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"Não fazia mal a ninguém", diz mãe de jovem encontrada morta em igreja

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Jéssica Nascimento

Colaboração para Universa, em Brasília

08/01/2020 14h51

Resumo da notícia

  • Corpo foi encontrado na segunda-feira (6) no altar de uma tenda de orações no DF
  • A polícia investiga o caso como feminicídio
  • Larissa Francisco trabalhava como diarista
  • "Minha filha não fazia mal a ninguém. Quero Justiça", disse a mãe da jovem, Valdete Maciel

O corpo de uma estudante de 23 anos foi encontrado na última segunda-feira (6) no altar de uma tenda de orações de uma igreja, na Candagolândia, Distrito Federal. Segundo a Polícia Civil, Larissa Francisco Maciel foi estrangulada e tinha sinais de violência sexual.

A 11ª Delegacia de Polícia, localizada no Núcleo Bandeirante, investiga o caso como feminicídio. O corpo da estudante foi encontrado pelo diácono da igreja Evangélica Tenda da Libertação, na QR 2 da cidade. "Minha filha não fazia mal a ninguém. Quero Justiça", disse a mãe dela, Valdete Maciel.

Larissa Francisco trabalhava como diarista e teria ido a uma festa no domingo (5), em um posto de gasolina. Segundo Valdete, a jovem chegou em casa por volta das 20h40. Trocou de roupa e saiu sem informar o destino.

"Os amigos dela contaram que viram a minha filha saindo da festa acompanhada de um homem e depois não foi mais vista. A dor é muito grande. Não saber quem fez isso é o pior. Todo mundo gostava da Larissa. Ela era meiga, educada. Não sei o que fazer agora", disse. "Ela não era de contar pra onde ia. Só espero, do fundo do meu coração, que as imagens das câmeras de segurança desse posto mostrem com quem ela saiu."

Se confirmado, esse será o primeiro feminicídio registrado este ano no Distrito Federal. De acordo com a Secretaria de Segurança Publica, em todo o ano passado foram 34 casos. Um aumento de 62% nos últimos quatro anos.

O corpo da diarista foi velado e enterrado ontem em Cabeceira Grande, Minas Gerais, cidade natal da família.

Segundo a mãe da vítima, ela acordou na manhã de segunda-feira com policiais batendo na porta de casa, para reconhecer o corpo da filha.

"Foi assim que soube da notícia. Cheguei na tenda e vi minha filha morta e muito machucada. O short, que tinha cordões nas laterais, estava no pescoço dela. O corpo estava com queimaduras, inclusive as partes íntimas", relatou.

Vizinhos que moram em frente à tenda onde o corpo foi encontrado disseram ter ouvido um barulho por volta de 1h nas proximidades. Segundo eles, como não viram nada, voltaram a dormir. Já nas primeiras horas da manhã, notaram a movimentação da polícia.

"Essa área não é muito segura. Qualquer pessoa entra e sai. Não tem policiamento, nem fiscalização. Uma tristeza o que aconteceu com essa jovem. Ela morava com a mãe e não fazia mal a ninguém", disse o vizinho Carlos Araujo.

O advogado da família preferiu não se manifestar. Na certidão de óbito, à qual Universa teve acesso, consta que Larissa foi morta por asfixia, contrição cervical (enforcamento), meio físico (abuso) e químico (fogo).

Segundo a Polícia Civil, o exame cadavérico ficará pronto em pelo menos 30 dias.

Violência contra a mulher