minha filha, infelizmente pela morte dela, é o que tem me segurado e me faz conseguir resistir. Agora não vou mais parar minha vida, vou lutar contra essa violência absurda contra a mulher, contra esse machismo exacerbado", afirma Borges, que está ajudando a organizar diversas manifestações em memória de Magó e em protesto contra a violência de gênero.

A dançarina foi brutalmente violentada e assassinada durante um de seus rituais em meio à natureza, no dia 25 de janeiro. "Minha mulher deixou ela na chácara, onde ela acamparia à noite, que dá acesso à cachoeira. Ela foi para fazer uma oração de purificação", diz o pai.

Entre 16h e 17h do sábado, Magó desceu até a cachoeira. Uma testemunha, em depoimento à polícia, afirmou que a viu conversando com um homem. "Ele estava com outros quatro caras. E outra testemunha disse que, por volta das 18h, viu os mesmos homens na chácara, mas sem minha filha por perto", afirma Borges.

Foi a outra filha, irmã de Magó, que encontrou o corpo no domingo à tarde, quando ela e a mãe foram procurá-la na chácara, depois de não terem resposta com ligações e mensagens. "Ela desceu a trilha e viu o corpo coberto com uma canga que a Magó mesma tinha levado."

Na segunda-feira, um laudo do IML (Instituto Médico Legal) confirmou indícios de violência sexual contra a vítima. "Pelo nível dos ferimentos no corpo, tudo leva a crer que ela tenha sido estuprada", afirma o pai. O documento também confirma que ela morreu por estrangulamento.

Atos em repúdio à violência de gênero

Borges conta que a filha já viajou muito pelo país por causa de seu trabalho como dançarina, tendo trabalho com diferentes grupos. Por isso, amigas e amigos de várias cidades começaram a se mobilizar para organizar atos em sua memória e contra a violência de gênero. Segundo ele, já houve manifestações em Maringá, Curitiba, Campo Grande, Londrina e Florianópolis. Para os próximos dias, estão agendados atos em São Paulo, Itaparica (Bahia), Porto Alegre e Belo Horizonte.

Na capital paulista, onde Borges estará presente, o evento será realizado no sábado (8), às 14h, na avenida Paulista. "Não são eventos só da Maria da Glória, mas de todas as mulheres que morreram ou sofreram violência de homens", afirma.

Borges também cogita criar uma ONG que possa, entre outras coisas, conscientizar homens sobre machismo e violência contra a mulher. "Virou minha missão de vida", diz.

É nesse projeto que procura conforto quando a lembrança da filha aperta o peito. Ele ressalta que a falta de Magó vai doer para sempre. "De manhã, quando eu acordo, chego à conclusão de que vai ser mais um dia sem a Maria da Glória. Dá uma saudade doída."

Violência contra a mulher