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Vítima de Harvey Weinstein: "Nenhuma sentença pode desfazer os traumas"

Jasmine Lobe - Reprodução/Instagram
Jasmine Lobe Imagem: Reprodução/Instagram

De Universa

08/01/2020 13h05

A atriz e modelo Jasmine Lobe foi uma das mais de 100 mulheres que denunciaram o ex-produtor de Hollywood Harvey Weinstein por crimes sexuais que vão de assédio moral e sexual a estupro.

Em texto publicado na Cosmopolitan, ela contou como se sente acompanhando o julgamento de Weinstein, que mensagem espera que sua provável condenação transmita. Na publicação, escrita em primeira pessoa, ela também lembra detalhes do ataque que sofreu há 14 anos.

"É um novo ano, uma nova década. Não quero pensar em Harvey Weinstein. Mas goste eu ou não, seu julgamento criminal começa hoje", escreveu. "E nenhuma sentença pode desfazer os traumas que ele causou em mim e em mais uma centena de outras mulheres".

Apesar de reconhecer a importância das denúncias e do julgamento, Jasmine conta que não será um processo fácil para ela ou para as outras vítimas assistir ao julgamento, que acontece em Nova York.

"Será um frenesi na mídia e o mundo estará assistindo para saber se ele passará o resto de sua vida na prisão. Mais uma vez, seu rosto estará em todas as mídias sociais e nas notícias, e mais uma vez, vou estremecer e querer desviar o olhar".

Harvey Weinstein é fotografado ao chegar ontem ao Tribunal de Manhattan, em Nova York - Johannes EISELE / AFP - Johannes EISELE / AFP
Harvey Weinstein é fotografado ao chegar ontem ao Tribunal de Manhattan, em Nova York
Imagem: Johannes EISELE / AFP

A lista de acusadoras de Weinstein passa de 80 mulheres, mas o julgamento que começa nesta semana diz respeito a apenas dois ataques e pode levar mais de dois meses para ser concluído.

Entre as mulheres que falaram contra o ex-produtor estão nomes consagrados de Hollywood, como Gwyneth Paltrow, Lupita Nyong'o, Madonna, Cara Delevingne, Salma Hayek, Uma Thurman, Lena Headey e Helena Bonham Carter.

"Mesmo com todas as acusações contra ele, tenho medo que ele se liberte", desabafa Jasmine, lembrando que nos Estados Unidos menos de 1% dos estupradores vai para a cadeia. "Se Weinstein não for responsabilizado, isso dará esperança aos agressores sexuais e mostrará ao mundo que dinheiro e privilégios importam mais do que a vida e a segurança das mulheres".

"Eu pensei que era minha culpa"

No texto, a modelo compartilha também o relato de quando conheceu Weinstein e foi atacada por ele, em 2006.

"Eu tinha 24 anos e o conheci durante um almoço de trabalho. Ele trouxe seu assistente e um diretor de elenco e pediu ao diretor que lembrasse de mim nos próximos testes de elenco. Eu pensei 'ganhei na loteria', mas, na verdade, tinha ganhado uma passagem para o inferno", escreveu.

Na sequência, segundo o relato da modelo, hoje com 38 anos, Weinstein continuou em contato como uma espécie de mentor, mas quando se aproximou dela e "não conseguiu o que queria", encerrou a relação de forma abrupta.

"Eu caí em depressão, me senti desorientada e tinha medo que ele estragasse minha carreira", lembra. "Liguei para ele um mês depois para almoçar. Eu o encontrei em seu hotel, onde ele fazia suas reuniões de negócios, e foi aí que o ataque aconteceu. Eu disse 'não', eu fui clara e ele me atacou. Não foi consensual. Eu estava aterrorizado e ele sabia disso".

Jasmine lembra que conseguiu escapar para o corredor mais próximo, foi seguida por ele e conseguiu entrar em um elevador com outras pessoas.

O produtor teria dito: "Tenho orgulho de mim mesmo por me comportar". "Entendi que isso significava que tive sorte de não ter sido estuprada", disse a modelo.

"Eu pensei que era minha culpa. Nunca me ocorreu que ele seria responsabilizado até que multidões de mulheres aparecessem com histórias semelhantes", escreveu.

As primeiras denúncias contra o ex-produtor vieram à tona no final de 2017, publicadas pelo jornal The New York Times mais de 10 anos depois do episódio com Jasmine Lobe.

Por meio de seus advogados de defesa, Weinstein, de 67 anos, se declara inocente das acusações de agressão.

Violência contra a mulher