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"Maior doadora de leite" tem quarto filho e quer ajudar bebês prematuros

"Maior doadora de leite", Michele Rafaela Maximino tem quarto filho e quer ajudar bebês prematuros - Arquivo pessoal
"Maior doadora de leite", Michele Rafaela Maximino tem quarto filho e quer ajudar bebês prematuros Imagem: Arquivo pessoal

Aliny Gama

Do UOL, em Maceió

04/02/2020 20h28

A pernambucana Michele Rafaela Maximino, 38, que ficou conhecida em todo Brasil, no ano de 2013, pela quantidade de leite humano doado, deu à luz ao seu quarto filho manhã de hoje no Imip (Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira), localizado no Recife. O bebê é um menino e nasceu com 36 semanas de gestação. A família contou que o recém-nascido já está mamando e Michele deverá fazer a primeira doação de leite amanhã.

Michele doou cerca de 480 litros de leite materno para o banco de leite do hospital Jesus Nazareno, em Caruaru (PE), no ano de 2013, quando nasceu a terceira filha. Apesar da quantidade de leite doada, Michele preferiu não se inscrever no Guiness World Records. Na época, ela foi xingada de "vaca" pelo apresentador Danilo Gentilli e a família teve que mudar de cidade. Em 2016, Gentilli foi condenado a pagar R$ 200 mil de indenização, mas recorreu da decisão. O processo encontra-se no STJ (Superior Tribunal de Justiça), desde o dia 27 de agosto de 2019.

O marido de Michele, Ederval Trajano, contou que a gravidez do quarto filho do casal foi de risco porque ela já tinha se submetido a três partos cesáreos. Além disso, teve placenta baixa e diversos sangramentos. Desde a 14ª semana de gestação Michele estava de repouso e ela deu entrada no Imip.

"Ter filho é sempre uma felicidade, mas ficamos preocupados devido ao processo que ela passou com internamentos, tomando antibióticos. Nosso filho nasceu saudável e é um 'mamador'. Ele já começou a mamar logo que chegou à enfermaria e Michele já tem colostro. Esperamos que amanhã ela já faça a primeira doação de leite aqui", conta Ederval.

O Imip é a maior maternidade pública do nordeste, referência em partos de alto risco. A maternidade realiza cerca de 338 partos por mês. A demanda mensal de é 200 bebês que precisam de leite materno, sendo 100 internos em UTIN (Unidade de Terapia Intensiva Neonatal).

O bebê mediu 45 cm e pesou 2,480kg. Mãe e filho estão bem e a previsão é que recebam alta médica na sexta-feira. Após a alta, eles viajarão para Quipapá (PE), a 193km de Recife. A família disse que preferirá manter-se longe nos holofotes com as doações de leite para não correr risco de Michele sofrer novos ataques.

Michele, o marido e os três filhos moraram cinco anos no Recife, quando, no ano passado, resolveram retornar à Quipapá. Logo após, veio a surpresa para a família: Michele ficou grávida pela quarta vez. Os demais filhos do casal têm 20, nove e sete anos de idade.

"Iríamos fechar a fábrica no nosso terceiro filho, a Mariana, mas ela nasceu prematura, de sete meses, e a médica achou melhor não fazer a ligação de trompas pelo risco que corríamos de nossa filha vir a óbito. Graças a Deus e ao leite materno, ela está com sete anos de idade e nunca adoeceu para precisar ir à emergência de hospital. Nossa filha não sabe o que é uma gripe", relata Trajano.

Michele amamentou a filha por quatro anos e meio e, no maior período de produção de leite, produzia em excesso três litros de leite por dia. "Ela ingeria cerca de 7 litros de líquido por dia, como água e suco, para dar conta da amamentação e, assim, acabava produzindo leite em excesso. Se ela não tirasse o leite em excesso, adoecia, dava mastite", relata Trajano.

Como em Quipapá não existe banco de leite ou de coleta, o marido de Michele viajava três vezes por semana para Caruaru (PE), a 70km de Quipapá, onde fica localizado o banco de leite mais próximo para levar a produção de leite em excesso para ser doada.

Apesar das dificuldades enfrentadas para doação de leite, Michele pretende doar o excesso da produção, mas a família está preocupada como fazer o transporte até o banco de leite, em Caruaru. O marido dela disse que está assalariado e não tem condições financeiras de viajar três vezes por semana, como fez em 2013, para levar o leite materno para o hospital Jesus Nazareno.

"Desde 2013, lutamos para que se crie um banco de leite ou posto de coleta na nossa cidade. Não temos condições de gastar com as viagens para levar as doações até Caruaru, pois sou assalariado, e as despesas vão aumentar com a alimentação da Michele, que é reforçada. Teremos de ver com o governo do estado ou municipal para alguém se comprometer em fazer esse transporte", diz Trajano.

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