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Na academia, ela superou deficiência física sem cirurgia

Nathalia Stephanie - Sartor Fotografia
Nathalia Stephanie Imagem: Sartor Fotografia

Simone Machado

Colaboração para Universa

12/01/2020 04h00

A rotina de treinos é puxada. Seis dias por semana, a estudante de nutrição Nathalia Stephanie, 25, passa quatro horas por dia, divididas em duas sessões, dentro da academia em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, onde vive. Ali, trabalha seus 48 quilos (83% de músculo) distribuídos em 1,58 metros de altura.

Mais do que um corpo escultural, a academia deu à moça uma nova e transformadora perspectiva de vida. Nathalia nasceu com o fêmur esquerdo encurtado (é cerca de 27 centímetros menor do que o direito). Devido à má formação, os músculos da perna não se desenvolveram muito, o que dificultava a mobilidade da estudante. Para caminhar e fazer suas atividades rotineiras ela usa uma prótese, que "veste" por cima da perna.

"Eu me sentia muito incomodada por usar prótese. Não vestia short e nem saia, só saía de casa de calça e minhas fotos eram todas da cintura pra cima", conta ela que, por essas dificuldades, tinha uma vida social restrita, e acabava saindo muito pouco.

Até que um dia um médico disse que uma cirurgia poderia resolver parte do problema. "Segundo ele, o procedimento seria capaz de alongar minha perna, o que ajudaria também no desenvolvimento como um todo", conta. Antes da intervenção, porém, ela precisaria precisava ganhar peso: ou seja, gordura e músculos. Na época, Nathalia pesava apenas 35 quilos, uma contra-indicação para a operação.

"Eu entrei na academia para ganhar massa magra e assim poder fazer a cirurgia. No começo, foi bem complicado porque alguns professores olhavam desconfiados, falavam que eu não conseguiria fazer os exercícios por causa da minha deficiência. Além disso, tinha que lidar com os olhares preconceituosos dos outros alunos também", relata a jovem.

O tempo mostrou que tudo era possível. Aos poucos, Nathalia foi adaptando os treinos à sua deficiência e ganhando músculos. Até que a musculação se transformou em sua maior paixão. Ao ver o corpo mudar, devido aos exercícios, a estudante desistiu de fazer o procedimento cirúrgico e passou a aceitar melhor seu corpo e suas limitações.

"Eu vi que eu era capaz de fazer tudo o que as outras pessoas faziam e que meu corpo era lindo. Quando passei a assumir a minha deficiência, muita gente que me conhecia ficou impressionada, porque, apesar de conviver comigo, nunca tinham visto a minha deficiência e a prótese. Postei uma foto de corpo inteiro pela primeira vez nas redes sociais e muita gente ficou surpresa", lembra.

Com o tempo, Nathalia virou exemplo na academia e passou a inspirar outras pessoas. A jovem não se contentou em apenas ter um corpo torneado, ela foi além. Passou a ter acompanhamento de um personal trainer e seguir uma dieta rigorosa. Tudo para poder disputar campeonatos de fisiculturismo.

"Eu participei do Montalvão Classic, em 2018, uma competição na minha cidade. Agora treino para participar de outros eventos maiores no próximo ano", conta. A paixão pelo mundo fitness também transformou Nathalia em empresária. A jovem montou uma loja de roupas fitness. "Minha vida se transformou totalmente por causa da musculação. Hoje tudo o que faço está vinculado a esse esporte que amo", diz.

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